sexta-feira, 22 de maio de 2009

Mães e Filhos



Uma sondagem elaborada pela Netsonda e divulgada na última semana, dá-nos conta de que as mulheres portuguesas gostariam de ter mais filhos do que têm, situando-se a média em três filhos. No entanto, não pensam ter mais de um ou dois, devido a diversas razões que sondagem tenta distinguir. Em primeiro lugar, vêm as razões financeiras; depois vêm as dificuldades em conciliar o trabalho fora de casa com o tempo para os filhos. Há também razões que se prendem com o apoio (ou a falta dele!) prestado pelo pai ou outros familiares.
Segundo a sondagem, este desejo é transversal a todas as classes sociais, variando depois as razões para a sua não realização. Sempre me pareceu que a nossa noção de família, com os seus laços de compreensão e entreajuda, é um dos traços mais positivos da nossa personalidade enquanto povo. Pelo menos, da maioria de nós, que excepções também as há e bem aberrantes. Mas os contactos que tenho mantido com jovens de outros países da Europa, particularmente do Norte, mostraram-me que geralmente a relação familiar aqui é mais forte e os jovens sentem-se apoiados e queridos. O que é muito bom: não devemos ter receio de expressar abertamente as nossas emoções positivas.
Parece-me também que, sabendo bem do problema de baixa natalidade que Portugal enfrenta (e que só é parcialmente compensado pela imigração) este nosso desejo deveria ser mais acarinhado e compreendido.
Mas não é isso que se vê: ter um filho numa creche é quase tão caro como tê-lo na Universidade. Podia começar-se por aí. Depois, havia que dar às mães condições reais para poderem acompanhar os seus filhos. Porquê às mães? Porque, com condições ou sem elas, são as mães que fazem malabarismos para conciliarem o trabalho com a vida doméstica, que ainda é do seu pelouro, são as mães que vão com os filhos ao médico, são elas que estão presentes na escola, e ainda são elas que arranjam tempo para lher ler uma história à noite. Os pais podiam partilhar tudo isso - e alguns já o fazem - mas, como sabemos, a mentalidade demora tempo a mudar!
Intervir na ajuda ao pagamento de creches e jardins-escolas, aumentar as deduções fiscais relacionadas com as despesas dos filhos, flexibilizar os horérios de trabalho para apoio à família: estes seriam investimentos a longo prazo no bem-estar das nossas famílias, provavelmente com um retorno mais elevado e mais garantido do que outros investimentos que por aí andam a encher as parangonas propagandísticas dos nossos governantes.

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