domingo, 28 de fevereiro de 2010

Estamos a destruir livros?

Esta semana, até parece que estou numa qualquer cruzada contra o nosso Ministério da Cultura, mas não é verdade. O que acontece é que acabo de tropeçar em mais uma notícia daquelas que nos faz questionar: "Onde está o Ministério da Cultura, quando precisamos dele?"
Segundo descobri no Sebenta do Nando, há várias Editoras a destruir livros, dando como razão o facto de já não terem saída comercial. O método já não é a fogueira, agora é a guilhotina, sem dúvida um método mais discreto e ecológico. Mas... há no meio dos livros destruídos obras de Jorge de Sena, Eugénio de Andrade, Eduardo Lourenço, Vasco Graça Moura, Maria Teresa Horta e tantos outros autores importantes da Língua Portuguesa! Será que também já não têm valor comercial? E, mesmo que assim seja, não há outros fins mais dignos? 
Estamos sempre a ser solicitados para campanhas de doação de livros para escolas em países lusófonos, por exemplo. Não seria possível doar esses livros e, com o patrocínio da nossa transportadora aérea nacional, fazê-los chegar onde são necessários? Então e o Ministério da Cultura e o Instituto Camões, não achariam uma boa ideia enviar estes livros para bibliotecas regionais ou para os leitorados, que se esforçam por difundir a Língua de Camões e de Pessoa por esse mundo fora? O próprio Ministério da Educação, assim como o Instituto das Comunidades, não conseguiriam imaginar um destino mais apropriado para estes milhares de livros, nestes tempos em que tanto se fala do Plano de Leitura?
Não sei, isto de destruir livros faz-me impressão. Se calhar o defeito é meu.

Para saber mais sobre esta destruição de livros:
Correio da Manhã - 28 de Fevereiro de 2010
Leya acusada de destruição de obras históricas

Está já a correr uma Petição para impedir a destruição de livros. Se alguém quiser aceder e assinar, é só clicar:
Petição Mil - Não destruam os livros!

sábado, 27 de fevereiro de 2010

A Canção do Avô

Quando os nossos filhos crescem, por muito que estejamos preparados para isso, sentimo-nos sempre um tanto orfãos de filhos. Estamos habituados a cuidar, a transportar, a ensinar e, depois, há um dia em que descobrimos que eles cresceram. Continuam a precisar do nosso apoio mas, por vezes, são eles que nos ensinam , que nos mostram as novidades. Mostram-nos outras maneiras de ver a realidade à nossa volta, de a interpretar. E que bom que isso é!
Esta semana, o meu filho deu-me a conhecer uma banda portuguesa, chamada Dead Combo. Composta apenas por dois intérpretes, faz uma música inovadora, embora vá beber às raízes da música portuguesa. Ao ouvi-los, lembramo-nos do fado, mas também se encontram reminiscências da música country e dos ritmos sul americanos ou brasileiros. As suas composições têm nomes como Putos a roubar maçãs ou Lusitania Playboys. 
Neste fim de semana de mau tempo (mais um!), vale a pena descobrir os Dead Combo (ou será que só eu é que não os conhecia?). A minha proposta chama-se Assobio (A Canção do Avô) - Ode Marítima.
E bom resto de fim de semana.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Defeitos, qualidades e truques de beleza

Parece que os desafios blogosféricos estão na moda. Talvez sejamos nós a querer sair das palavras, do anonimato destas redes virtuais. Talvez queiramos mostrar um pouco de nós, como se estivessemos a conversar na pastelaria da esquina. Não sei. O que sei é que a minha querida amiga Natália me desafiou a responder a estas perguntas e eu vou cumprir.
Tenho de confessar que não foi fácil. Perguntas sobre produtos de beleza ou compras, deixam-me sempre baralhada, não costumo passar muito tempo a pensar nisso. Quanto a defeitos e qualidades, acho que não são lineares: podem ser positivos ou negativos, consoante a forma como os gerimos. Mas, pronto, vou tentar responder o melhor possível.



