quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

As coisas boas da Vida

Há algum tempo, circulava na internet, por via daqueles mails que estamos sempre a receber e a reencaminhar, uma lista das coisas boas da vida, aquelas coisas simples, pequenas, que nos fazem sentir bem connosco e com os outros, que nos fazem sentir felizes. Sim, porque eu sou daquelas pessoas que acredita que a felicidade está nas pequenas coisas!
São estes os meus votos para 2011.
Para todos os amigos que me acompanham na blogosfera (e para os outros também), espero que o ano que está mesmo aí a chegar traga, a todos, muitos destes pequenos momentos de prazer. Assim, será com certeza um Ano Feliz!

As Coisas Boas da Vida
1. Apaixonar-se.
2. Rir tanto até que as faces doam.
3. Um chuveiro quente num Inverno frio.
4. Um supermercado sem filas nas caixas.
5. Um olhar especial.
6. Receber correio (pode ser electrónico.....)
7. Conduzir numa estrada linda.
8. Ouvir a nossa música preferida no rádio.
9. Ficar na cama a ouvir a chuva cair lá fora.
10. Toalhas quentes acabadas de serem engomadas...
11. Encontrar a camisola que se quer em saldo a metade do preço.
12. Batido de chocolate (baunilha ou morango).
13. Uma chamada de longa distância.
14. Um banho de espuma.
15. Rir baixinho.
16. Uma boa conversa.
17. A praia.
18. Encontrar uma nota de 20 euros no casaco pendurado desde o último Inverno.
19. Rir-se de si mesmo.
20. Chamadas à meia-noite que duram horas.
21. Correr entre os jactos de água de um aspersor.
22. Rir por nenhuma razão especial.
23. Alguém que te diz que és o máximo.
24. Rir de uma anedota que vem à memória.
25. Amigos.
26. Ouvir acidentalmente alguém dizer bem de nós.
27. Acordar e verificar que ainda há algumas horas para continuar a dormir.
28. O primeiro beijo (ou mesmo o primeiro com novo parceiro).
29. Fazer novos amigos ou passar o tempo com os velhos.
30. Brincar com um cachorrinho.
31. Haver alguém a mexer-te no cabelo.
32. Belos sonhos.
33. Chocolate quente.
34. Fazer-se à estrada com os amigos.
35. Balancear-se num balancé.
36. Embrulhar presentes sob a árvore de Natal comendo chocolates e bebendo a
bebida favorita.
37. Letra de canções na capa do CD para podermos cantá-las sem nos sentir estúpidos.
38. Ir a um bom concerto.
39. Trocar um olhar com um belo/a desconhecido/a.
40. Ganhar um jogo renhido.
41. Fazer bolachas de chocolate.
42. Receber de amigos biscoitos feitos em casa.
43. Passar tempo com amigos íntimos.
44. Ver o sorriso e ouvir as gargalhadas dos amigos.
45. Andar de mão dada com quem gostamos.
46. Encontrar por acaso um velho amigo e ver que algumas coisas ( boas ou
más) nunca mudam.
47. Patinar sem cair.
48. Observar o contentamento de alguém que está a abrir um presente que lhe
ofereceste.
49. Ver o nascer do sol.
50. Levantar-se da cama todas as manhãs e agradecer outro belo dia.

Um 2011 muito feliz!

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

A alma é uma biblioteca


Escreveu Rubem Alves que a nossa alma é uma biblioteca, onde guardamos as nossas histórias. Gosto desta ideia. De facto, ao longo dos anos, vamos guardando dentro de nós as nossas histórias, bem arquivadas por temas, idades, graus de intensidade com que nos marcaram, ou simplesmente empilhadas por ali, sem grande critério, só porque nos apetece tê-las à mão. 
São as histórias da infância, que a mãe ou a tia velhota nos contava e recontava com infinita paciência. É a Abelha Maia e o Carrosel Mágico. São as séries da televisão, que víamos apaixonadamente, projectando-nos nos seus heróis. Lembro-me dos "Pequenos Vagabundos" e da ânsia com que via passar o tempo para os acompanhar nas suas aventuras. Os primeiros livros com as suas tristes heroínas, "A Princesinha", "As Mulherzinhas".
Depois, à medida que vamos crescendo, a nossa alma biblioteca tem de aumentar as suas instalações. Passamos a arquivar lá os nossos filmes de eleição, aqueles que nos marcaram por qualquer razão, sabe-se lá, às vezes, por que razão! Alguns foram importantes porque responderam a questões que trazíamos connosco. Outros, pela beleza das suas imagens ou da sua mensagem. Outros ainda, porque foram o cenário de algum beijo furtivo ou aperto de mãos envergonhado que, é claro, fazem parte de outra história.
Depois, lá estão os grandes livros da nossa vida, que nos prenderam até à última linha, que nos emocionaram, que nunca esquecemos. 

