quarta-feira, 5 de maio de 2010

O deve e o haver

Geralmente, não falo aqui da minha vida profissional, mas hoje apetece-me abrir uma excepção.
Reflectindo, o que fiz do meu dia? Dei algumas aulas. Tive reuniões. O usual.
Durante as aulas, trabalhei com alunos do 8.º ano. A matéria: a Revolução Francesa. Alguns miúdos estavam mais interessados, outros menos, como de costume. Mas, entre mapas e documentos da época, entre cronologias e sopas de letras, lá fomos avançando. No fim da aula, Robespierre ou Napoleão tinham deixado de ser nomes vazios de sentido. Pelo meio, ainda nos rimos todos do meu aluno que descobriu, muito excitado, que o mapa tinha um erro: "Stôra! Escreveram mal Rússia, escreveram com um P!" Afinal, só tinha descoberto a Prússia! Os miúdos empolgaram-se com a tomada da Bastilha e impressionaram-se com o rei na guilhotina, enquanto discutiam relações entre causas e consequências. No final da aula, tinham compreendido um pouco melhor o que é uma Constituição, uma República, um sufrágio. A História é assim. Traz consigo a Educação para a Cidadania, tal como os exércitos napoleónicos levavam atrás de si os ideais da Igualdade, Liberdade e Fraternidade. E quem vai minguando a carga horária da disciplina de História no currículo dos alunos, e depois se admira de eles não terem conhecimentos básicos em questões de cidadania, ou é muito hipócrita ou não entende nada de nada.
Hoje, também tive reuniões. Ao todo, seis horas de reuniões. Horas infindas a analisar requerimentos e relatórios, a discutir questões burocráticas. A tentar remediar problemas de assiduidade e de disciplina. A verificar matrizes e gráficos de avaliação. A tentar adaptar, com algum bom senso, leis sem sentido e sem ligação à realidade concreta do dia-a-dia na escola.
Foi isto o meu dia. Três horas de aulas. Seis horas de reuniões. No deve e haver do meu dia, ficou a ganhar a burocracia. Ou talvez deva dizer a burrocracia. Eu, que até me considero uma pessoa organizada, tenho alergia ao excesso de papel, planos e relatórios, balanços e apreciações, em que afogamos os nossos dias.
No deve e haver do meu dia, em que lugar ficaram as coisas verdadeiramente importantes?

(A tomada da Bastilha)

41 comentários:

  1. TERESA

    A Zamira foi professora de Físico-Químicas toda a vida (quase).
    Esteve na Filipa de Vilhena, no Carolina (pós dia da liberdade).
    Foi presidente de uma comissão instaladora de uma escola ( do Cerco!) a seguir. Esteve anos na Fontes Pereira de Melo (havia de tudo, como é vulgar. Educação e insolência. Interesse e marimbas).
    Foi nomeada Vice-Directora da DREN. Foi a Bruxelas e não foi a outros lados porque os 3 filhos precisavam dela em casa.
    Teve reuniões com Ministros que sabiam da pasta. Como o Dr. Roberto Carneiro.
    Quando este PM venceu, retornou à Fontes. Então, já aquilo de purgatório se tinha transformado no INFERNO.
    AGUENTOU !
    As burrocracias acabavam de se instalar.
    Eu sei do que fala.
    FRUSTAÇÃO.

    Um beijo grande.

    ResponderEliminar
  2. João
    Às vezes, precisamos de desabafar. Obrigada pela compreensão.
    Como é que as escolas se transformaram neste inferno para os professores?
    Um beijinho para si e um especial para a Zamira.

    ResponderEliminar
  3. Querida amiga,

    "no deve e haver do teu dia", de todos os teus dias e de milhares de colegas nossas, o que ganhou foi a burocracia. Passaste mais horas em torno dos papéis do que com os alunos que deveriam estar em primeiro lugar.
    Todos ficamos a perder com este forma de ensinar: alunos e professores.

