quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

O Mundo não se fez para pensarmos nele...

E, porque depois de tanta crise não me apetece pensar mais no estado do mundo, ou talvez apenas por causa da gripe...


O Mundo não se Fez para Pensarmos NeleO meu olhar é nítido como um girassol. 
Tenho o costume de andar pelas estradas 
Olhando para a direita e para a esquerda, 
E de, vez em quando olhando para trás... 
E o que vejo a cada momento 
É aquilo que nunca antes eu tinha visto, 
E eu sei dar por isso muito bem... 

Sei ter o pasmo essencial 
Que tem uma criança se, ao nascer, 
Reparasse que nascera deveras... 
Sinto-me nascido a cada momento 
Para a eterna novidade do Mundo... 

Creio no mundo como num malmequer, 
Porque o vejo. Mas não penso nele 
Porque pensar é não compreender ... 

O Mundo não se fez para pensarmos nele 
(Pensar é estar doente dos olhos) 
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo... 

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos... 
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é, 
Mas porque a amo, e amo-a por isso, 
Porque quem ama nunca sabe o que ama 
Nem sabe por que ama, nem o que é amar ... 
Amar é a eterna inocência, 
E a única inocência não pensar... 

Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos - Poema II"

2 comentários:

  1. Ah, Alberto Caeiro, o homem das sensações. Conservar o pasmo essencial e amar porque sim...

    Fico sempre assim, tomada de pasmo, perplexa, sempre que leio F.Pessoa.É uma descoberta renovada.

    As melhoras para a sua gripe.

    :)

    Bj

    Olinda

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  2. Perfeitamente de acordo, quanto mais pensamos mais sofremos.
    As melhoras da gripe.

    beijinhos

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