quarta-feira, 24 de março de 2010

Estado de Guerra

Fui ver este filme porque ganhou seis Óscares, entre os quais o de melhor filme, e não porque me despertou um interesse especial. No entanto, gostei. O filme é passado no Iraque e torna-se um bocado claustrofóbico, devido à forma como é filmado, como se se tratasse de um documentário que acompanhasse o dia-a-dia de um grupo de soldados americanos desactivadores de minas, mas também devido ao ambiente, à cor de areia que rodeia e confunde tudo na mesma paisagem. Quem já esteve no Médio Oriente sabe que aquela é a cor, a cor da areia e do pó. A falta de verde é angustiante, como a falta de água.
Apesar de ser um filme totalmente rodado como reconstituição de situações de guerra, não é bem um filme de guerra, mas sim um filme sobre as emoções humanas em situação de guerra. Estão aí as constantes do filme: é o medo, a inevitabilidade da insegurança, a contagem dos dias até ao regresso a casa; é a tensão elevada ao máximo, os sentidos alerta em dada situação de perigo, a concentração total (como esquecer a cena da mosca, que os soldados não afastam, tal é o seu grau de concentração?); mais surpreendente, é a adrenalina provocada pela própria situação de tensão, e que funciona como uma droga altamente aditiva. Um dos protagonistas, o sargento do grupo, não consegue já passar sem ela e, no final, sente-se mais feliz numa rua de Bagdad do que num supermercado, back home, a escolher uma caixa de cereais.
É um filme de guerra, mas não há bons e maus, nem cenas heróicas de batalha. Não trata dos horrores da guerra, mas da guerra como um hábito, quase como uma droga.
Não seria a minha escolha para o Óscar mais importante, mas é, sem dúvida, um bom filme, capaz de nos fazer reflectir sobre questões que afloram poucas vezes nos noticiários ou nos ecrãs de cinema.
E, para finalizar, fica mais uma felicitação à afirmação feminina, com a atribuição do Óscar de Melhor Realizador a uma mulher, Kathryn Bigelow, pela primeira vez.


14 comentários:

  1. Uma bela resenha do filme.Ainda não vi...Evito esses de guerra , vou apenas nos mais românticos e leves. um beijo,lçindo dia,chica

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  2. Não sei se será assim uma tão bela resenha do filme. Acho que será mais uma resenha simplista de um bom filme, desculpe a franqueza, Teresa.

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  3. Ainda não vi mas já me chamou a atenção, por agora preciso de coisas leves...o stress apertou.
    Bjs

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  4. Chica, Lilá(s)
    Não vale a pena ir ver, se não estivermos com disposição. Até lá, há coisas levezinhas que também são interessantes.
    Bjs

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  5. Anónimo

    Não tenho o hábito de publicar comentários anónimos, mas enfim, para não pensar que eu fiquei aborrecida com o comentário, aqui está.
    Pois, se calhar a minha resenha é simplista, mas como eu não sou crítica de cinema, publico o que me apetece, não é? É a minha opinião, certo?
    Para a próxima vez, dê a sua opinião abalizada, e assine depois, como fazem as pessoas educadas.

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  6. Oi Teresa
    Claro que vou ver, gosto do ambiente tenso que esse filmes provocam.
    Obrigada pela resenha , ajuda a ter ou nao o interesse pra assistir . Eu gostei, vou ver.
    grande abraço

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  7. Lis
    Acho que no Brasil tem outro nome, não sei bem.
    Depois de veres, diz-me o que achaste.
    Bjs

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  8. Aqui no Brasil batizaram esse filme de "Guerra ao Terror". Não me animei muito a ir assisti-lo ainda, mas achei interessante o seu comentário. Talvez eu vá. Um abração!

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  9. Sueli
    Depois diga-me o que achou do filme.
    Bjs

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  10. Sabe, Teresa, os filmes dessa natureza não me chamam muito atenção 'Faroeste' e filmes de Guerra eu não costumo assistir, mas sabia que sua ótica me despertou curiosidade? Sério... se achá-lo qualquer hora dessas na locadora, levo pra casa e tiro minhas conclusões!
    Um abraço!
    Jr.

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  11. Nós já vimos e gostamos muito. Ainda não vimos todos os nomeados (ainda nos falta ver o Up o Precious e o Blind Side)mas dos que vimos foi o que mais gostamos. Por isso achamos que foi muito bem entregue.
    Beijinhos

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  12. Junior
    Ainda bem que o meu comentário lhe despertou a atenção para o filme, porque vale a pena vê-lo, não é um filme de guerra tradicional.
    Bjs

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  13. Vagamundos
    Também gostei, mas o meu coração estava com Precious. Não deixem de ver.
    Bjs

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  14. Ainda não vi o filme, mas a percepção que tenho dele é precisamente aquela que tu afirmas; e por ter estado num teatro de guerra, embora diferente, vou sentir reavivar em mim próprio essas emoções de que falas.

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