(A Anica, do Carrosel Mágico, sempre com o seu cão Franginhas)

Todas estas histórias ficam connosco, moldam-nos de alguma maneira e ajudam-nos a crescer.
Por fim, há a nossa própria história, composta de tantas outras pequenas histórias, das quais somos os heróis e as heroínas. É a mais complexa de todas, porque se cruza com todas as outras. Há excertos que nos fazem sorrir, outros que nos fazem chorar. Como em todas as histórias, ao fim e ao cabo. E como em todas elas, desejamos que tenha um final feliz.
Folhear estas histórias é apreender as nossas memórias e os nossos anseios, é compreender a nossa própria alma.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Castelos no Ar

(Castelo de Beja, com a sua bela Torre de Menagem)

Gosto de Castelos.
Há quem diga que eu passo a vida a fazer castelos no ar, a cabeça nas nuvens, envolta em sonhos e planos mais ou menos realizáveis. Mas, quando escrevi “gosto de castelos”, referia-me mesmo aos castelos de pedra e madeira, a esses símbolos de outras épocas, aos quais já quase nem prestamos atenção, de tão vulgares que são na nossa paisagem. Por isso, o nosso humorista Herman José, quando se referia a uma povoação portuguesa, acrescentava sempre “…com o seu castelo altaneiro!”
Portugal tem, realmente, uma densidade enorme destes monumentos, das maiores da Europa. O que diz bem da nossa situação de fronteira, de territórios permanentemente ameaçados, ou em disputa. No sul do nosso país, lembram-nos a instável linha de fronteira com o Al-Andaluz muçulmano; na zona da raia, a necessidade de defesa em relação ao poderoso inimigo castelhano. Todos juntos, ajudam a perceber porque é que Portugal é o país com fronteiras definidas mais antigas da Europa.
Alguém sabe quantos castelos existem em Portugal? As respostas iriam seguramente variar, até porque algumas fontes incluem na sua enumeração castelos que se sabe terem existido, mas dos quais não sobrou nenhum vestígio.
As muralhas defensivas, geralmente à volta de núcleos urbanos, são já muito antigas. Mas os castelos, tal como os conhecemos, datam geralmente de um período não anterior ao século IX, e quase sempre sofreram, ao longo do tempo, alterações e melhoramentos que lhes mudaram um tanto a fisionomia, sem lhes alterarem, no entanto, o essencial: a capacidade de defesa. No meio dos campos, ou dominando a cidade, o castelo era um símbolo da autoridade do senhor, mas também significava a defesa e a protecção da população em caso de ataque.
Hoje, os castelos e as fortalezas são uma parte importante do nosso património construído. Alguns, estão bem estimados e recuperados, albergando serviços educativos ou ligados, de alguma forma, à História ou ao Património. Outros, nem tanto: bem precisavam de uma intervenção que os mantivesse vivos e os valorizasse, até em termos turísticos.
Uma visita a um castelo, pelo que as suas pedras evocam e pelo que de lá a vista alcança, é um projecto que vale sempre a pena realizar. É a minha sugestão para os passeios de fim-de-semana do ano que aí vem.

(Fotografia de FAires)

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Natal outra vez

E pronto, é quase Natal outra vez.
Depois de um ano que passou a correr, regressaram as árvores cheias de bolas coloridas, as milhentas luzinhas dos enfeites de Natal, a correria das prendas. A certo ponto, começamos a ser assaltados pela ansiedade: será que vai haver tempo para comprar tudo o que é preciso? será que acabamos por nos esquecer de alguém? As pessoas atropelam-se e acotovelam-se nos centros comerciais, os estacionamentos estão todos congestionados. Nas lojas, não se dá pela crise. Parece que só existe nos telejornais. Ou então, vai chegar mesmo aos nossos bolsos no início do próximo ano e andamos todos a ver se nos esquecemos das má notícias.
Quem me conhece, já sabe que eu não sou uma grande entusiasta do Natal. Gosto de amimar os que amo durante o ano inteiro, e não apenas nesta época. Tento lembrar-me dos meus amigos regularmente, com uma mensagem risonha ou um telefonema carinhoso. Não gosto de dar prendas por obrigação. Passeio pelas ruas iluminadas e não vejo nenhuma referência ao espírito de partilha e de verdadeira entrega aos outros que me parece ser a mensagem profunda desta Festa. 
Recordo com alguma nostalgia os Natais simples da minha infância. Não havia muito dinheiro, não havia ostentação nem amontoados de prendas. Havia muito carinho, o bacalhau reunia todos à mesa, durante a Consoada a minha mãe fazia os sonhos ou fritava as filhós. Eu esperava pela abertura das prendas, para ver se recebia os livros que tinha pedido ao Menino Jesus. Sim, porque na minha infância ainda era o Menino Jesus que trazia as prendas, não tinha ainda sido substituído pelo Pai Natal. Hoje, as luzes ofuscam-nos, as canções de Natal repetidas até à exaustão ensurdecem-nos, a compra das prendas esgota-nos as energias e as carteiras. 
Na rádio, passam e repassam as mesmas canções, que parecem saídas de algum American Christmas Song Book. Talvez por isso, apeteceu-me partilhar aqui uma canção de Natal, bem portuguesa, que radica nas nossas tradições e nos nossos cantares. E aproveito para desejar a todos os que por aqui passarem, propositadamente ou por acaso, um Natal tranquilo, partilhado, verdadeiramente luminoso!