1 - Dois truques de beleza: ter o cabelinho bem arranjadinho; e um sorriso na cara.


2- Duas prendas que gostas de receber: livros, relógios e perfumes (desculpem, tive de acrescentar mais um!)


3- Local preferido para fazer compras:
          Em sonhos? Roma e Nova Iorque.
      Na realidade? O Centro Comercial mais próximo, sempre à pressa. Quando tenho um bocadinho de tempo livre, adoro vaguear na Baixa de Lisboa, nem que acabe por não comprar nada.

4- Dois defeitos: Sou explosiva e um bocadinho pessimista.


5- Duas qualidades: Sou sincera e preocupada com o mundo e com os outros.

6- Dois produtos de beleza recomendados: um creme hidratante de manhã, um desmaquilhante à noite.


7- Três manias: 
- Ando sempre com um caderno para escrevinhar as mais variadas coisas;
- Não sou capaz de dormir com as portas do roupeiro ou as gavetas da cómoda abertas;
- Estou sempre a ouvir as notícias.

8- Três características que não suportas nas pessoas:
Detesto pessoas mentirosas, mesmo que sejam aquelas mentirinhas pequenas.
Detesto as pessoas que fingem ser o que não são.
Abomino a arrogância com que algumas pessoas defendem ideias indefensáveis.


9- Três características que adoras nas pessoas:
Gosto de pessoas carinhosas e preocupadas com o mundo , e não apenas o seu umbigo.
Gosto de pessoas alegres e positivas, sem serem estridentes.
Gosto de pessoas curiosas e interessadas pelo que se passa à sua volta e com iniciativa para irem ver com os seus olhos.


10- Uma pessoa especial para mim?
        Todas as pessoas são especiais, cada uma à sua maneira.
       Para mim, os mais especiais de todos são os meus dois filhos, que eu amo de paixão e acho os seres mais extraordinários do mundo.

Desta vez, decidi não passar este desafio a ninguém em especial. Quem quiser, pode apanhar a ideia e continuá-la.


terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Viva la Muerte!


Quem me vai seguindo por aqui, sabe que não tenho o hábito de fazer posts  de opiniões alheias. Mas, hoje, encontrei este artigo de opinião de Manuel António Pina no JN. E li-o incrédula. E, sinceramente, não tenho palavras para acrescentar às de Manuel António Pina. Este texto vai sem comentários meus. Mas espero pelos comentários de quem por aqui aparecer.

"Só nos faltava esta: uma ministra da Cultura para quem divertir-se com o sofrimento e morte de animais é... cultura. Anote-se o seu nome, porque ele ficará nos anais das costas largas que a "cultura" tinha no século XXI em Portugal: Gabriela Canavilhas. É esse o nome que assina o ominoso despacho publicado ontem no DR criando uma "Secção de Tauromaquia" no Conselho Nacional de Cultura. Ninguém se espante se, a seguir, vier uma "Secção de Lutas de Cães" ou mesmo, quem sabe?, uma de "Mutilação Genital Feminina", outras respeitáveis tradições culturais que, como a tauromaquia, há que "dignificar".
O património arquitectónico cai aos bocados? A ministra foi ali ao lado "dignificar" as touradas. O património arqueológico degrada-se? Chove nos museus, não há pessoal, visitantes ainda menos? O teatro, o cinema, a dança, morrem à míngua? Os jovens não lêem? As artes estiolam? A ministra foi aos touros e grita "olés" e pede orelhas e sangue no Campo Pequeno. Diz-se que Canavilhas toca piano. Provavelmente também fala Francês. E houve quem tenha julgado que isso basta para se ser ministro da Cultura..."


segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Outros tempos, outras enxurradas

De vez em quando, a Natureza esquece a brandura com que nos vai embalando, ano após ano, e mostra do que é capaz. Desta vez, a vítima foi a ilha da Madeira. Uma tromba de água, a somar-se a dias e dias de chuvas quase contínuas, originou enxurradas de água e lama que, precipitando-se do cume dos montes nos leitos das ribeiras, levaram tudo à sua frente. Houve casas arrastadas pela força da água, carros amachucados como brinquedos de papel, estradas arrancadas e transformadas em rios furiosos. Houve mortos e feridos, apanhados pela enxurrada ou pelo que a água e a lama arrancaram e arremessaram pelas encostas abaixo. Houve, com certeza, espanto e desespero. 