    Que pena vivermos num país de políticos inaptos, inscientes que não valorizam a educação, nem o importantíssimo papel do professor que o professor desempenha na sala de aula, junto dos seus alunos na descoberta dos valores de cidadania, liberdade, respeito por si e pelos outros.

    Onde iremos parar? Que futuro está reservado às próximas gerações? Não sei. Até a nossa já está comprometida...

    :((

    ResponderEliminar
  4. Querida Teresa, eu diria que tiveste hoje seis horas de "quantidade" e três horas de "qualidade". Se pensares bem, quase tudo na vida é assim mesmo, não é? Mas concordo com o que João disse: não deixa de ser frustrante! Mas, por outro lado, para tentar melhorar um pouco a conclusão, considero que uma hora de qualidade vale por duas de quantidade, então, está empatado, pois não é? ...rs. Um abração!

    ResponderEliminar
  5. Querida Natália
    Tu entendes bem o que eu digo. O nosso sistema de ensino actual é frustante para os professores e não prepara convenientemente os alunos. Há que parar para pensar e ouvir quem está no terreno.
    Bjs

    ResponderEliminar
  6. Querida Sueli
    Acho que tens razão. Temos de ter pensamento positivo, não é verdade?
    Bjs

    ResponderEliminar
  7. Não sou professora, mas os meus filhos são alunos e sentem na pele essa frustração. Não há tempo para eles, para dúvidas e para conversas de recreio, como no meu tempo, em que ás vezes se aprendia mais durante um intervalo numa conversa descontraída. Não há tempo! Não há relações, não há empatias. É pena! Todos ficam a perder com isso. Talvez quem faz as leis devesse regressar à escola, nem que fosse por apenas um dia.

    Beijinhos :)

    ResponderEliminar
  8. Helga
    Obrigada pela compreensão. Precisamos dos pais ao nosso lado, e não contra nós, nesta batalha pela requalificação da escola em Portugal.
    Bjs

    ResponderEliminar
  9. Esse desabafo pra ti faz bem e para os leitores, serve de reflexão! A coisa anda virada mesmo,,,beijos, lindo dia!chica

    ResponderEliminar
  10. Chica
    Sim, temos todos de reflectir.
    Bjs

    ResponderEliminar
  11. Olá, Teresa
    Enquanto lia o teu post, sentia um fervilhar de emoções cá dentro, que não consigo explicar. Das duas uma: ou o meu comentário, para ser fiel ao q sinto, é do tamanho do teu post (no mínimo), ou então, porto-me bem, controlo as minhas emoções e digo assim:
    "que coisa, não é?, Logo tu que detestas papéis!!"
    Acho q fico pela última!!
    Bj

    ResponderEliminar
  12. Não tenho dúvidas:no deve e haver do seu dia as coisas verdadeiramente importantes estiveram nas três horas de aula.
    A História traz consigo a Educação para a Cidadania. Nada mais certo! No antigo primeiro ciclo liceal, os meus professores de Português e Matemática "socorriam-se" amiúde da História para que melhor entendêssemos o que nos explicavam das suas disciplinas. Excelentes mestres! Data desse já longínquo tempo, muito do que aprendi sobre o mundo. Incutiram-me o gosto pela História, afinal o gosto pelo saber!
    E hoje...!?
    Atam-se os professores a uma "burrocracia" (certeira a sua expressão)asfixiante. Creio mesmo que muitos dos professores perdem o gosto pelo ensino. Não levanto o dedo para os acusar.Mas também lhes digo não desistam!
    Quanto às famílias parece-me, que hoje, tão acorrentadas estão a um dia a dia vivido a uma velocidade alucinante e sem sentido, omitirem-se de pelo menos um dever, o de estabelecerem a corrente de empatia família, professor, aluno. Todos perdem. É lamentável que assim continuemos.
    Um abraço