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Postal de Lisboa XVI – A Igreja de São Domingos

Não é das Igrejas mais visitadas de Lisboa. Não corremos o risco de andar por ali a tropeçar em grupos de espanhóis ou japoneses, como acontece nos Jerónimos. E, no entanto, situa-se em pleno centro de Lisboa e poucas igrejas reflectem tanto da nossa história nas suas pedras.


Fica por trás do Rossio, no Largo de São Domingos. A fachada não chama a atenção. Pelo contrário, a chusma de gente que por ali se reúne diariamente até nos afasta do local. E, se não a gente que se acotovela, afastam-nos os pedintes que, mostrando as suas chagas, estendem a mão ao espírito sensível dos que entram e saem da igreja.
Mas vale a pena fazer um esforço e entrar neste espaço. Aqui se edificou uma igreja logo no século XIII. Mas é a Igreja do século XVIII, projectada por Ludovice, que é quase totalmente destruída pelo Terramoto de 1755. É ela que nos aparece numa gravura célebre da época, que evoca a destruição, a desorientação, o terror, da população lisboeta.
É reconstruída por Manuel Caetano de Sousa, após o Terramoto, aproveitando o portal e a sacada da Capela Real do Paço da Ribeira, totalmente destruído pela catástrofe.

(Fotografia do Largo de São Domingos em 1915)

É ali que vão ser guardadas algumas das relíquias do chamado “milagre de Fátima”: o lenço de Lúcia e o terço de Jacinta. No entanto, em 1959, um incêndio destrói novamente o templo. É reconstruído, mas deixando à vista de todos as marcas da destruição. É dos aspectos mais interessantes, e ao mesmo tempo mais impressionantes, deste monumento. As paredes, as colunas, os altares, mostram bem essas marcas: há zonas queimadas, há pedaços partidos ou em falta. Não foi feita uma reconstrução, mas tudo o que não é original é bem visível, pela utilização de um cimento vermelho, que o destaca propositadamente, dando-nos uma dimensão palpável das tragédias que se abateram sobre esta igreja.


É um espaço de memórias sobrepostas. É também um espaço que evoca a nossa capacidade de recuperação e superação. E, porque está frio, nada melhor do que sair da Igreja e entrar na “Ginginha de Lisboa”. É a verdadeira, a genuína, diz-se nos cartazes pitorescos que emolduram a entrada. Vale a pena provar. Eu garanto.

(Imagens retiradas da Internet)

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Sonhos e objectivos

Um dia, no metro de Nova York, vi um cartaz que dizia: "Sonhos realizáveis são objectivos." Parei a olhar para o cartaz, a interiorizar aquelas palavras que, desde esse dia, se tornaram um lema para mim.
Todos temos sonhos. Mais comezinhos ou mais grandiosos. Uns mais viáveis do que outros. Alguns ao alcance das nossas mãos, outros que necessitam de muito caminho para lá chegar. Mas quantas vezes colocamos os nossos sonhos na prateleira, sem nos darmos ao trabalho de lutar por eles! Guardamo-los no coração, gostamos de pensar neles de vez em quando. Aquecem-nos nas noites de insónia. São como estrelas no nosso espírito, cujo brilho nos deslumbra. Mas, por vezes, o rótulo "sonho" dá-lhe uma carga de inviabilidade, de destino inacessível. E acomodamo-nos. E ficamos à espera que a vida se encarregue de realizar os nossos sonhos. Eventualmente.
Sonhos realizáveis podem, devem, transformar-se em objectivos. Temos a obrigação, perante nós próprios, de lutar por eles, de os tornar presentes. Tirá-los da prateleira, olhá-los atentamente e delinear a estratégia para os conseguir realizar.
Cumprir os nossos sonhos é, de alguma maneira, cumprirmo-nos a nós próprios. Talharmos o nosso próprio caminho para a felicidade.
E, como dizia Paulo Coelho,"é justamente a possibilidade de realizar um sonho que torna a vida interessante".


Quais são os nossos sonhos realizáveis?

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Ti Henriques

Chamam-lhe Ti Henriques. Na realidade, chama-se Adelino Henriques. Tem 81 anos e roda, desde os 18, no Poço da Morte.
Para os mais jovens, estas palavras poderão já não ter muito significado. Mesmo nas Festas e Arraiais que se realizam por esse país fora estas velhas atracções já não aparecem. Há novas atracções, que puxam pela adrenalina que quem nelas embarca. Os jovens (e também os menos jovens) são levantados, puxados, atirados em grande velocidade pelo espaço, provocando emoções cada vez mais intensas. Há os velhos carrinhos de choque, claro. Mas quem se lembra já do Poço da Morte?