Esta tragédia fez-me lembrar uma outra enxurrada, há mais de quarenta anos. Nessa noite de finais de Novembro de 1967, a chuva que assolava Lisboa transformou-se numa tromba de água, que trouxe também a morte e a desolação à região de Lisboa. Lembro-me de ver a minha mãe a arranjar coisas para levar para a Cruz Vermelha. Eu era pequenita, mas recordo-me de querer dar as minhas bonecas, condoída com a ideia de que meninas da minha idade tinham ficado sem nada. Lembro-me bem de ouvir os meus pais a comentar que, com a destruição e o mar de lama que eram visíveis em muitas zonas de Lisboa e arredores, o número de mortos e desalojados que os jornais referiam parecer estranhamente pequeno. De facto, sabemos hoje que nessa época de ditadura e censura prévia nos meios de comunicação, tanto impressos como audio-visuais, os números e os factos da tragédia foram muito diminuídos, para não criar alarme na população. Também sabemos hoje que a mesma censura não queria que se discutissem as construções em leito de cheia, a falta de planos de emergência, assim como as condições vulneráveis em que viviam muitas pessoas, que tinham migrado do campo para a cidade grande, para os arredores da capital. 


E hoje, aprendemos alguma coisa? Agora, é o momento de juntar forças e apoios para ajudar a ilha da Madeira, não é altura de procurar culpados e fazer acusações. Mas é uma oportunidade para reflectir em certos aspectos do planeamento urbanístico que, como temos a memória curta, tendemos a esquecer em pouco tempo. Mas a Natureza encarrega-se de nos relembrar que tem de ser respeitada. O seu espaço tem de ser preservado. Sob pena de passarmos o tempo a chorar sobre os seus efeitos quando se enfurece.


(Todas as fotografias aqui incluídas são imagens referentes às cheias na região de Lisboa, em 1967, e foram retiradas do Google)

sábado, 20 de fevereiro de 2010

E o meu Óscar vai para...

Já toda a gente sabe que eu gosto muito de cinema e, nesta época do ano, em que se aproxima a entrega dos Óscares, há muita coisa para ver e avaliar. A propósito desta cerimónia dos Óscares, a Vanessa do blogue Fio de Ariadne teve uma ideia interessante, que me parece valer a pena divulgar. Trata-se de uma Blogagem Colectiva sobre os filmes que já venceram a cobiçada estatueta desde o início da sua atribuição, em 1929. 
Bem, eu vou participar, só não sei que filme escolher. Sabemos que nem sempre o júri vai ao encontro das nossas preferências (aconteceu-me isso no ano passado!), mas, de qualquer modo, ao longo destes anos, foram premiadas verdadeiras obras-de-arte. Basta recordarmos Danças com Lobos ou Forrest Gump, África Minha ou Kramer contra Kramer. E, se recuarmos um pouco, podemos lembrar-nos de Casablanca, ... E tudo o vento levou, e tantos outros filmes que se tornaram clássicos da nossa vida. 
É uma boa altura para os recordar. A Vanessa teve uma excelente ideia. Por isso, deixo aqui as palavras da própria e, se quiserem saber mais pormenores, cliquem no selo que divulga a blogagem e que eu coloquei também na barra esquerda do meu blogue.

