sábado, 9 de janeiro de 2010

Mensagens nos céus



Aqui há tempos, encontrei num blogue amigo um texto interessante sobre a forma como os povos antigos interpretavam o céu  e as estrelas. Uma dessas interpretações espantou-me e encantou-me. Segundo parece, os índios norte-americanos consideravam que o firmamento era um livro de sabedoria, e as estrelas os ensinamentos que os primeiros homens aí tinham fixado.
Lembrei-me disto ao rever as fotografias da passagem de ano. Desde a Nova Zelândia, a primeira a festejar, até às ilhas do Pacífico, durante quase vinte e quatro horas, assistimos pela televisão a uma sucessão de festejos, todos com um ponto em comum: o fogo de artifício. Por todo o mundo, à hora da passagem do ano e, neste caso, da década, estrelejaram nos céus cascatas de luzes, explosões de cores. Alguns destes espectáculos são magníficos e famosos no mundo inteiro. Outros são mais modestos, para consumo caseiro, e são lançados no largo da praça da vila mais modesta, como nas baías dos grandes centros turísticos. Mas estão sempre lá, presentes. O que nos leva a associar estes acontecimentos aos fogos de artifício?





Não há dúvida que os festejos de passagem de ano estão ligados ao renovar da vida, a um recomeço que se deseja cheio de coisas boas, de saúde, de paz, de alegria, da concretização de milhentos pequenos sonhos. Renovam-se votos, esperanças, propósitos. Talvez os nossos votos e as nossas esperanças se espelhem nos céus, em cada uma das pequenas estrelas coloridas do fogo de artifício. Talvez elas sejam mensagens que escrevemos nos céus, como acreditavam os índios norte-americanos.
Este ano, que mensagens mandámos para o céu? O que escrevemos no firmamento, com pólvora e cores brilhantes? O que lemos no nosso céu?




(Fotografias de FAires)

20 comentários:

  1. Muito interessante essa interpretação dos nativos norte-americanos... e essa associação que fazes :)No meu caso pessoal, nunca apreciei muito o fogo de artifício... talvez pelo barulho, dado que não gosto de barulho de uma maneira geral. Aqui na minha terra há "foguetes" por tudo e por nada....quase todos os fins de semana... e cansámo-nos do barulho. Mas se fosse silencioso,julgo que acharia mais piada! Nós temos uma tendência para olhar para os céus... quer sejam as núvens, as estrelas, julgo que esperamos, desejamos respostas, mais do que deixar as nossas próprias pegadas... :)beijinho

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  2. Eva
    Confesso que também não acho piada a foguetes.
    No caso do fogo de artifício, acho que não procuramos respostas, como quando olhamos o céu e as estrelas. Talvez seja uma tentativa de pôr as nossas esperanças em harmonia com o universo, sei lá.
    Bjs

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  3. Fogos, eu confesso, acho lindo de loooooooooooooonge, muito longe.Nãogosto daquele barulho todo. Mas olhar apara o céu pra mim é relaxante. Nem me pergunto nada, apenas olho,relaxo e entro em contato com o meu eu. Vejo omeu real tamanho...beijos,chica

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  4. Chica
    Concordo contigo. Olhar para o céu remete-nos para a nossa verdadeira dimensão!
    Bjs

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  5. Devo confessar que os fogos de artifício sempre me fascinaram, desde miúda. E fogo para ser fogo tem de ter barulho, pois! Talvez este gosto se deva ao facto de ter nascido e crescdo numa região onde, mal desponta a primavera, se iniciam romarias que se prolongam até ao fim do verão e onde, claro está, não podiam faltar foguetes.
    Poderemos olhar o fogo de artifício como as estrelas que descem do céu e estalam sobre as nossas cabeças, obrigando-nos a olhar para cima para que não nos esqueçamos que foi mesmo lá em cima que o universo começou e que um dia aí acabará.
    Votos também de um Bom Ano, com muitas estrelinhas a brilhar por aí! :)

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  6. Teresa
    Gosto dessa imagem do fogo de artifício como as estrelas que descem do céu e estalam sobre a nossa cabeça. Mas acho que as pessoas, nessas alturas, não pensam nos mistérios do universo. Enfim, quem sabe?
    Bjs e Bom Ano para ti também.