    ResponderEliminar
  13. Teresa
    Quantos professores nas salas de aula perguntando :o que estou fazendo aqui? nao há mais como resgatar a magia que é ensinar e a magia de aprender . Li um artigo de Rubem Alves que ele falava dessa empatia com a professora/ ..." não sei se ela ainda vive - quem me ensinou que a ler . Ela lia para nós. Não era para aprender nada. Não havia provas sobre livros lidos. Era pura alegria. Poliana, Heidi, Viagem ao céu, O Saci. Ninguém faltava, ninguém piscava. A voz de D. Iva nos introduzia num mundo encantado. O tempo passava rápido demais. Era com tristeza que víamos a professora fechar o livro."
    Hoje perde -se tempo com reuniões programadas pra discutir o óbvio .E os alunos , esses sem noção de respeito desobedecem todas as leis que foram impostas a eles, muitas fruto das tais reunioes.Não há trocas .
    Enfim professor desencantado, aluno desmotivado.
    Gosto do assunto , convivi nesse "metier" rs
    Conheço um pouco esse universo rs
    Dá um certo alívio quando vemos professores como voce preocupadas em uma escola mais ativa e humana.
    A Pitty continua, e é um doce,mas tenho viagem programada , nao sei que fim dar a ela rsrs
    Beijinhos/desculpe alongar.

    ResponderEliminar
  14. Teresa, a guerra entre pais e professores, só agrava o estado do ensino. É inútil e não leva a lado nenhum, a não ser confundir a educação dos nossos filhos. Eles são a prioridade, ou pelo menos deveriam ser, enquanto cidadãos futuros e responsavéis pelo futuro de um país, que lhes vira cada vez mais as costas.

    Beijinho :)

    ResponderEliminar
  15. Ana
    Não me importo que faças um comentário do tamanho do post, gosto de ler o que escreves :)
    Pois, eu que gosto tanto de papéis, não é?
    Bjs

    ResponderEliminar
  16. Carlos
    Infelizmente, se estivesse hoje a estudar, não levaria consigo essas boas recordações. Nós temos uma carga horária insuficiente, porque o ME achou mais importante os alunos terem uma quantidade de horas inúteis, para "desenvolverem competências transversais". Não desenvolvem, porque não há disciplina e eles não querem saber. Alguém ainda um dia vai perceber que os alunos desenvolvem essas competências é no contexto das várias disciplinas. Aprende-se a estudar, estudando. E, enquanto andamos nestas parvoíces, hipotecamos o futuro dos miúdos que não têm pais com competências para compensar o que a escola deixou de proporcionar. E isso é o mais triste de tudo.
    Hoje, estou com vontade de desabafar :)
    Bjs

    ResponderEliminar
  17. Lis
    Eu sei que no Brasil estão com problemas idênticos aos nossos, porque foram inundados pelas mesmas teorias da educação, que tão mal andam fazendo a alunos e professores. É isso mesmo, professores desencantados, alunos desmotivados.
    (Se fores de férias, deixas a Pitty num gatil)
    Bjs

    ResponderEliminar
  18. Helga
    Tens toda a razão, temos de remar todos para o mesmo lado. É o futuro dos nossos miúdos que está em causa.
    Bjs

    ResponderEliminar
  19. No lugar que tu achares melhor...
    A escolha é tua!

    Abraço

    ResponderEliminar
  20. Eu sei do que fala, fui professora toda a minha vida activa, mais de metade da idade que tenho agora.
    Respondendo à sua pergunta: ficaram numa gaveta muito pequenina do seu "armário", porque este está cheio de coisas que pouco ou nenhum préstimo têm.
    Abracinho

    ResponderEliminar
  21. Eu sou suspeita, porque também sou professora! Tu sabes... tu já me ouviste a desabafar tanta revolta! O que mais gosto na escola é dar aulas e lamento que hoje se dê menos importância ao acto de ensinar. E o trabalho do professor não é só na sala de aula, há um antecedente de trabalho que fazemos fora da escola, em nossas casas. Abdicamos das nossas famílias, amigos, do nosso tempo pessoal para que no dia certo possamos ensinar os nossos alunos. Já nem falo das correcções de testes, que é tempo infinito...
    Sinceramente também estou farta desta "burrocracia" e só de pensar nos relatórios e afins que temos de entregar no final do ano lectivo...até fico agoniada!!!