Quando eu era miúda, a ida à Feira Popular, em família, era quase um ritual anual. Acontecia geralmente no Verão, e era uma alegria. Voávamos nos aviões, embarcávamos no Comboio Fantasma, chorávamos a rir com as nossas imagens deformadas nos espelhos que nos engordavam ou alongavam. Enchiamo-nos de sardinhas assadas e lambuzávamos as mãos com as farturas. E, claro, pasmávamos com a coragem dos homens que se lançavam no Poço da Morte, agarrados a uma mota que girava ao que nos parecia uma velocidade louca.
Depois, cresci. Durante algum tempo não fui à Feira Popular e, entretanto, as coisas já não pareciam tão engraçadas. E A Feira Popular fechou. Os terrenos ficaram ao abandono, à espera dos projectos imobiliários. E eu sentia uma tremenda nostalgia quando passava em Entrecampos.
Agora, o Circo Chen tomou conta daquele espaço e criou o Luna Park Chen. E ressuscitou o velho Poço da Morte. E quem melhor do que o velho Ti Henriques para guiar a mota que gira enlouquecida lá dentro? Com placa dentária e parafusos nos joelhos, com problemas de ácido úrico, ainda é ele quem toma conta do espaço e, seguramente, nos faz regressar, com a mesma velocidade, às tardes bem passadas da nossa infância. Afirma que enquanto houver Poço da Morte ele por lá andará. É um exemplo admirável de alguém que se recusa a parar.
Até dia 9 de Janeiro de 2011, o Ti Henriques estará no Luna Park Chen, nos terrenos da antiga Feira Popular. Eu não vou perder.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Quando eu for grande...

Muitos dias, quando venho da escola, gosto de fazer um desvio do caminho habitual e parar aqui, no pontão, à beira-rio. Sento-me com as pernas penduradas no vazio, a olhar para a imensidão do rio, que se confunde com a imensidão do céu. Gosto de baloiçar as pernas, para a frente e para trás, como se embalasse os meus pensamentos, enquanto sigo o voo das gaivotas. Às vezes, penso em qualquer coisa que se passou na escola, nesse dia. Ontem, por exemplo, só conseguia pensar na professora de Matemática que insistia para que eu resolvesse um problema que estava no quadro. Mas eu não conseguia, quando vou ao quadro fico nervoso e parece que as letras e os números se misturam numa dança sem sentido. E a professora insistia: "Então? Este problema é tão fácil! Os teus colegas já resolveram!" E os meus colegas riam-se, E o parvo do João, que às vezes até parece meu amigo, dizia baixinho: "Ele é burro!" Mas eu ouvia-o e só pensava no olhar triste da minha mãe quando eu levava más notas para casa. Também via o olhar do meu pai, mas esse não era triste, era mais maldoso, especialmente quando pegava no cinto para me bater. Quando eu for grande, hei-de ter muitos filhos, mas não lhes vou bater com o cinto, vou jogar à bola com eles e andar de bicicleta, como faz o pai do João. 
É o que eu mais gosto de fazer, aqui sentado de pernas penduradas, a olhar o céu e o rio e as gaivotas: sonhar com o que vou fazer quando for grande!
Se calhar, vou ser marinheiro, sair num barco, a puxar as cordas e a ouvir os gritos dos pássaros. Ou talvez bombeiro, gostava de apagar fogos, transportar pessoas para o hospital. Então, havia de ver o olhar orgulhoso da minha mãe, a compor-me a farda, a gabar-se ao pé das vizinhas "Porque quando a sirene tocou, ele foi o primeiro..."
Quando eu for grande, hei-de vir buscar a minha mãe, levá-la ao cabeleireiro, ao cinema. Vou ser mesmo grande, maior do que o meu pai, e ele vai perceber que não pode beber e gastar o dinheiro que a mãe põe de lado, e ainda bater-lhe quando ela protesta.
Quando eu for grande, vou sair daqui num carro de bombeiros, ou talvez num barco, rio abaixo, deixando atrás de mim um rasto de espuma branca.
Mas sei que, de vez em quando, vou voltar aqui ao pontão, sentar-me com as pernas penduradas, mesmo que elas sejam grandes e quase cheguem à água, e sonhar, sonhar sempre. Porque os meus sonhos vão apontar-me o caminho, mesmo quando eu já for grande.


quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

A new dawn

Como agradecer a todos os que por aqui apareceram, sentiram saudades minhas, enviaram mensagens a incentivar-me a voltar?
Só me lembro de uma maneira: regressando!
It's a new dawn, it's a new day, it's a new life.
Canta Nina Simone.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Bolas de Berlim




