terça-feira, 2 de junho de 2009

Ainda o Buçaco


O Palace Hotel fica no Buçaco, mas o Buçaco não é só o Palace Hotel. E eu não era eu se não andasse por todo o lado, a procurar tudo o que pudesse ser interessante.

Para começar, a Mata do Buçaco. Área protegida, foi mandada plantar pelos frades da Ordem dos Carmelitas Descalços, que aí construíram um convento no início do século XVII, o Convento de Santa Cruz, de que hoje pouco resta. A Mata vale bem um passeio, com tempo para apreciar os recantos, a vegetação densa, com destaque para os imponentes cedros: alguns desses cedros datam do século XVII e estendem-se para o céu como colunas formidáveis. Por toda a zona envolvente do hotel, encontram-se também ermidas e pequenas capelas, assim como uma interessante Via Sacra. Infelizmente, todas apresentam o mesmo ar de abandono, sujas, sem iluminação, com as imagens partidas. Os percursos pedestres também não estão bem sinalizados, levando a enganos frequentes. Há dois miradouros que vale a pena procurar, o das Portas de Coimbra, bem perto do Hotel, e o da Cruz Alta, um pouco mais longe mas a merecer a caminhada. Quando o tempo está claro, consegue ver-se até ao mar, até à Figueira da Foz. No entanto, convém levar água, pelo menos, pois só existe um quiosque na Cruz Alta e está fechado. Muito imponente e bem localizado, com um panorama fantástico, o Monumento à Batalha do Buçaco só é visitado por acaso, por quem for a passar e der por ele. Não há indicações prévias, nem qualquer explicação. A única coisa que encontrei junto ao monumento foi um saco de uma Churrasqueira, com os restos de um qualquer piquenique. Começamos a aperceber-nos da falta que aqui faz um Centro de Interpretação e, de regresso ao hotel, não resisto a conversar com o solícito funcionário da Recepção sobre este assunto. Ele explica-me que o edifício está alugado pela organização hoteleira, mas que a zona envolvente não é da sua jurisdição. Acrescenta ainda que foi criada uma fundação para preservação de toda a zona do Buçaco, com um projecto muito interessante, que englobava a recuperação das capelas e dos circuitos pedestres e a criação do Centro de Interpretação, entre outras coisas. A Fundação apresentou o projecto à União Europeia e foi aprovado o financiamento, mas entretanto, após guerras intestinas entre os diversos ministérios e organismos envolvidos, o prazo para utilização desses dinheiros expirou. Portanto, a incompetência e a inércia falaram mais alto. Sem comentários!


Uma surpresa agradável é o Museu do Moinho, incluído no Circuito dos Moinhos. Situado já no concelho vizinho de Penacova, o caminho até lá ladeia a Serra do Buçaco e é de uma grande beleza. Passamos por encostas atapetadas de fetos e grandes bosques de pinheiros e ciprestes. O Museu está localizado no alto da Portela de Oliveira, tem um acervo interessante e está muito bem cuidado. Ao lado, há um café com uma esplanada sobre a serra que, só por si, merece a viagem.

Voltamos para casa com beleza nos olhos e uma regueifa dentro do porta-bagagens, porque os sabores também constroem as recordações.

(Hoje, propositadamente, utilizei a grafia moderna; dantes, Buçaco escrevia-se Bussaco)

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