sexta-feira, 5 de junho de 2009

Uma Viagem ao Mundo dos Poemas

De vez em quando, tenho de ir ao sótão seleccionar e arrumar todas as coisas que lá vamos acumulando, brinquedos, livros escolares, papéis diversos, e outras milhentas coisas que por lá ficam, à espera que alguém vá algum dia olhar para elas e descobrir-lhes novamente uma utilidade. Estava a arrumar uma pequena estante que lá tenho, atafulhada de revistas e jogos dos miúdos, quando encontrei um pequeno livro chamado “Uma Viagem ao Mundo dos Poemas”. Foi organizado e editado, com o apoio da Câmara Municipal, por uma professora de História e Língua Portuguesa da minha escola; nesse pequeno livro juntam-se os poemas feitos por uma turma de 6.º ano, num ano lectivo já bem passado!

Alguns poemas são deliciosos e não resisto a transcrevê-los. A Fabiana que, segundo conta o livrinho, tinha 11 anos e gostava de acabar com a pobreza, a caça e, se pudesse, não deixava que queimassem e cortassem árvores, escrevia:

Raio de sol

 Ilumina o mundo

Raio de sol

 Ilumina a terra

Raio de sol

 Ilumina o meu coração

Assim, poderei ver o dia

 Até na escuridão.

 

O Tiago também tinha 11 anos e afirmava que, se governasse, a primeira coisa que fazia era proteger as crianças e acabar com a guerra. No seu poema, falava da paz:

 

Havia paz em todo o mundo

Se houvesse paz

No teu coração

No meu coração

E no coração de cada homem

Que governa o mundo.

Paz é união

É ter um coração universal

A palpitar em cada homem.

 

Deliciei-me a ler os poemas e fiquei a pensar que hoje em dia, com tantas grelhas, planificações e relatórios, talvez não haja já disponibilidade para editar livros de poemas dos alunos. A minha colega Maria do Carmo Lavrado cansou-se e já está reformada. Mas aquilo que ela escreveu na introdução a este livro, em Fevereiro de 2000, continua actual e a fazer-nos reflectir:

“(Este livro) aí está a atestar o tesouro escondido que existe no coração de cada criança. É este tesouro que cada educador, cada adulto responsável, tem o dever sagrado de não deixar perder-se no turbilhão e na desilusão da vida concreta, feita de egoísmo, de ambição desmedida, de falta de amor e de solidariedade, que se tornou apanágio da nossa sociedade. Deixar perder este tesouro, é cavar o fosso onde se podem sepultar as gerações vindouras, porque um mundo onde falta a paz, a solidariedade, a liberdade, o amor… é um mundo desumano e onde não há humanidade, o homem não tem lugar.”

2 comentários:

  1. Teresa.......se me lembro e como me lembro!! Não sei se te lembras, mas aquele projecto, partiu de um gesto colectivo de apoio da turma, ao povo timorense. Depois, alguns alunos lembraram-se de fazer "a ponte" para a sua própria terra, Alcochete. E foi assim... lançado na presença do SR. DREL, q nos visitou e com ele trouxe a sua própria exposição de fotos, sobre Timor, o Eng. Revez.
    Lembro-me das palavras da Maria do Carmo, na noite em q foi homenageada (na noite da entrega dos prémios de valor e excelência...), dizer:
    Colegas, eu apenas molhei os pés neste novo modelo de educação e não gostei do que senti; Vocês, vão mergulhar o corpo todo, desejo-vos Boa Sorte!
    E eis um anfiteatro, cheio, em pé, aplaudindo, com a lágrima ao canto do olho.
    Tempos q não voltam. Bj. Ana

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  2. Olá Ana
    Como tinha razão a nossa Maria do Carmo, não era?
    Bjs

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