    Olha...valeu o pouco tempo que tiveste com os teus alunos. Foi pouco, mas ao que parece bem produtivo.

    Beijinhos*

    ResponderEliminar
  22. Rosa dos Ventos
    Garanto que a escolha não é só minha!
    Bjs

    ResponderEliminar
  23. Maria Teresa
    Ora bolas, posso esvaziar o armário?
    Fazer uma espécie de limpeza de primavera?
    Bjs

    ResponderEliminar
  24. Fanny
    Pois é, aproxima-se o tempo da burrocracia máxima, do faz de conta, dos milagres de Santo António.
    Bjs

    ResponderEliminar
  25. Por favor, não me lembre a ‘burrocracia’, pois ela, ao longo da minha vida profissional, só tem despertado desânimo e tristeza... impressionante como empresas e pessoas não conseguem visualizar as mudanças necessárias para SIMPLIFICAR o trabalho, a vida da gente...
    Já pela aula e pelo resultado alcançado com seus pequenos: PARABÉNS! Sua profissão é nobre e merece todas as reverências!
    Jr.

    ResponderEliminar
  26. Teresa

    procurei-as
    às suas coisas verdadeiramente importantes!

    Chamei por elas, mas penso que apenas respondem à sua proprietária...

    ...talvez no olhar de um menino que hoje entendeu o que é uma Constituição ou uma República?

    desta sua amiga Republicana

    um beijo

    Manuela

    ResponderEliminar
  27. Penso muito em mim como aluna..., nunca fui aluna brilhante!
    Fui uma daquelas meninas bem educada e de cabeça no ar, com os olhos postos na janela e a cabeça na LUA!!!
    Os meus pais bem me espicaçavam para que eu fosse mais aplicada, que imitasse as minhas primas (todas no Quadro de Honra) e eu, lá ia alegre e contente conseguindo a nota mínima necessária para passar.
    Gostava do Liceu...e adorava os intervalos :)
    Aproveito este post para dizer, que houve professores que me marcaram e que nunca esquecerei.
    Muitas vezes precisei de apoio e alguns deles...
    Foram, presentes, cuidadosos, atentos, tiveram sentido de humor e impunham respeito.
    Eram justos, exigentes , compreensivos e tiveram o DOM de fazerem com que eu (e não só)não os quisesse decepcionar.
    Aos professores de agora, desejo-lhes que tenham muita paciência e que pensem que HÁ-DE existir neste momento alguma criança que os adora...e por isso vale a pena continuar.
    Beijinhos

    ResponderEliminar
  28. Eu gosto muito de História.
    Leio o que posso.
    Relaciono o que acho adequado e tenho um enorme prazer em ouvir relatos históricos.

    Por essa razão, aflige-me muito quando os miúdos apresentam como justificação para ODIAREM História a necessidade de «empinar tudo aquilo!»

    Quanto á tua repartição do tempo neste dia, desejo apenas que ela se inverta rapidamente.
    É tão natural e sente-se tão bem que o que te satisfaz é dar aulas.

