terça-feira, 5 de maio de 2009

A Prisão


Já há algum tempo que não faço um post sobre as minhas leituras recentes e é altura de colmatar essa falha. Li há pouco este livro, “A Prisão”. É um livro surpreendente, de um autor que eu não conhecia, um colombiano chamado Jesús Zárate. Editou peças de teatro, contos, ensaios e apenas dois romances, um dos quais “A Prisão”. Recebeu o Prémio Planeta, postumamente.

A personagem principal deste livro é Antón Castán, que está detido há três anos por um crime que não cometeu. Resolve fazer uma espécie de diário da prisão, e é pela sua mão que conhecemos os seus companheiros de cela, com quem partilha algumas experiências e muitas dissertações sobre literatura, justiça ou liberdade. Entretanto, chega à prisão um novo director que, com a sua crueldade, faz desencadear um motim que dá a Antón a oportunidade de, enfim, cometer um crime. Na sequência do motim, Antón acaba por ser libertado e é nessa altura que se interroga sobre a verdadeira essência da liberdade e da prisão.

É uma obra muito agradável de ler e muito original, em que cada capítulo se inicia com uma citação, de autores tão díspares como Giovanni Papini ou Fedor Dostoievsky, Ernest Hemingway ou Paul Valéry, mas que vem sempre a propósito. É talvez uma metáfora sobre a liberdade, ou uma sátira sobre a justiça, ou talvez apenas um ensejo para nos interrogarmos sobre o que nos torna verdadeiramente livres.

3 comentários:

  1. Andei por aqui a cuscar. Já não é a primeira vez, mas só hoje é que tomei consciência que a menina é minha parceira de História e além do mais somos quase da mesma idade! :)
    Também só hoje tomei consciência que és praticamente uma noviça na blogosfera...
    Vai daí aqui te deixo o meu conselho de mais velhita nestas lides: Força Milhé! Força! Não desistas que a blogosfera é um espaço de partilha extraordinário.
    Prometo passar por aqui mais amiúde.
    Beijocas e fica bem. :)

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  2. Pois é, encontrei o teu blog precisamente quando procurava uns materiais para as aulas. Depois, gostei da tua atitude face à vida e à escola, e fui ficando. O meu blog surgiu da necessidade de evasão: depois de anos a trabalhar, a fazer quase tudo o que se pode fazer numa escola, sinto-me desiludida e saturada. Este ano tem sido, para mim, uma verdadeira violentação emocional. Faço o que não gosto, tenho de aplicar o que me repugna. Sou Coordenadora de Departamento, avaliadora, faço parte da Comissão de Avaliação. Vai daí, nas férias da Páscoa, achei que tinha de fazer qualquer coisa que me retirasse do espírito a Escola: foi o blog. É uma lavagem de alma: só falo do que me apetece, das coisas que gosto, viagens, livros, Lisboa, coisas da família. E faz bem.
    És sempre bem vinda.
    Bjs

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  3. Pois como eu entendo as tuas palavras! E como eu também estou saturada! Nem me reconheço. Então eu que sempre trabalhei com um prazer enorme no passado...
    Tenho saudades desse tempo que, pressinto, não volta mais e isso é que me está a deixar angustiada e a pensar que não aguentarei muitos mais anos desta palhaçada.
    Já viste o que esta gente fez connosco?
    Não lhes perdoo.
    Quanto à tua atitude de reacção à crise fazendo o blogue não podia ser mais inteligente. Evade-te. Continua a cultivar a evasão.
    Fica bem, Teresa.
    Beijinho

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