sábado, 20 de junho de 2009

O Mundo da Lusofonia


Sempre achei que valia a pena investir na aprendizagem da língua portuguesa. Eu sei que é uma língua difícil, porque é de origem latina, cheia de particularismos e complicações gramaticais. Também sei que para nós, é pouco usual valorizar o que é nosso, é muito mais português valorizar a galinha da vizinha, que parece mais gorda, mas nem sempre o é.
No entanto, sempre pensei que era pouco inteligente menosprezar uma língua que é falada por tantos milhões de pessoas pelo mundo fora. Porque o idioma português não é património exclusivo deste pequeno rectângulo à beira do oceano Atlântico. Na verdade, nós levámo-lo connosco na nossa expansão e hoje é património comum de um conjunto de nações que se distribui pela Europa, África, Ásia e América do Sul. Isto significa que é o idioma, não só deste jardinzinho à beira-mar, mas também de grandes economias emergentes como o Brasil e Angola.
Por qualquer razão difícil de entender, os nossos governantes acharam que o investimento no TGV nos aproximava mais do resto do mundo do que o investimento no Instituto Camões. Não estou tão certa: a língua é o veículo de comunicação e conhecimento por excelência. E nem vou aqui falar da importância da literatura lusófona, com a sua plasticidade, as suas ricas variedades, a sua grandeza.
Felizmente, o resto do mundo andava com mais atenção. Neste ano lectivo que está a terminar, cinco universidades chinesas tinham cursos de Língua e Cultura Portuguesa. Em alguns países europeus, existe o curso de Estudos Portugueses. E acabei de saber que há dezoito mil estudantes espanhóis a estudar a língua portuguesa no ensino secundário. Na Estremadura espanhola, inclusivamente, está a considerar-se a hipótese de tornar o português uma língua de aprendizagem obrigatória. Não se trata de preservar a língua junto das comunidades emigrantes, mas sim de a entender como uma mais-valia para quem trabalhar nas áreas do turismo, saúde, comércio, relações internacionais.
Eduardo Lourenço, um dos grandes pensadores da cultura, chamou à Língua Portuguesa “um continente imaterial disperso pelo mundo”, ao fazer o lançamento dos Segundos Jogos da Lusofonia, que irão decorrer em Lisboa, de 11 a 19 de Julho de 2009. Haverá participantes de 12 países lusófonos, do Brasil a Timor-Leste.
E viva a Lusofonia!

2 comentários:

  1. Olá, Teresa.

    Antes de proceder á resposta, gostaria de agradecer pelo seu comentário. E ainda bem que a minha escolha do Homem do Vitrúvio como meu avatar a agradou.
    Sim, não estou mesmo, como já deve ter percebido pelo que escrevi. Mas sabe que mais? Vou seguir o seu conselho, que é óbvio que é óptimo.
    Sim, as coisas simples fazem-nos felizes. Mas também já me aconteceram coisas complicadas ou já fiz que me deixaram feliz quando as terminei. É melhor ficar aqui, senão ficávamos o resto da noite aqui, que temos temas que dão panos para mangas.

    Abraço, Bionik J.

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  2. Viva, Teresa!

    E Fernando Pessoa, chamou-lhe a sua pátria.

    Pena é que haja por aí tantos apátridas...

    Abraço

    Ruben

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