Se o amigo leitor estiver interessado, escreva um post sobre um ou mais dentre os vencedores do Oscar de melhor filme entre 1929 e 2009, valendo também arriscar seu palpite de quem levará a estatueta desde ano. Atenção, não há data para a divulgação do post, ela pode acontecer até 07 de março de 2010. Tudo o que peço é que, assim que publique seu artigo, deixe aqui através de comentário a url para formar a lista dos participantes. Agradeço antecipadamente a todos que puderem divulgar o evento. Abaixo deixo a lista de filmes a escolher, o cardápio é variado, e é interessante observar como a linguagem mudou ao longo do tempo.



quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

O poeta cauteleiro

(Estátua do poeta, em Loulé, junto ao café que costumava frequentar)

Se fosse vivo, faria hoje anos, muitos anos, o poeta popular António Aleixo. É um pretexto tão bom como qualquer outro para o lembrar.
Foi uma personagem singular da nossa literatura. Nascido em Vila Real de Santo António em 1899, não era um homem de letras, pelo contrário, era semi-analfabeto. Toda a vida foi uma pessoa simples mas com uma personalidade rica. Foi tecelão, servente de pedreiro, e por fim cauteleiro. Emigrou para França, regressou a Portugal. E é toda essa experiência de vida que ele reflecte nas suas quadras. 
Andou de feira em feira a cantar as suas rimas, cheias de ironia, crítica social, mas também uma filosofia "aprendida na impiedosa escola da vida", como ele próprio dizia.
Morreu de tuberculose, em Loulé, em 1949. A sua vasta obra foi sendo compilada por amigos e ficou como um modelo da nossa poesia popular.
O ano de 2010 é o Ano Internacional da Luta contra a Pobreza e a Exclusão Social. É uma boa ocasião para recordar o que António Aleixo cantava.


Quem nada tem, nada come;
E ao pé de quem tem comer,
Se alguém disser que tem fome,
Comete um crime, sem querer.





quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Uma Casa de Histórias

Finalmente, fui espreitar a Casa das Histórias da Paula Rego, em Cascais. 
Não sei se gostei mais do interior ou do exterior. A casa, em si, é belíssima. Uma construção em tijolo vermelho a fazer lembrar peças de Lego. Com telhados, mas sem janelas, como a concentrar-se no seu interior. Mas, quando entramos, o interior abre-se para o exterior, em enormes janelas que dão para pátios interiores e verdejantes.


Os quadros e desenhos da Paula Rego esperam-nos no interior do Museu. São, como sempre, retratos e imagens de um universo ficcional poderoso, complexo e mesmo, por vezes, chocante. Paula Rego reconstrói a realidade de uma forma alternativa, com uma forte conotação sexual; vejam-se as ilustrações para contos infantis. Também as relações de poder são desconstruídas. O universo religioso tem uma leitura original, com as suas figuras femininas actuais e fragilizadas. De resto, toda a pintura de paula Rego se constrói à volta de figuras femininas que nos permitem múltiplas leituras.
Nesta Casa das Histórias, cada pintura conta-nos uma história e suscita em nós muitas outras.

(Esta pintura chama-se Visitação e integra-se no ciclo de pinturas em que Paula Rego reinventa a vida de Maria, mãe de Jesus)



terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Um desafio


A Teresa. do blogue ...Continuando assim... fez-me este desafio, responder sinceramente a estas 25 perguntas. Pode parecer fácil, mas não é, há algumas que são complexas e que nos fazem pensar. Enfim, aqui vão as respostas possíveis. 

Questão 1: Tens medo de quê?
Tenho medo de não estar à altura do que eu espero de mim própria (isto faz algum sentido, sem ser para mim?) 

Questão 2: Tens algum guilty pleasure?
Doces, quanto mais doces e enjoativos melhor. É um milagre não ser um pote!

Questão 3: Farias alguma loucura por amor/amizade?
Já fiz algumas. Há algum tempo que não experimento.