No meu post anterior, fizeram grande sucesso as bolas de Berlim! Nada que me tenha surpreendido, porque são verdadeiramente deliciosas, e marcam a banda sonora das nossas praias e, portanto, do nosso verão. No entanto, há pessoas que não sabem o que são bolas de Berlim. Pensando especialmente na Chica e na Lis, vou tentar explicar.
A bola de berlim ou sonho é um bolo tradicional semelhante à Berliner alemã. Ao contrário desta, normalmente recheada com doces vermelhos (morango, framboesa, etc.), é recheada com um doce amarelo chamado creme pasteleiro. O recheio é colocado através de um golpe lateral, sendo sempre visível.
As bolas de Berlim são fritas e polvilhadas com açúcar, antes de serem recheadas com o creme pasteleiro. As suas congéneres alemãs têm um diâmetro um pouco menor e são normalmente polvilhadas com açúcar mais fino.
Em Portugal, criou-se o hábito de vender bolas de Berlim nas praias, do norte ao sul, das praias mais famosas às mais esquecidas. Toda a gente aprecia uma bela bola de Berlim, depois do banho de mar, quando chega a hora de preguiçar na toalha. E os vendedores, que caminham quilómetros debaixo de sol para nos venderem estes pequenos prazeres, ainda nos presenteiam com os seus pregões, às vezes bem criativos e musicais.
Em homenagem à Chica e à Lis, apresento-vos um pregão cantado num português bem brasileiro!
Deliciem-se!


domingo, 19 de setembro de 2010

Acabaram as férias!

Após dois meses de ausência, e tal como prometi, aqui estou de novo a rabiscar algumas palavras e a partilhar com todos os que me lêem impressões e sensações que, por alguma razão, me tocaram.
Quero começar por agradecer a todos os que me foram continuando a visitar. Muitos deixaram, tanto nos comentários do blogue como no e-mail, mensagens carinhosas que me incentivaram a voltar. A todos agradeço do fundo do coração.  
Entretanto, o Verão passou. Foi um Verão marcado pela amizade: revi velhos amigos, fiz novos, fortaleci laços com os amigos de sempre. E, mais uma vez, concluí que a amizade é uma das pedras que nos sustém, nos nossos caminhos por vezes atribulados.
Mas, Verão é Verão. E quando acaba, e olho para trás, tenho de recordar com nostalgia algumas coisas que podem parecer frívolas e superficiais mas, ao fim e ao cabo, constroem as férias:
- A praia! Já não me lembro de um ano com uma água tão magnífica, mesmo no Algarve.
- As caipirinhas! Ai que bem sabem, numa esplanada, nas noites cálidas!
- As músicas do meu tempo! De repente, a música dos anos 70 / 80 / 90 invadiu as rádios, as discotecas e todas as beach-parties. Toda a gente da minha geração já sabia que aquela música era boa, mas agora o resto da população está também a descobrir!
- As bolinhas de Berlim! Fazem parte da praia. E sabem divinamente, quando saimos do banho, ainda frescos da água do mar. E termino esta invocação com elas porque sei que, durante o ano, quando me lembrar da praia, é o pregão dos vendedores de bolas de Berlim que me virá à memória, a recordar os dias de calor e lazer!


"Olhá bolinha de Berlim!"

sábado, 17 de julho de 2010

Amigos

Hoje, recebi uma demonstração de afecto num blogue que costumo seguir, o Só te peço 5 minutos. Fico sempre comovida, porque a blogosfera é um mundo de que se diz o melhor e o pior, mas eu, por sorte certamente, só tenho recebido o melhor. Para mim, tornou-se uma comunidade de pessoas que se ouvem, se respeitam e se estimam, como disse nesse blogue. São importantes para mim.
Infelizmente, não tenho podido dedicar a essas pessoas e ao blogue o tempo que merecem. O trabalho acumulou-se, neste final do ano lectivo. Juntou-se-lhe o cansaço e a inércia. E o blogue foi ficando para trás. Não esquecido, mas suspenso. 
Prometo voltar, depois das férias, com o corpo renovado e a mente limpa. Até lá, obrigada a todos os amigos que me acompanharam. Se precisarem de alguma coisa, eu continuo por aqui, é só enviarem-me uma mensagem. And I'll be here, you've got a friend.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Festival de Papagaios


Durante o último fim de semana, voaram nos céus da Praia dos Moinhos, em Alcochete, centenas de Papagaios.  Vieram dos quatro cantos do mundo, da Itália à Suécia, da China à Malásia, para colorir o céu, fazer acrobacias e voos sincronizados, animar os espectáculos musicais.


Foi o 9.º Festival Internacional de Papagaios. Como é costume, foi um espectáculo de cor e perícia. Quem não esteve em Alcochete este fim de semana, não sabe o que perdeu! Eu prometo que, da próxima vez, aviso com antecedência.
Deixo aqui apenas algumas imagens, para abrir o apetite!


