sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

A Simplesmente Maria

Comemorou-se esta semana (mais precisamente no dia 13) o Dia Mundial da Rádio. Contrariamente ao que previam os profetas da desgraça, a rádio não desapareceu com o desenvolvimento da televisão. Continua de boa saúde e a fazer companhia aos automobilistas durante as longas horas de deslocações a que todos estamos sujeitos. Mas não há dúvidas de que já não tem a importância que tinha noutros tempos. Nos dias da minha infância, tinha centralidade na vida diária, acompanhava as tarefas domésticas e todos conheciam os principais programas e cantarolavam os mesmos anúncios. 
Tudo isto fez-me lembrar a "Simplesmente Maria". Quem se recorda? Era uma rádio-novela, ou folhetim radiofónico, que passava diariamente na Rádio Renascença. Começou em 1973 e só terminou nos finais de 1974, tendo feito a transição revolucionária sem perturbações. Era transmitida a seguir ao almoço e Portugal quase parava para ouvir a "Simplesmente Maria". O nome já diz muito: era uma história para fazer chorar as pedras da calçada. A Maria era uma jovem ingénua, que vinha da província para Lisboa para trabalhar. Aí, conheceu um malandrão bem parecido, que a engana e abandona, grávida. Maria tem o apoio de outro rapaz, esse honesto e trabalhador, que a vai ajudar a subir na vida. Havia um Tony, não me lembro se era o honesto ou o malandrão. O que me lembro muito bem é que toda a gente suspirava pelas desventuras da pobre Maria, incluindo as minhas tias-avós. E só me recordo de um entusiasmo parecido, muitos anos depois, com a transmissão da primeira telenovela, "Gabriela". 



Havia também uma revista semanal, uma fotonovela, com os episódios da "Simplesmente Maria". Aqui está uma delas. São relíquias de uma época muito distante, no tempo e mentalidade.

21 comentários:

  1. Ahahah, do que te foste lembrar! :)))

    Lembro-me da radionovela (não em pormenor), suponho que o malandrão se chamava Alberto e o amigão tenho a certeza que era Estevão!

    Mas sim, uma grande diferença no tempo e nas mentalidades! ;)

    Beijocas!

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    1. Ia jurar que havia um que se chamava Tony!
      :)
      Bjs

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  2. A minha memória não vai tão longe, mas lembro-me dos Parodiantes de Lisboa, que para a altura eram bem engraçados. Beijoca!

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    1. Os Parodiantes eram engraçados, a Simplesmente Maria era simplesmente patética :)
      Bjs

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  3. Lembro-me deste folhetim radiofónico mas não me lembrava da data. Até pensava que era mais antigo...
    Sou uma ouvinte incondicional da rádio porque ando muitas vezes sozinha de carro e também de manhã para despertar!:-))

    Abraço

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    1. Pois é, começou em 1973 e acabou já depois do 25 de Abril, tive o cuidado de ir verificar, que a memória já prega partidas.
      Bjs

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  4. Recordo-me vagamente dessa "Maria", mas... aquilo "que me tirava o sono" era o "Oceano Pacífico". A voz calma do locutor, as músicas dos Procol Harum, dos Moody Blues...

    Viva a Rádio!

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    1. Olha, estudei e conversei muitas horas acompanhada pelo "Oceano Pacífico". Que excelente programa! Que boa lembrança!
      Bjs

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  5. nada disso é do meu tempo, mas gosto de ouvir rádio e é a minha companhia durante as horas de conduçao.

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    1. Sim, a rádio continua a ser uma boa companhia, especialmente nas viagens.
      (Quanto à Simplesmente Maria, também não perdeste grande coisa!)
      Bjs

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  6. Nesse tempo eu estava na guerra, não ouvia, mas lembro-me disso.
    Mas recordo-me de novelas anteriores, até na EN, com grandes nomes do teatro a darem a sua voz.
    Quanto ao Oceano Pacífico era fabuloso.
    Mais recentemente, quando ainda trabalhava, apanhava sempre, na Comercial, quando ia de manhã para o emprego um programa louco, com o Malato, o Nuno Markl e a Ana Lamy: O homem que mordeu o cão - uma maravilhosa loucura.

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    1. O Homem que mordeu o cão, era fantástico. Saiu um livro e um CD. Realmente, a rádio acompanhou a nossa vida.
      Bjs

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  7. Lembro-me perfeitamente do "Simplesmente Maria"...Na verdade a rádio tinha muita importância nas nossas vidas. Na minha juventude, a caixinha mágica ia para todo o lado...praia, campo e até se passeava com ela na mão...Outros tempos!! Mas hoje, a rádio, continua a fazer-me companhia quando me deito. Gosto de adormecer com boa música.
    Um beijo para ti.
    Graça

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  8. Parece que, afinal, a rádio continua a ter importância nas nossas vidas. Só que duma maneira diferente.
    Beijinhos.

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  9. Amiga lembro-me muito bem :)
    Eu ouvia-a à noite com a minha mãe, era bem miúda mas adorava a história e lia avidamente a revista.
    Como o tempo passa :)
    E diariamente ouvíamos à hora do almoço os Parodiantes de Lisboa, e os relatos de futebol aos fins de semana n:)

    beijinhos

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    1. Ouvias à noite? Não me lembrava que passava à noite, pensava que era só à hora do almoço. Parece outro mundo!
      Bjs

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  10. Lembra-me perfeitamente... o "malandrão" que engravidou a pobre Maria... simplesmente... era o Alberto Cabral... um tratante, um cafajeste... nem de pénalti desposou a rapariga...
    ... e lembro-me também que o pénalti foi marcado numa visita ao Jardim Zoológico...
    Nessa altura vivia num apartamento em Lisboa, de onde se conseguia ver parte do Jardim Zoológico, mais exactamente a zona dos Ursos, parte das jaulas dos macacos e o... cemitério dos cães... eu sei não era grande paisagem... mas o que me fazia espécie era pensar na possibilidade de sexo ao som do rugido dos ursos, ou da guincharia dos macacos ou mesmo à vista das sepulturas dos cachorros... achava, na altura, que o Alberto Cabral era um super-homem... a minha mãe olhava para mim incrédula com as minhas interrogações e mandava-me estudar para evitar conversas tabú sobre "sexo na selva"...

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    1. Miguel
      Sexo na selva? São incríveis as fantasias que a história da Simplesmente Maria desenvolvia na cabeça das pobres criancinhas!

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    2. Criancinha? Tinha 15 anos Teresa... andava permanentemente apaixonado! Mas aquilo do sexo no zoo era um desafio... imagina o casal a esgueirar-se para o quentinho do pavilhão dos répteis... ou a esconder-se atrás de umas moitas atrás dos rinocerontes ou das girafas... até o cheiro me limitaria qualquer fantasia sexual... quanto mais!
      Um verdadeiro fenómeno esse do "Simplesmente, Maria"

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  11. :) Da história não me lembro... e nem das personagens. Mas lembro-me do título "Simplesmente Maria" e das minhas tias e primas agarradas à telefonia para não perderem pitada.

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    1. Pois, como já alguém disse, aquilo era um verdadeiro fenómeno de popularidade!
      Bjs

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