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  7. Acho que o Homem desaprendeu.
    Deixou de saber escrever e ler, ler como os índios norte-americanos.
    Que lê o Homem nas estrelas do fogo de artifício? Nada! E nas outras para além? Nada!
    E cá por baixo, que escreve e lê o Homem?
    Isto está um cansaço...íssimo!
    Cá por mim, devo confessar que gosto de fogo de artifício e de foguetes, da luz estrelada e do som que libertam. Não sei se será defeito meu ou efeito da reaprendizagem em que ando.
    Não faça caso, isto já deve ser o Pestana a bater.
    Bom Domingo.
    Bjs

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  8. Este ano assisti a um dos melhores fogos de artifício que já vi em noites de passagem do ano- em Almada. Espectacular!!!

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  9. Carlos
    Temos de voltar a aprender a ler no céu e nas estrelas... nem que seja durante o sono.
    Bjs

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  10. Pinguim
    Vimos o ano entrar em lados opostos do Tejo: eu estava em Lisboa e também vi o fogo de artifício.
    Bjs

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  11. A Natureza tem a sua forma muito peculiar de comunicar com os seres vivos (homens, fauna, flora)... Uns conseguem interpretar os seus sinais, outros não. O homem utiliza artifícios para explicar aquilo que não consegue entender e recorre a simbologia para traduzir as mensagens transmitidas pela Natureza. Gosto muito de fogo de artifício mas não para ler mensagens de prosperidade, ou renovar votos e propósitos. É bonito, só isso. E só existe em "dias de festa"... As estrelas do nosso céu estão lá todos os dias, ainda que não as vejamos, mas estão. Renovo os meus votos todas as noites, porque todas as noites contemplo o espectáculo que a Natureza me oferece!!

    Beijinho*

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  12. A combinação luz e som sempre atraiu as pessoas.
    No caso dos foguetes, acontecendo a uma distãncia que não é ameaçadora, e sim esplendorosa, o êxito é garantido.

    Os sinais.

    Bem, a partir do momento em que foi possível definir uma ideia de finito e infinito, os sinais que possam vir da calote são sempre recebidos com excitação e passíveis das mais variadas interpretações.

    Será essa a razão ara a nossa atracção?
    Provavelmente.

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  13. Olá Lala
    Realmente, durante muito tempo, utilizamos artifícios para explicarmos o que não conseguiamos entender de outra maneira. E alguma coisa ficou em nós, desse modo de nos relacionarmos com o mundo. A exaltação do fogo e das cores relaciona-se com o nosso desejo de felicidade e esperança de coisas melhores. Será isto?
    Bjs

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  14. JPD
    É verdade, é a atracção do som e da luz de uma forma não ameaçadora. Mas continuo a achar que colocamos naquelas estrelas coloridas alguma da nossa esperança num novo começo, melhor e mais brilhante como as próprias estrelas.
    Bjs

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  15. Olá Teresa! Da maneira como anda o mundo [virado do avesso], posso admitir que tenhas razão, no entanto, e vendo as coisas de uma forma mais fria (e talvez incoerente) atrevo-me a colocar a hipótese de que o Homem tenta de todas as maneiras sobrepor-se à Natureza. Quantas e quantas vezes assistimos a fogos de artifício e no final até batemos palmas?? Não vemos isso acontecer à noite, quando o Universo nos dá hipótese de uma nova esperança ao lançar em nós todas as suas estrelas!!

    (Ai que eu hoje estou meeesmo intransigente!):D

    Beijinho*

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  16. Lala
    Aí tens toda a razão. Esse é o nosso grande problema: achamos que podemos dominar a natureza, sobrepor-nos a ela, sempercebermos que, na realidade, lhe pertencemos. Procuramos sinais para nos orientarmos, sem percebermos que devemos começar por mudar atitudes.
    Bjs

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  17. Boa Teresa.
    Claro as que escrevemos no "nosso ceú". Pois, são essas que fazem a diferença.
    Aquelas que se escrevem no firmamento , com pólvora e cores brilhantes, apenas são "show off".Aliás, alguns gostam deste " show " e vivem para ele.
    Afinal, o firmamento merece melhor que apenas umas cores brilhantes.
    Aproveito para agradecer, pelo facto de me ter informado onde estava a passar o filme Ágora. Obrigado Teresa.
    Astro Rei

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  18. Astro-Rei
    Era mesmo aí que eu queria chegar. Nas cores brilhantes com que colorimos o firmamento, nós projectamos os nossos desejos e esperanças, transformando-o no nosso céu, colorido com os nossos próprios anseios.
    E, sobre o Ágora, já viu o filme?
    Bjs

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  19. Faço minhas as sua palavras, Teresa:

    "Temos de voltar a aprender a ler no céu e nas estrelas... nem que seja durante o sono."

    Shisuii

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  20. Shisuii
    Como não farias, se foi no teu blogue que me inspirei para escrever este post?
    Bjs

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