(Fotografias de FAires)

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Em memória dos Slows

Finalmente, aderi ao Facebook. Depois de muita resistência, e de muitos meses a recusar os convites, lá cedi. Na verdade, fui levada por um colega que estava a organizar um encontro de antigos alunos do meu liceu e até tem sido divertido reencontrar gente que já não via há tanto tempo.
Para quem gosta de escrever, como eu, o Facebook não se compara com um Blogue, que dá outra profundidade de análise e tem outro impacto. Mas é engraçado e muito interactivo. Uma das coisas que descobri foram os Grupos. Há grupos para tudo e mais alguma coisa. Um dos primeiros que descobri, chamava-se Em Memória dos Slows das Festas de Garagem, agora com um sucedâneo chamado Mania dos Slows. Os aderentes ao grupo vão colocando online músicas antigas, que nos levam até aos tempos, recuados, das chamadas festas de garagem. Recordo-me bem desses tempos da minha juventude. Havia sempre algum amigo que tinha uma garagem, ou um armazém, ou mesmo uma sala suficientemente espaçosa. Os amigos juntavam-se, tratavam da organização da sala, das luzes (convinha que fossem veladas!), cada um trazia os seus LPs, os velhos discos de vinil, faziam-se umas sandes, compravam-se umas bebidas. E dançava-se, dançava-se muito.
Também havia os Convívios dos Liceus, organizados pelas Associações de Estudantes para angariar dinheiro para as viagens de finalistas. Eram aos sábados à tarde, e a organização era basicamente a mesma de uma festa de garagem, só com mais gente e, eventualmente, uma bola de espelhos. O denominador comum a todas estas festas eram os slows. Músicas lentas, românticas, para dançar face na face. Em média, a cada hora de slows sucedia um quarto de hora de shakes, isto é, música mais mexida, para dançar sozinho.
Esquecia-me de avisar: este post dirige-se a todos os meus leitores que tenham cerca de cinquenta anos. Os outros, peço que me desculpem, nem percebem de que é que eu estou a falar!

Para recordar essa época, trouxe um slow, claro. Aqui está Angie, provavelmente o slow mais passado e mais dançado nas festas dos anos 70. Ponham o som bem alto e bom fim de semana!


segunda-feira, 28 de junho de 2010

Uma cadela chamada Vida

O meu penúltimo post era mesmo triste, amargo, desiludido. Gosto muito de animais e não consigo aceitar os maus tratos que alguns parecem achar naturais. São animais, pois são, isto é, são seres vivos que nos merecem respeito. Felizmente, há sempre outras histórias que nos aquecem o coração. Esta, foi-me enviada pela Sueli do Fenixando. A história é contada por uma das pessoas que organizava uma pequena Feira para adopção de cachorros abandonados, em Teresópolis. Foi também essa pessoa que tirou as fotografias.
O que aqui está é, no entanto, mais do que uma história; é uma lição de vida, de carinho e de cuidado com o outro. Mais uma vez, os animais dão-nos lições. Quando começamos a aprendê-las?
Deixo-vos com a história da cadela Vida, tal como ela me chegou. Perceberão facilmente porque lhe deram esse nome!


                                     

Ao chegarmos na Feirinha para organizarmos a Feira de Adoção, encontramos 12 filhotes abandonados: 8 com aproximadamente 40 dias, amontoados dentro de uma caixa e, pasmem, 4 com horas de nascidos.



                                  
Ficamos desnorteados, sem saber o que fazer.
   
Por termos ficado dois finais de semana sem realizarmos feiras por causa do mau tempo, estamos cheios de filhotes em hospedagens e bebês tão pequenos precisam mamar de duas em duas horas, inclusive à noite.
Foi quando, em dado momento, apareceu uma cadela de rua, CASTRADA e se aproximou dos bebes recem nascidos. Deitou perto da caixinha  e começou a tomar conta deles.


Não deixava mais ninguém se aproximar.


Com cuidado, colocamos os bebês perto dela
que começou a acariciá-los e tentar oferecer-lhes o seu leite, ainda inexistente.

Este é o verdadeiro sentido da maternidade.


Passadas algumas horas, com o leite aos poucos chegando, a mamãe já estava inteiramente integrada com seus novos filhos, os quais cuida como se os tivesse gerado.

   
Nós a batizamos de Vida.
Fica, então, a pergunta: Por que nem todos os humanos agem desta forma???



Boa Pergunta!

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Longe de Lisboa

Lisboa é mesmo assim, ama-se com paixão, mesmo em língua castelhana.
Vale a pena ligar o som bem alto, e deixar-se conduzir com Pasión Vega pelas ruas e praças, subir ao castelo, olhar o rio... Sempre com a luz de Lisboa a inebriar-nos os sentidos.




(Peço desculpa, tinha-me enganado no video. Este é que vem com as imagens da cidade mais bonita do mundo)

terça-feira, 22 de junho de 2010

O que se passa com os cães que são encontrados no Santuário de Fátima?


O ESCÂNDALO DO SANTUÁRIO DE FÁTIMA EM RELAÇÃO AO ABATE DE ANIMAIS É CONHECIDO DE MUITOS, MAS NINGUÉM AINDA CONSEGUIU PARAR ESTA CRUELDADE.

