sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

O Maestro José Atalaya da minha infância

Num dos últimos posts que fiz, intitulado A Música anda por aí, mencionei um maestro que eu ouvia encantada na televisão, quando era pequenita, e que me acordou para a música chamada clássica, através das explicações e comentários que fazia das peças musicais. Algumas das pessoas que têm a simpatia de seguir este blogue e por aqui vão deixando as suas opiniões, perguntaram-me pelo nome desse maestro. Até avançaram com alguns nomes como hipótese. Confessei que não me recordava. Lembrava-me que era forte, tinha uma espessa barba escura e era um grande comunicador. A única vantagem de estar em casa com gripe é, precisamente, ter algum tempo livre para fazer leituras ou pesquisas e aproveitei para tentar encontrar na internet esse maestro que emergiu das minhas recordações de infância. Não foi preciso procurar muito. O nome tocou logo as campainhas da minha memória. As barbas espessas, agora já não escuras mas muito brancas, desfizeram as dúvidas. Era o maestro José Atalaya.
Para se perceber o impacto que estes programas tinham na nossa infância, preciso de explicar o papel da televisão, nessa época. Não havia internet, claro, nem mesmo computadores portáteis, nem mais de duzentos canais disponíveis por cabo. Mesmo a televisão começava as suas emissões ao fim da tarde (creio que por volta das 18 horas) e terminava a emissão cerca da meia-noite. Mas, nesse meio tempo, tinha uma posição central na nossa vida. Só havia um canal, que todos viam e comentavam. Por aí chegavam as notícias - lembro-me de ouvirmos atentamente os boletins noticiosos sobre a evolução da doença do Professor Salazar, ou da visita do Papa Paulo VI a Fátima. Eu ouvia-as ansiosamente, porque a seguir vinham os programas infantis, a Abelha Maia, o Carrossel Mágico. Depois, a programação seguia com documentários, filmes ou programas de divulgação. Como só havia um canal, eu lembro-me de ver tudo o que aparecia, desde o Bonanza até documentários sobre a Segunda Guerra Mundial.
Era nesse conjunto de programas que surgia o maestro José Atalaya. Eu não percebia muito de música, mas ele ensinava a distinguir os instrumentos, explicava as obras musicais e o seu entusiasmo era contagioso. Lembro-me de ficar colada à televisão e de com ele aprender alguns nomes de compositores que me iriam acompanhar no resto da vida.
Ao maestro José Atalaya deixo aqui a minha modestíssima homenagem, através deste Adagio de Samuel Barber, por ele dirigido e executado pelos jovens da Orquestra Raízes Ibéricas.



14 comentários:

  1. Maestro José Atalaya e este adagio. Conjunção perfeita!

    No tempo do canal único era para ali que convergia todo o nosso interesse em termos televisivos. A Abelha Maia, o Carrossel Mágico...mesmo mágicos!

    A televisão fechava com o Hino Nacional. :)

    Linda homenagem e excelente texto!

    As melhoras.

    Olinda

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  2. Embora seja mais velha também gostava de o ouvir!
    Como estávamos muito limitados na oferta aproveitávamos ao máximo aquilo que víamos! :-))
    Obrigada pela prenda musical!

    Abraço

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  3. Olinda, Rosa
    Pois, como não havia mais alternativas, sempre iamos aprendendo qualquer coisa! Beijinhos.

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  4. Lembro-me bem de todos esses programas televisivos, mas a partir de certa altura (início dos anos 70) a televisão também tinha programação à hora do almoço, com séries como a "Família Partridge", "Uma mãe para Edie", "Júlia", "Os meus sobrinhos", "Viver no campo", entre outras. Era um curto período de emissão, onde também davam desenhos animados e um primeiro telejornal. Depois encerravam para só reabrir ao fim da tarde, como bem referiste! Aos domingos sempre (desde que me lembro) houve emissões à tarde, em que davam filmes antigos... :)

    Ah e também havia os concertos de domingo, à hora de almoço, de Leonard Bernstein!

    Beijocas e bom fim de semana!

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    1. Teresa
      Lembro-me tão bem e gostava tanto dessas séries da hora do almoço! Especialmente do "Viver no Campo", ainda hoje me lembro de algumas cenas! Mas isso já foi nos anos 70 (bolas, estou mesmo velha!)
      Beijocas!

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  5. Recordo-me perfeitamente; e como dizes, por só haver um programa e com uma duração limitada de tempo, todos víamos as mesmas coisas e os programas eram muito comentados.
    É curioso, por exemplo, que muita gente via um programa sobre decoração, cujo genérico tinha a música "Petite Fleur" e aquelas saudosas "Charlas LInguíticas", pelo Padre Dr. Raul Machado.

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    1. Pinguim
      Não me lembro do programa de decoração (não me devia chamar muito a atenção) mas lembro-me bem das "Charlas Linguísticas".
      Bjs

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  6. Olá, Teresa

    Vim 'ver' se está melhor... :)

    Agora lembrei-me: e o Festival da Canção? Era um acontecimento...

    Bom fim de semana

    Bj

    Olinda

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  7. Não me recordo desse maestro mas da música da Bonanza (O Rancho Ponderosa e a família Cartwright) ainda me lembro bem.
    :)

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    1. Então e do Festival da Canção, e do Carrossel Mágico? :)

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  8. É a minha primeira visita a este recanto e fiquei encantada...com tantas recordações...Lembro-me de tudo...e acrescento que o maestro José Atalaya também ia ao liceu Maria Amália, em 1974-75 divulgar a sua música, conduzindo pequenas orquestras, assisti a alguns concertos, nos intervalos das aulas....fabuloso, sempre.

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    1. Talvez, Helena, lembro-me de haver pequenas sessões de divulgação musical nos liceus. Dos concertos na televisão lembro-me muito bem.
      Volte sempre. Bjs

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  9. Cara Teresa que eu não conheço, ao pesquisar ´Maestro José Atalaya", dei com o seu blog, e espantada verifiquei que o seu texto sobre o Maestro poderia ter sido escrito por mim, pois que da mesma maneira, com os programas dele despertei para a música clássica.Pedro e o lobo...ainda há pouco comprei o DVD para mostrar ao meu neto como aprendi a amar a música.Pena que actualmente não se repitam este
    género de programas.Associo-me à sua homenagem ao Maestro José Atalaya com um sentido agradecimento.

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  10. Gostava muito de participar numa homenagem ao Maestro, no entanto há muito tempo que não tenho noticia dele.

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