quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Fumar? Onde?

Hoje, segundo parece, saiu a público outro estudo sobre o tabagismo que indica claramente que fumar à entrada dos estabelecimentos afeta também o ambiente no interior. Imediatamente se ouviram as vozes usuais, clamando pela proibição total do fumo ou, pelo contrário, clamando contra os fundamentalismos anti-tabágicos. Não tenho nenhuma solução mágica. Mas tenho observado algumas coisas que gostava de partilhar.
Mas primeiro uma declaração de interesses (agora está na moda esta expressão!):
Não fumo, mas não sou fundamentalista em relação ao tabaco. Fumei durante muito tempo, desde os quinze anos. Depois, quando engravidei do meu primeiro filho, deixei de fumar. E continuei a fumar e a deixar de fumar regularmente, até que deixei de vez. Não foi propriamente por medo dos efeitos do tabaco, mas porque com os filhos pequenos não tinha as mãos livres o tempo suficiente para pegar num cigarro! Hoje, se me apetece fumar um cigarrinho não me impeço de o fazer, o que acontece uma ou duas vezes por ano, depois de uma jantarada com amigos!
Devo acrescentar também que acredito nas liberdades individuais, até de fazer coisas estúpidas e que nos prejudicam. Já me incomoda mais que os meus impostos sejam utilizados para tratar as consequências desses atos prejudiciais livremente assumidos.
Lembro-me de, durante muito tempo, se fumar livremente nas salas dos professores. Porque efetivamente incomodava e prejudicava quem não tinha culpa nenhuma e não era fumador, essa situação foi proibida e foram criadas salas para fumadores. Na minha escola, havia uma sala anexa à sala dos professores para onde iam os fumadores. Era pequena, e eles queixavam-se de que o ambiente ficava toldado de nuvens de fumo e pesado, mesmo com as janelas abertas. Mas a escolha era deles, certo? Havia também uma saleta para os funcionários fumadores. Os alunos não podiam fumar no recinto escolar, o que não me parece mal, embora sempre houvesse alguns mais rebeldes que se escondiam a fumar atrás dos pavilhões. Tal como no nosso tempo de escola, não é?
Entretanto, há alguns anos, surgiu a proibição total de fumar dentro do espaço escolar. Fecharam as saletas dos fumadores, mas eles não deixaram de fumar, evidentemente. Então, tal como aconteceu em todo o lado, os fumadores vieram para a rua fumar. Hoje, em todos os intervalos, há grupos de professores e funcionários a fumar à porta da escola. Alunos também, claro, e cada vez são mais, ou não tivessem ali à vista o exemplo do comportamento adulto, que eles gostam de imitar embora nunca o admitam. Às vezes, são mesmo os seus professores preferidos que ali estão, figuras de referência para miúdos que tantas vezes não as encontram em casa. O espaço à volta das árvores está repleto de beatas. Um caixote do lixo, pendurado num candeeiro a dois ou três metros do portão principal da escola, foi transformado num enorme cinzeiro; a tampa é utilizada para para apagar os cigarros, que por ali ficam, a enfeitar a rua. 
Que espetáculo deplorável! Não vale a pena chamar a atenção para estes comportamentos. Depois de um olhar surpreendido, viria a conversa do costume: "Qual é o problema? A rua é livre, aqui faço o que me apetece!" Claro, sem dúvida! Mas isto deixa-me a pensar. Afinal, os fundamentalismos nem sempre têm os resultados esperados.


4 comentários:

  1. Eu ainda me lembro de quando se fumava nas salas de aula, que foi grande parte do meu liceu e todos os anos de faculdade.... :)

    Mas essa do anti-tabagismo chegar às ruas, soa nitidamente a "vendetta" de quem em tempos levou com o fumo alheio! E dos gajos que nos querem "tratar da saúde"... Cambada!

    Beijocas!

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  2. Pois, eu também já fumei e muito: deixei de fumar vai para sete anos e também não sou fundamentalista.
    Mas sobre a proibição total de fumar em restaurantes, não podia estar mais de acordo.
    Os fumadores, hoje em dia, quando viajam, quando estão no trabalho, quando estão num espectáculo, não fumam; não podem aguardar que acabem a refeição para fumarem na rua, sem incomodar ninguém?

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  3. Teresa
    Pois, não se pode proibir que as pessoas fumem na rua, mas não há dúvida de que dão origem a espetáculos deploráveis, como estes à porta da escola. Talvez aí ficasse bem a definição de um perímetro sanitário.
    bjs

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  4. Pinguim
    Esta coisa do pessoal todo na rua a fumar incomoda-me um bocado. Porque não pô-los em saletas ou cubículos para fumadores? Davam menos nas vistas.

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