"As ordens partem da Reitoria do Santuário, para que todos os cães que aparecem por Fátima, quer sejam adultos ou cachorros, quer tenham donos ou não, são capturados pelos seguranças e colocados na caixa que apresentamos em foto.
Esta caixa está mesmo nas traseiras do santuário, no local das oficinas. Ali ficam os cães durante algumas semanas, ao frio e à chuva de Inverno, à chapa do sol, no Verão. Sem direito a comida ou água, num espaço mínimo onde a maioria nem se consegue colocar de pé…
Existem alguns seguranças que não levam os cães capturados para este local, conseguem levar alguns para casa e adoptam-nos ou arranjam donos entre os seus vizinhos ou colegas de trabalho. Boa gente esta que sofre em ver os animais assim tratados, mas que se sente impotente com a ameaça de perderem os seus empregos.
Mas existem também dois seguranças, que violentam cruelmente os cães, com foices de podar oliveiras, dando com elas nas pernas dos cães que ficam em carne viva, a sangrar e com grandes cortes extremamente dolorosos e muitas vezes as pernas partidas. Esses cães são posteriormente levados, para esta caixa, permanecendo até que a carrinha da Câmara de Ourem tenha tempo para os vir buscar. Lá, são colocados, já muito debilitados, para abate, e são-no todos num prazo de poucos dias.
Quem nos informou, disse-nos também, que os cães que lá estão, vivem os poucos dias que lhes resta em condições extremamente miseráveis.
A Câmara Municipal de Ourém tem prometida (há demasiado tempo) a construção de um canil para recolher animais abandonados e o não abate de animais, mas como não existe interesse da Câmara nem pressão suficiente pela parte de quem abomina esta situação, para a construção do dito canil de protecção de animais perto de Fátima, vai adiando e esquecendo esta promessa e vai gastando a verba que já tinha disponível para esta construção em outras obras que lhes dão mais votos aquando das autárquicas.
A FAA soube também que existe um engenheiro que reporta directamente à reitoria do santuário, que deixa veneno (de acção ultra rápida) para matar alguns cães mais difíceis de apanhar...
Não conseguimos ter acesso ao seu nome, mas sabemos que existe apenas um engenheiro com funções ligadas à área verde que circunda o santuário.Mais grave a situação se torna de algum tempo para cá, que os cães depois de serem colocados na caixa, desaparecem antes que a carrinha da Câmara os venha buscar, ou tenha conhecimento que eles lá estão. Pensamos que são abatidos por alguns trabalhadores do santuário, porque os cães ladram á noite e podem incomodar os turistas, ou podem levantar suspeitas de maus tratos contra os animais perpetrados num local “sagrado”.Não sabemos quantos animais foram mortos com a chegada do 13 de Maio e com a vinda do actual representante da Igreja Católica a Fátima, mas acreditamos que quem lá for, não vê nenhum cão, porque as ruas foram limpas, tal como é sempre feito com uma regularidade impressionante.
Esta é uma situação abominável, pela parte de quem se diz representante de Deus, não é compreensível tamanha crueldade num espaço que querem fazer sagrado e que eles próprios profanam e o sujam de morte e sangue. Deixamos aqui o contacto do Santuário, para quem quiser mostrar a sua indignação perante esta monstruosa atitude."

Peçam para encaminhar a vossa chamada para a reitoria:
249 539 600
Deixamos também os contactos de email: 
http://www.santuario-fatima.pt/portal/index.php?id=2891

Encontrei este texto num blogue que sigo e prezo bastante, o Só te peço 5 minutos. Ainda por cima, cita a fonte, pelo que qualquer pessoa a poderá confirmar. E divulgo esta notícia na esperança de que se venha a descobrir que não é verdadeira. Porque me custa a acreditar que tal atitude, bárbara e insensível, seja mesmo verdadeira. Já não se admite vinda de uma pessoa comum, mas de uma instituição pertencente à Igreja Católica, ainda me parece mais inacreditável. Não era S. Francisco de Assis que tratava os animais como irmãos? Espero que se venha a descobrir que não é verdade! Ou então que a Igreja se encha de tamanha vergonha que ponha cobro a esta situação, o mais rapidamente possível! Porque o espírito cristão não é só para pregar do púlpito!

domingo, 20 de junho de 2010

Modesta homenagem a Saramago

Era um homem de convicções fortes e gostava de polémicas. Podiamos não estar de acordo com ele, podiamos achar que, por vezes, raiava os limites da inconveniência. Podiamos entrar no jogo e perder tempo a discutir pormenores das suas opiniões, sobre a Bíblia, ou a união de Portugal com Espanha, ou qualquer outro assunto. Ou podiamos simplesmente abrir um livro e deixarmo-nos conduzir pela sua escrita, original e inebriante. Eu sempre optei pela segunda opção. Amei a escrita de Saramago desde as suas primeiras obras, que conheci durante os anos 80: "Levantado do Chão", "O ano da morte de Ricardo Reis", "A história do Cerco de Lisboa", "As intermitências da morte", são livros que guardo no coração, e que gosto ainda de reler. Há quem goste e refira outros, mais conhecidos. Há quem fale bem ou mal, sem nunca lhe ter lido uma linha. 