Questão 4: Qual o teu maior sonho? Responder paz, amor e felicidade é trapacear;)
Continuar a ter sonhos e a acreditar que os vou realizar.

Questão 5: Nos momentos de tristeza/abatimento, isolas-te ou preferes colo?
Isolo-me. Decididamente.

Questão 6: Entre uma pessoa extrovertida e uma introvertida, qual seria a escolha abstracta?
Dependia da minha disposição, e de quem fosse a pessoa.

Questão 7: Sentes-te bem na vida, ou há insatisfação além do desejável?
Bem. Mas há sempre lugar para o desejo.

Questão 8: Consideras-te mais crítico ou ponderado? Sabendo, contudo, que existem críticas ponderadas.
Muito crítica. Tento ser ponderada, mas às vezes não consigo.

Questão 9: Julgas-te impulsivo, de fazer filmes, paciente...? Define-te, de uma forma geral.
Geralmente, sou impulsiva. Embora tente treinar a paciência. E às vezes, olho para trás e acho que tenho tido muita paciência para muita coisa.

Questão 10: Consegues desejar mal a alguém e, normalmente, concretizar? Sê sincero.
Sinceramente, não. Já não é fácil desejar mal a alguém, mas se isso acontecer, num impulso, o impulso já passou quando chega a fase da concretização.

Questão 11: Conténs-te publicamente em manifestações de afecto (abraçar, beijar, rir alto...)?
Admito que sim. Sou contida. Rir e falar alto são, mesmo, manifestações que me incomodam um bocado.

Questão 12: Qual o teu lado mais acentuado? Orgulho ou teimosia?
Orgulho, sem dúvida.

Questão 13: Casamentos homossexuais e direito à adopção?
Perguntas difíceis. Tudo o que diz respeito a crianças suscita-me sentimentos muito contraditórios.
Questão 14: O que te faz continuar o blogue?
O mesmo que me levou a começá-lo: vontade de me evadir, por um lado, de partilhar, por outro. Tem sido mais gratificante do que desmoralizante.

Questão 15: O número de visitas e comentários influencia o teu blogue? 
Gosto de sentir que não escrevo para as paredes, se gosto de partilhar, também gosto de sentir que do outro lado há reacção. Mas não mudo o blogue por causa disso.

Questão 16: Na tua blogosfera pessoal e ideal, como seria?
Nunca pensei nisso.

Questão 17: Deviam haver encontros de bloguistas? Caso sim, em que moldes? Caso não, porquê?
Já há encontros de bloguistas. E acho interessante sair das palavras para as pessoas de carne e osso. Embora  possa ter aspectos negativos.

Questão 18: Sabes brincar contigo e rir com quem brinca contigo? Sem ironias.
Gosto de rir de tudo, também de mim. Desde que o intuito não seja magoar.

Questão 19: Quais são os teus maiores defeitos?
Provavelmente, achar que não tenho grandes defeitos.

Questão 20: Em que aspectos te elogiam e/ou achas ter potencialidades e mesmo orgulho nisso?
Orgulho-me de muitas coisas que consegui fazer, tanto na esfera profissional como na familiar. E da maneira como consegui equilibrar as duas.

Questão 21: Entre uma televisão, um computador e um telemóvel, o que escolherias?
Computador, decididamente.

Questão 22: Elogias ou guardas para ti?
Elogio sempre!!

Questão 23: Tens humildade suficiente para te desculpar, sem ser indirectamente?
Sim, se acho que errei admito-o directamente.

Questão 24: Consideras-te, de grosso modo, uma pessoa sensível ou pragmática?
Sensível. No dia-a-dia, devia ser muito mais pragmática, mas esqueço-me.

Questão 25: Perdoas com facilidade?
Sim , perdoo eventualmente. Mas não com facilidade.

Questão 26: Qual o teu maior pesadelo ou o que mais te preocupa?
A perda. O abandono. 

