sábado, 14 de janeiro de 2012

Postal de Lisboa XVIII – Árvores de Interesse Público


Quantas vezes caminhamos por Lisboa, tão apressados que nem nos damos tempo para apreciar o que está à nossa volta! Mal olhamos para os prédios, as pessoas, os nossos sentidos concentrados no trânsito, ou no trabalho que nos espera nesse dia. E, no entanto, quantas coisas interessantes esta cidade tem para mostrar! Por exemplo, as árvores. Como eu ando sempre de nariz no ar, dá-me para reparar nas árvores de Lisboa. Felizmente ainda não inundámos a cidade de palmeiras, na tentativa de a transformar numa espécie de cidade californiana ou caribenha. Mas o clima é propício e muitas árvores do mundo imenso que explorámos foram trazidas para Lisboa e aqui se desenvolveram bem. Às vezes, até nos acolhemos à sombra destas belas árvores, nas tardes soalheiras, sem nos apercebermos do valor do património que nos protege das inclemências do sol.
Algumas dessas árvores têm tanto valor que foram declaradas Árvores de Interesse Público. As razões podem variar. Podem ser árvores muito antigas (há algumas do tempo dos Descobrimentos, até da fundação de Portugal). Podem ser árvores de espécies raras, ou então de formas tão harmoniosas ou tão bizarras que merecem preservação.

(Cipreste do Buçaco, no Jardim França Borges, no Príncipe Real)
A maioria destas árvores está situada em parques e jardins da capital. No entanto, algumas encontram-se isoladas, no meio dos passeios, nas ruas, à mercê da poluição, e até do vandalismo de quem nada sabe e nada quer preservar. Uma das minhas preferidas é um belíssimo lodão-bastardo (nome científico Celtis australis L.), que se ergue indiferente aos automóveis no centro da Avenida de Berlim. 
(Lodão-bastardo, na Avenida de Berlim)
Outra, junto à Sé de Lisboa, no Largo do Limoeiro, é uma Bela-Sombra (nome científico Phytolacca dioica L); o próprio nome aponta a sua função predileta. Enorme, cheia de espaços no tronco onde apetece esconder e brincar, estende-se pelo passeio, obriga-nos a rodeá-la, mas se calhar não a cuidar dela como merecia.
(Bela-Sombra, no Largo do Limoeiro à Sé)
Das mais de 600.000 árvores que existem em Lisboa, foram classificadas como Árvores de Interesse Público 19 povoamentos (conjuntos arbóreos) e 65 árvores isoladas. A Câmara Municipal de Lisboa está a organizar circuitos para dar a conhecer esta parte do património da cidade, o que me parece uma excelente ideia.
Mas elas já aí estão, para nosso deleite. Altas e orgulhosas, de formas estranhas, frondosas e convidativas, ou antigas e decrépitas. De interesse público.
(Fotografias tiradas do site da Autoridade Florestal Nacional, Árvores Monumentais de Portugal)

8 comentários:

  1. A mais bela será decerto a do Jardim do Príncipe Real.

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    1. Pinguim
      A mais bela não sei, mas a mais vistosa talvez seja, pela sua extraordinária envergadura.
      Bjs

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  2. Também considero essa uma excelente ideia, especialmente se esses passeios forem programados em tardes primaveris... :)

    Beijocas!

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    1. Teresa
      Eu até pediria para serem ao fim de semana, mas não sei. Se entretanto souber novidades, publico, ok?
      Bjs

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  3. Olá, Teresa

    Da próxima vez que eu andar por Lisboa vou prestar mais atenção ao que me rodeia em especial pelos parques e avenidas/ruas que mencionou. Desconhecia a existência dessas árvores assim espalhadas pela cidade.

    Obrigada.

    Bom fim de semana.

    Olinda

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  4. Olinda
    Eu resolvi escrever sobre isto, porque realmente também só descobri há pouco tempo e acho que é importante termos noção do património que nos rodeia para melhor o preservarmos. Confesso que algumas árvores já me encantavam, mas não sabia que eram classificadas como património de interesse público.
    Bjs

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  5. Eheheheh!!! Nem de propósito, Teresa! Hoje lá fui dar o meu "passeio dos pobres", com a minha Sonny a tiracolo. Se queres saber, só tirei fotos a árvores.
    Por todo o lado, por onde ando, gosto de observar as árvores, os seus troncos, os seus ramos, as suas folhas...
    E é engraçado que o sobreiro, que é a Árvore Nacional de Portugal e que sempre achei uma árvore muito triste, me fascina, principalmente, quando vejo um, muito solitário num grande campo, mas com uma presença muito forte.
    Beijinhos

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    1. Rosa
      Eu sei bem que tu gostas de fotografar árvores, e às vezes lembro-me de ti, quando vejo exemplares fora do vulgar.
      Beijinhos.

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