"Quer que chame um táxi para a levar ao hotel, e a mulher respondeu, Não, ficarei contigo, e ofereceu-lhe a boca. Entraram no quarto, despiram-se e o que estava escrito que aconteceria, aconteceu enfim, e outra vez, e outra ainda. Ele adormeceu, ela não. Então ela, a morte, levantou-se, abriu a bolsa que tinha deixado na sala e retirou a carta cor de violeta. Olhou em redor como se estivesse à procura de um lugar onde a pudesse deixar, sobre o piano, matida entre as cordas do violoncelo, ou então no próprio quarto, debaixo da almofada em que a cabeça do homem descansava. Não o fez. Saiu para a cozinha, acendeu um fósforo, um fósforo humilde, ela que poderia desfazer o fósforo com o olhar, reduzi-lo a uma impalpável poeira, ela que poderia pegar-lhe fogo só com o contacto dos dedos, e era um simples fósforo, o fósforo comum, o fósforo de todos os dias, que fazia arder a carta da morte, essa que só a morte podia destruir. Não ficaram cinzas. A morte voltou para a cama, abraçou-se ao homem e, sem compreender o que lhe estava a suceder, ela que nunca dormia. sentiu que o sono lhe fazia descair suavemente as pálpebras. No dia seguinte ninguém morreu.
                         (José Saramago, As Intermitências da Morte)

Na sexta-feira, José Saramago morreu. Hoje, foi cremado, no meio das homenagens nacionais. Não perco tempo com questiúnculas menores, como por exemplo, quem deveria ou não estar presente no seu funeral. O que me interessa, é o que dele fica: uma obra ímpar, que nos orgulha a todos.
José Saramago era ateu, não acreditava no Céu ou no Inferno. Por isso, desejo apenas que as suas cinzas descansem em paz.




sexta-feira, 18 de junho de 2010

Sabe o que é sexo ocasional?




Ora aqui um está um video bem engraçado, que nos faz também reflectir sobre as figuras tristes que fazemos quando fingimos que percebemos de um assunto e afinal... não!

Esta situação fez-me recordar uma história, também engraçada, que se passou numa turma minha há alguns anos. Era uma turma considerada difícil, composta por alunos mais velhos e em risco de abandono escolar. Eu leccionava uma disciplina chamada Cidadania e Mundo Actual e, no âmbito do tema da Saúde e Sexualidade, combinei com uma enfermeira do Centro de Saúde vir à aula falar aos alunos sobre Sexualidade e Doenças Sexualmente Transmissíveis. Como profissional que era, a enfermeira começou a aula definindo alguns conceitos que os alunos podiam desconhecer, como heterossexual.
Um grupinho de alunos chegou atrasado à aula, entre os quais o S. que se considerava um grande machão e conquistador. Por piada, um colega atirou-lhe a pergunta: "S., tu és heterossexual?" ao que ele respondeu aflito, a levantar as mãos ao céu: "Eu não, graças a Deus!" Foi gargalhada geral na aula e até o S. esboçou um sorriso amarelo, quando lhe explicaram o significado da palavra que tão mal o fizera reagir.
Assim acontece quando falamos do que não sabemos!







Esta é uma entrevista fictícia que foi realizada por humoristas angolanos. Um tipo de "Gato Fedorento" de Angola.
A série chama-se "Fora de Série"
O entrevistador pergunta aos cidadãos o que é sexo ocasional!
Respostas surpreendentes!

Bom fim de semana e divirtam-se!

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Passagens


 Faça um post com o Tema preferido do seu Blog. Se é poesia, pintura, literaratura, fotografia... dê o seu melhor. Faça aquele post especial que sempre quis fazer. Um post para a Bloggincana.


Este foi o mote para a tarefa da BlogGincana deste mês. Em vez de fazer um post, resolvi fazer uma republicação de um post antigo, que me parece espelhar bem o que é o meu Blog: um espaço onde faço livremente as minhas reflexões sobre o mundo à minha volta; um espaço onde escrevo com o coração.

PONTES

Gosto de pontes!
Altas e arrojadas, ou baixas, sólidas e fiáveis, são sempre momentos de mudança, pontos de passagem para outras margens...
Às vezes, limitamo-nos a olhá-las de longe, sem nunca iniciarmos a travessia.
Às vezes, são miragens.
Às vezes, atravessamo-las e conquistamos a outra margem.


Hoje, Lisboa está envolta numa ligeira neblina e a Ponte Vasco da Gama parece dirigir-se para o infinito, ou para lugar nenhum.
E os homens que apanham berbigão na imensa planura lamacenta que o estuário deixa a descoberto na maré baixa, parecem náufragos que regressam a terra firme.
Só as gaivotas parecem saber para onde vão.