    Bjs

    ResponderEliminar
  29. Teresa,
    Desculpa! Perdi-me no comentário anterior e além de o ter feito enorme não te disse tudo!!!
    Quanto à Ignorância...acho que todos sabemos que a culpa não é dos professores, para dar respostas daquelas a mim só me faz pensar que eram "ETÊS", acabados de aterrar em Portugal!!!
    Beijinhos

    ResponderEliminar
  30. Teresa

    É um desalento...
    Sentir os professores cansados, desmotivados e frustados no seu principal propósito.
    É um desalento...
    Sentir os alunos desinteressados, indisciplinados, ignorantes, inseguros e imaturos.
    É um desalento...
    Sentir os pais despreocupados, incompetentes, desligados e incoerentes.
    É um desalento...
    Sentir os governantes desorganizados, desorientados,confusos e inconsistentes.
    É na realidade, um desalento tudo isto. Mas ainda é uma alegria, saber que há quem lute por reverter tudo isto, rentabilizando do seu dia de trabalho, essas três horas de conhecimento e vida. Haverá por certo, alguém que um dia se recorde delas...

    Um beijinho Teresa, nunca desista!

    ResponderEliminar
  31. Junior
    Precisamos de simplificar a nossa vida, em todos os sectores. Estamos a ficar afogados em papéis.
    Bjs

    ResponderEliminar
  32. Manuela
    Apesar de tudo, tenho a presunção de considerar que o conhecimento faz crescer e que, nas aulas, consigo aumentar um bocadinho o conhecimento dos miúdos. É mais importante do os planos, as matrizes e os relatórios, todos juntos.
    Bjs

    ResponderEliminar
  33. Realmente, a situação é desesperadora, e não somente em Portugal.

    Aqui no Brasil a coisa anda tão crítica, com algumas diferenças até no ensino superior. Por aqui, duas palavras imperam nas práticas, e que até rimam: A burocracia e a hipocrisia dos governantes, e daqueles que participam efetivamente pela permanencia desse panorama triste.

    Shisuii

    ResponderEliminar
  34. Papoila
    Os miúdos hoje continuam a gostar da escola, e especialmente dos intervalos, como tu. É normal. O que não é normal é portarem-se nas aulas como se portam nos intervalos. E a exigência tem de aumentar. Ninguém beneficia com o facilitismo.
    (Não me importo que te alongues, isto é um espaço de conversa)
    Bjs

    ResponderEliminar
  35. JPD
    Achas que se nota que eu gosto de dar aulas? :)
    Bjs

    ResponderEliminar
  36. Maria João
    Eu sou uma só. Como eu, há muitos professores que continuam a lutar por um ensino com mais qualidade. Às vezes, contra tudo e contra todos. Mas a desmotivação é grande, isso é.
    Bjs

    ResponderEliminar
  37. Shisuii
    Por aquilo que me vou apercebendo, a situação é idêntica (isto é, pouco menos do que desastrosa) aqui em Portugal e aí no Brasil. Será que alguém pára para reflectir porquê?
    Bjs

    ResponderEliminar
  38. Eu tive dois professores de História: um, do então 3º.ano ao 5ª. E depois uma Senhora no 6ª e 7ª.
    Tive a sorte de ter encontrado dois excelentes professores que me ensinaram mais do que a História - ensinaram-me a gostar de História.
    talvez por isso, e por um feliz acaso esteja a deliciar-me, actualmente, com a leitura de "Juliano" de Gore Vidal, sobre uma época pouco conhecida: o séc IV DC e as complicações do vasto Império Romano; apaixonante!

    ResponderEliminar
  39. Pinguim
    Fico sempre contente por saber que podemos fazer alguma diferença.
    E essa é uma proposta de leitura aliciante.
    Bjs

    ResponderEliminar
  40. Teresa,

    Volto ao post para comunicar-lhe que o blog 'Contatos Imediaos' está oferecendo a este blog um selo especial. Se tive um tempo, vá buscar seu presente lá!

    Um abraço.
    Jr.

    ResponderEliminar
  41. E, no entanto, eles (os alunos, claro!) movem-se. E pensam. E distinguem bem os professores que se esforçam por fazer a diferença. Por isso, por muita burocracia que nos imponham(os burocratas, por supuesto!), nunca conseguirão tirar-nos isso. Nem o brilho daqueles olhos que (ainda) se entusiasmam com muita coisa boa.
    Um abraço.

    ResponderEliminar