terça-feira, 16 de março de 2010

Lisboa, uma mulher madura

As cidades são para mim como pessoas. Não sei vê-las apenas em termos de pedras, árvores, veículos, objectos. É preciso que eu lhes descubra a alma, imagine que elas me estão falando, contando como são, como foram. Sinto logo ao vê-las se me acolhem, repelem ou permanecem indiferentes. Porque as cidades têm memória e nervos, um coração que pulsa e um sangue quente a correr-lhes nas veias.
                  (Erico Veríssimo, Gato Preto em Campo de Neve)


Encontrei esta citação de um autor de que gosto muito e me acompanhou muito na minha adolescência, Erico Veríssimo, no blogue da Luma Rosa, o Luz de Luma. E fiquei a pensar.
Será que as cidades têm uma personalidade própria? Será que se assemelham a nós, seres humanos, com as nossas belezas e as nossas fraquezas? Será que podemos comparar a cidade onde vivemos a alguém, de uma forma tão completa e precisa como se a conhecessemos?
Já declarei aqui, noutras ocasiões: sou alfacinha de gema, nascida e criada em Lisboa, entre a Penha de França e Benfica. Hoje, moro a cerca de 20 km de Lisboa, mas continuo a amar a minha cidade. Se fosse um ser humano, como seria Lisboa?
Tenho a certeza de que seria uma bela mulher, já madura. Tem uma longa história para contar, visível nos monumentos e nas ruas sinuosas da parte velha. Mas essa experiência só lhe traz mais encanto, como uma janela de ferro forjado, bordada de sardinheiras, a colorir um beco antigo.
Disfarça as rugas do tempo com muita luz, azulejos e cores alegres. E avança sempre em direcção ao futuro, confiante e rápida, nas suas avenidas largas e nos edifícios arrojados das zonas modernas.
Mas esta mulher, madura e luminosa, também tem o seu lado sonhador. Senta-se com os pés mergulhados no rio Tejo, a ver os barcos que passam, sonhando com glórias passadas enquanto tece as malhas do futuro.

29 comentários:

  1. Linda declaração à Lisboa! Muito legal de ver e as cidades tem alma, sim!beijos,chica

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  2. Olá amiga!
    Gostei muito do que li e descobri.É muito bom saber que temos colegas sensíveis, à BELEZA das coisas, das pessoas, do mundo. É fantástico como nos desconhecemos tanto, estando tão perto e estando longe, nos podemos aproximar sem medos.
    bjs
    Manela

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  3. Estimado,
    É um prazer contactá-lo e em primeiro lugar elogiar pelo bom blog que expõe a todos nós, leitores.
    Envio este coment para anunciar a abertura de um novo blog, o "Macaquinhos no Sótão". http://osmacacosdosotao.blogspot.com/
    Um blog pensado há muito, mas que só agora decidi abrir.
    Gostaria muito de contar com a sua ajuda na promoção deste blog, colocando o link se possivel.
    Como é claro, retribuirei sem piscar os olhos em colocar o seu link na minha página!
    Espero uma resposta sua.

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  4. Muito interessante este seu post, Teresa. Pessoalmente não sou grande admiradora de Lisboa, talvez por a conhecer muito pouco, e o que se conhece pouco não deixa muito espaço para que se forme opinião. Sou alentejana, criada entre montes e planícies de restolho solitárias e tal como a Teresa, actualmente também moro fora da Capital. Mas também fiquei a pensar e acho que se Lisboa fosse um ser humano, seria alguém dividido entre a saudade e a desilusão, pois o seu património tende em ser cada vez menos cuidado e recuperado, encerrando atrás das paredes maciças de tijolos, um passado repleto de histórias e de tradições. Uma pena! E eu nem aprecio assim tanto Lisboa... imagino o que sentirá quem a traz no coração.

    Beijinhos :)

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  5. E desde quando as mulheres ão são umas eternas sonhadoras? Lisboa não é excepção, cara Teresa.
    Bj

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  6. MAIS LOGO, um novo capítulo da história de Alice.
    lá no,
    ... continuando assim...

    Aceito , e agradeço as vossas sugestões ... talvez a letra esteja pequena... talvez o blogue possa estar confuso.... talvez ... e talvez :)
    talvez nem gostem da história...

    Enfim...qualquer coisa, digam.
    até logo

    obrigada por seguirem, e bem vindo!!! a quem chega de novo !

    Bj
    teresa

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  7. Teresa,

    Para mim, a pessoa tem uma relação embrionária com sua cidade. É nela que moramos, é o ar dela que respiramos, é por suas ruas que costumamos passar. Então, é natural que tenhamos esse amor por ela.

    Porém, a forma como você declarou seu amor por Lisboa, é emocionante. Faz a nós - que moramos aqui, do outro lado - conhecermos essa cidade belíssima.

    Beijos e uma ótima quarta-feira pra você.

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  8. Teresa,
    Gostei dessa imagem da mulher sentada a mulher com os pés no rio....
    Já consegui fazer a hiperligação, vai ver quando puderes.
    bjs

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  9. Oi Teresa
    Não tenho conseguido acompanhar suas postagens como gosto, mas li as anteriores e gostei especialmente de saber mais de Florbela Espanca, uma poeta sensível e interessante.
    Sobre essa cidade linda de Lisboa mesmo nao conhecendo acho um luxo só ! e admiro talvez por ter estudado sobre Portugal desde os primeiros anos escolares em História do Brasil e seu descobrimento, tudo a ver com Portugal.
    Hoje estava lendo uma reportagem linda do nosso amigo Junior de Contatos Imeddiatos, sobre uma cidade histórica, comentei sobre o quanto as cidades guardam de histórias e de vidas!
    E sempre digo que amamos as cidades que nos abrigam e que desenha nossa vida pelas suas ruas e jardins, além de abrigar também os amores que a gente tem.
    Bonita declaração.Teresa
    aabraços abraços

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  10. Olá Teresa

    É tudo verdade o que dizes e acontece chegarmos a cidades onde a visita, uma vez terminada, parece mal resolvida.
    Já me aconteceu.