Agora escolho 5 blogues: amigas de há muito e amigas de há pouco tempo, amigas de chorar no ombro e amigas de partilhar na net. Querem também partilhar este desafio?


segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Tudo pode dar certo!

Confesso que sou fã do Woody Allen desde o primeiro filme que vi deste actor/realizador/comediante. Creio que estava na Faculdade e o filme foi "O Inimigo Público número Um" ou "O ABC do Amor". Desde aí tentei não perder nenhum. Houve uma fase mais conceptual, de menos interacção com o público, mas os seus últimos filmes são, novamente, daquele humor sarcástico e atabalhoado a que Woody Allen nos tinha habituado. 
Agora, Woody volta a filmar em Nova Iorque, o seu caldo de cultura, o lugar que ele conhece e retrata como ninguém. Neste filme, mostra-nos a sociedade tal como ela hoje se tenta organizar, procurando novos esquemas familiares que dêem resposta às novas questões sociais. O protagonista do filme é Boris, um físico brilhante e desiludido com a vida - confesso também que tive saudades de ver Woody Allen a representar, este era um papel feito à sua medida. Boris põe tudo em causa, num desencanto que espelha uma sociedade que viu ruir os grandes ideais políticos ou religiosos, sem conseguir encontrar outros que lhe pudessem fornecer um sentido. No final, a mensagem que Boris deixa, e que é a principal ideia que fica do filme, é a de que devemos agarrar todas as hipóteses de felicidade, venham elas embrulhadas como vierem.
É um filme com um diálogo brilhante, bem à maneira de Woody Allen, a fazer lembrar, não os últimos filmes que fez, mas os seus clássicos, "Manhattan" ou "Annie Hall". E não falta o humor, a ironia, a análise social, os gags e os trocadilhos, tão típicos de Woody Allen, e que nos fazem dar umas boas gargalhadas e sair do cinema ainda a sorrir.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Porque é dia de S. Valentim

Porque hoje é dia de S. Valentim. Porque eu acho que um poema de amor cai sempre bem. Porque toda a gente já sabe que eu gosto da poesia de José Luis Peixoto. 

Quando chegaste - esquálida e coberta de adjectivos
que rejeitavas, que te seguiam - o silêncio
deixou de ser solene.
Atirámos frases inteiras às paredes, somos crianças,
e rimo-nos. A história escreveu-se
escreveu-se longe das nossas mãos.
Não sabemos mais verdades do que a nossa.
Existiu um dia, perdido, em que nos encontrámos.
Podíamos celebrá-lo com discursos estruturados e
insignificâncias. Preferimos comê-lo
- é um bolo de creme.


E porque o amor é uma e a mesma coisa, embora com facetas diferentes, este poema é dedicado aos homens da minha vida: o meu pai, o meu marido, o meu filho. O nosso amor é um bolo de creme.


sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Os Caretos

Nunca fui uma pessoa muito carnavalesca, pelo menos desde as festas mascaradas da minha infância. Especialmente, não admiro as festas de Carnaval que tentam transplantar para aqui as tradições de outros países. Por exemplo, acho muito animado e entusiasmante o Carnaval brasileiro, resultado de uma síntese das festas portuguesas com as festas africanas. Têm lógica lá no Brasil, onde está um calor abrasador, nesta altura do ano. Mas já não entendo esta teimosia em pôr a desfilar meninas vestidas de penas e brilhos, a dançar o samba, nas avenidas das vilas portuguesas, quando aqui em Portugal ainda chove e faz frio.

Não compreendo esta apetência por imitar o que é de fora, especialmente quando aqui em Portugal também temos tradições muito interessantes, que se estão a perder. Uma delas, típica desta época de Carnaval, é a dos Caretos, máscaras e disfarces utilizados no norte transmontano para, a coberto de uma personagem alternativa, lidar com as tensões do ano inteiro.
Deixo aqui, com autorização do autor, as máscaras e a descrição desta tradição dos Caretos. Amável Antão é um artesão que constrói as máscaras tradicionais e mostra a sua obra no seu blogue Arte e Artesanato nas máscaras de Amável Antão. Vale a pena ir lá apreciar a sua Arte.




"Em Trás-os-Montes, o reino maravilhoso de Miguel Torga, ainda sobrevivem tradições seculares que em períodos próprios renascem como que por magia.
Em toda a região do Nordeste, que eu me lembre, desde logo de garoto, recordo sempre as festas com mascarados no natal e, noutras terras, no carnaval. Era uma coboiada para todo o povo, da criança ao velho de bengala, sem esquecer as meninas e moças casadeiras... Que me lembre, sempre foi assim... Dias de festa para todos, que às vezes acabavam mal, em anos em que as "contas" se acertavam e os vinhos se misturavam!
Quando éramos garotos diziam-nos que os caretos eram o diabo em pessoa, ou quase, e vinham a ajustar contas a este mundo e a mostrar como os vivos se deviam comportar. E quem não estivesse com eles mais valia não sair de casa nestes dias...
Coitadas das raparigas... tão perseguidas, tão apalpadas, tão chocalhadas, sempre em correria e sem terem sítio para se esconder! Nem na sua casa estavam a salvo... nem no seu próprio quarto. Os caretos chegavam a todo lado, nada lhes podia ser vedado ou impedido: se não entravam pela porta, era simples, entravam pelo telhado. Ninguém escapava à sua vontade!
Quem é que não queria ser careto nestas condições? É que esta oportunidade de gozo e poder era única durante todo o ano (o resto era sempre a trabalhar)! Portanto, passávamos os tempos livres durante o ano inteiro a fazer a careta (máscara), a alindá-la com pinturas e outros pormenores, e a arranjarmos trapos velhos para fazermos o fato. Já isto era uma festa, quanto mais os dias das correrias e dos apalpanços... "
(Amável Antão)

Para quem quiser ver os caretos em acção, está aqui um magnífico filme da Câmara Municipal de Bragança, onde se vêem as brincadeiras de Carnaval acompanhadas pela imprescindível música das gaitas-de-foles.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Pipocas!



Considero-me uma pessoa tolerante. Acho que cada um tem o direito de ter os seus gostos, os seus pequenos vícios, de procurar ser feliz à sua maneira, desde que não me incomode a mim nem à Humanidade. No entanto, há algumas coisas com as quais embirro solenemente. Uma delas, é comer pipocas no cinema.
É um hábito relativamente novo, que nós absorvemos com entusiasmo. Mas tem os seus contras. Por exemplo, a não ser que se vá à primeira sessão do dia, temos de entrar numa sala invariavelmente suja e caminhar sobre restos de pipocas. Não gosto. Mas há pior. Atrás de nós, senta-se sempre uma família carregada com três pacotes de pipocas, pelo menos. Não se limitam a comer, remexem nos pacotes como se tivessem esperança de encontrar um colar de pérolas, lá bem no fundo. O barulho é irritante, especialmente naqueles momentos do filme em que estamos todos concentrados no drama ou na acção que se desenrola lá à frente. Há sempre um "crrr, crrr" que nos desconcentra do que estamos a ver.
A Vodafone patrocina agora uns pequenos filmes apenas sonoros e avisa: "Feche os olhos e solte a sua imaginação!" Impossível! Entre os toques de telemóvel e o remexer das pipocas, quem é que consegue concentrar-se no que ouve?
Não parece possível, mas isto pode piorar se, por exemplo, alguém tiver deixado cair Coca-Cola no assento ou no apoio dos braços do nosso lugar. Fica tudo molhado, ou peganhento. Então, a irritação é tão grande que pode estragar a comédia mais hilariante.
Já houve um tempo em que não se podia comer nem beber dentro dos cinemas. Parece estranho, mas é verdade! Será que não podíamos voltar a esses tempos? A minha concentração nos filmes agradecia. E a luta contra a obesidade também!


terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Apetece-me uma janela!