    Lisboa, é uma cidade de eleição.
    Por várias razões:

    Tem uma frente de rio que é extraordinária;
    Chegando de avião na rota que sobrevoa a Ponte sobre o Tejo antes da chegada ao aeroporto, única!
    Tem um triângulo de visitas Lisboa-Cascais- Sintra, verdadeiramete assombroso.

    Merecia estar a cidade mais cuidada.

    Sempre desejei chegar a Lisboa para aqui viver, o mais cedo possivel.
    Sempre achei que aqui é que resolveria a minha vida.

    Bjs

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  11. Teresa

    Não é fácil dizer exactamnte, porque se ama Lisboa. Porque o amor é algo complexo, como sabemos, difícil de definir, portanto.
    Lisboa é tudo isso que dizes. Quem a ama sente exactamente o mesmo.
    Vejo-a assim, como tu. Encontro em cada palavra do texto de Erico Veríssimo a personificação de muitos dos sentimentos que me mantem ligada à minha cidade de berço, que apesar de longe permanece plena no meu coração.

    Um abraço

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  12. Chica
    Sim, todas as cidades têm uma alma :)
    Bjs

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  13. Manela
    Obrigada pelas tuas palavras. É verdade, andamos sempre tão stressados, tão atarefados, que não temos tempo para nos descobrirmos uns aos outros.
    Bem vinda a este meu espaço de conversa e partilha. Bjs e volta sempre.

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  14. Para que serve?
    Lá irei visitá-lo logo que puder, ok?
    Abraço.

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  15. Helga
    Acredito que é preciso nascer num sítio para o amar de uma forma umbilical, como tu amas o teu Alentejo.
    Bjs

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  16. Ana
    Tens razão, somos umas sonhadoras sem remédio :)
    Bjs

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  17. Teresa (continuando assim...)
    Tenho tido pouco tempo, e não tenho acompanhado convenientemente a história de Alice. Logo que puder, vou lá e deixo-te a minha opinião, ok?
    Bjs

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  18. Valdeir
    É isso mesmo, uma relação embrionária, chamei-lhe umbilical.
    Ainda bem que despertei o interesse por conhecer a minha cidade.
    Bjs

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  19. Papoila
    Já lá fui ver, obrigada pelo destaque :)
    Bjs

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  20. Lis
    Brasil e Portugal têm uma história comum e uma ligação muito forte. Ainda bem!
    Realmente, as cidades têm uma história, que engloba muitas histórias diferentes.
    Bjs

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  21. JPD
    Explicas bem o que Lisboa tem de fantástico!
    Já conseguiste viver e resolver aqui a tua vida (desculpa a bisbilhotice)?
    Bjs

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  22. Maria João
    O amor, como bem dizes, não se define, sente-se. Pelos sítios também.
    Bjs

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  23. Se Lisboa te ouve se encanta.
    Eu gostei imenso de ler-te.

    Amo Lisboa!
    Amo Lisboa e o Tejo... hoje e pelo ontem quando menininha aprendi a cidade caminhando-a.

    As cidades têm coração que palpita... ou não

    Um grande beijo, Teresa

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  24. MagyMay
    Também acredito que os espaços têm um coração e uma personalidade. E só se ama um espaço que se aprende passo a passo.
    Bjs

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  25. Amiga e Vizinha Teresa, vim conhecer o outro espaço e ler o que aqui existe. Apresento de igual modo os meus parabéns pela contrução deste blog.

    Gostei

    Bj
    Luis

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  26. Luis
    Fico feliz com a sua visita. Já partilhamos esta bela vila, partilhemos também estes espaços de conversa.
    Abraço da vizinha.

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  27. Tens razão. Lisboa, como todas as cidades têm uma personalidade muito própria: acho Lisboa o exemplo mais flagrante do que é uma mulher portuguesa!!!

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  28. O autor da história de hoje no "ematejoca azul" é um escritor, jornalista, humorista e cronista brasileiro Luís Fernando Veríssimo, filho do Erico Veríssimo, um dos meus escritores (também teu?) preferidos quando tinha quinze anos, quero dizer, que o conheci no Porto na Divulgação no dia em que fazia 15 anos.
    Os meus livros preferidos: "O tempo e o vento"; "Olhai os lírios do campo" e "Clarisse" e quase me esquecia do livro, que mencionas em cima: "Gato Preto em Campo de Neve".

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  29. Ematejoca
    Eu conheço o Luis Fernando Veríssimo e gosto mas, gostava mais do pai. O Erico Veríssimo acompanhou a minha adolescência, sabes? O primeiro livro que li dele foi "Olhai os Lírios do Campo", não consegui parar de ler, emocionou-me muito. Depois vieram os outros, todos os outros. Acho que li tudo o que havia para ler dele. Hoje, parece que está esquecido. Mas eu não acho que tenha passado de moda. Talvez devessemos começar a espalhar as palavras dele aí pela blogosfera!
    Bjs

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