Hoje, estou cansada. E apetece-me uma janela. Encontrei-a aqui, na poesia de Vieira Calado.

Faz-me falta uma janela que dê para o jardim
para que eu possa ver um jardim
quando vou à janela.
.
Assim fosse a predestinação dos meus olhos.
.
Assim escusava de levar esta vida
a desejar uma janela
que apenas imagino e vejo
com o jardim abstracto de meus olhos.

.                 (Vieira Calado)

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Invictus

Ontem, fui ver o filme "Invictus". Foi o filme mais inspirador que vi nos últimos tempos. Baseado na história, verídica, da participação da equipa da África do Sul no Campeonato Mundial de Râguebi de 1995, é acima de tudo uma bela história de como um homem pode tornar-se um líder e levar o seu país a unir-se à volta de uma ideia, um propósito, uma equipa. O homem é Nelson Mandela, magistralmente interpretado por Morgan Freeman. O capitão da equipa de râguebi é Matt Damon, o realizador é Clint Eastwood. E o país é a África do Sul, depois da libertação de Nelson Mandela e da sua eleição como Presidente da República. É o momento em que o país está à beira de uma guerra civil, que pode bem tornar-se uma guerra racial. Há que gerir as expectativas dos negros e os receios dos brancos, de modo a fazer vingar o sonho de uma África do Sul multirracial, o país do arco-íris. Só Nelson Mandela poderia perceber que podia unir o país através da equipa de râguebi dos brancos, simbolo do próprio apartheid.
Quando olho para o século XX, que há pouco terminou, vejo muitos governantes mas poucos líderes. Um deles foi, sem dúvida, Nelson Mandela, como Gandhi, Martin Luther King, ou Franklin D. Roosevelt. O que transforma um governante num verdadeiro líder? Provavelmente, a capacidade de se colocar acima das mesquinhas lutas pelo poder, de perceber que liderar um povo significa governar para todos e não apenas para aqueles que o elegeram. Há que ser um exemplo. Há que dar um sentido aos sonhos e aos sacrifícios. Nelson Mandela foi um verdadeiro líder e um exemplo para todos. Hoje, apetecia-me pôr um anúncio: "Precisam-se líderes." Onde estão eles?

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Barrigas de aluguer


Há uns tempos atrás, o mundo que se interessa por essas coisas ficou a saber que a actriz Sarah Jessica Parker tinha decidido ter um filho através de uma... barriga de aluguer. A justificação era não querer estragar a figura. Já na altura me interroguei: não quer estragar a figura ao engravidar? e se a criança chorar de noite? também não vai acudir-lhe para não ficar com olheiras? e tantas, tantas outras situações que surgem e que exigem de nós uma total entrega? Enfim, encolhi os ombros do espírito e pensei: "É a tecnologia ao serviço da futilidade!"
Agora, há alguns dias, li uma notícia ainda mais inquietante. Segundo a revista espanhola "Yo Dona", a revista do jornal El Mundo, há uma espécie de negócio de procriação a desenvolver-se, o qual envolve já qualquer coisa como 400 milhões de euros. Trata-se do aluguer de ventres maternos na ... India! Atendendo aos preços que as barrigas de aluguer atingem nas clínicas ocidentais, os genes espanhóis ou americanos viajam para a Índia, onde são implantados em barrigas indianas, por preços muito mais competitivos. As mães de aluguer indianas não podem, durante a gravidez, sair à rua e têm as visitas de familiares bastante limitadas. Ficam em clínicas e recebem, por cada "contrato", entre 3500 e 4500 euros, o que corresponde a cerca de dez anos de trabalho no campo ou a uma casa modesta numa zona rural. O negócio parece ser florescente e do agrado das várias partes.
Será que esta é uma nova divisão do trabalho, em termos internacionais? Será que isto não levanta qualquer tipo de interrogações, de nível social e ético? Será que este negócio só me arrepia a mim?