quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Desafio de aniversário


A Vanessa, do blogue Fio de Ariadne, lançou um desafio interessante: para festejar o quarto aniversário do seu blogue, tão ligado às letras e aos escritos, desafiou os seus leitores a escreverem um final para uma pequena história que ela iniciou. Aceitei o desafio e aqui está o resultado: a itálico o início do texto; depois, a minha proposta de final.
Parabéns, Vanessa.

Era um menino que adorava ler. Desde que foi alfabetizado no grupo escolar da fazenda, tinha gostado muito daquela história de juntar letras para descobrir palavras. O menino passava o dia todo procurando algo para ler. Lia os dizeres das latas de manteiga deixando a cozinheira maluca. Lia o rótulo do remédio de bicheira nos cavalos, os jornais velhos que forravam a estrebaria. Lia de tudo, o dia inteiro, mas faltavam os livros.
Um dia a coisa toda mudou...
Até que um dia tudo mudou. Houve um grande incêndio na fazenda. Foi o pânico, todos corriam de um lado para o outro, acartando água, batendo no chão com pequenos ramos para evitar reacendimentos, ou apenas gritando e atrapalhando todos os que tentavam salvar a aldeia e os campos de cultivo à volta. Ninguém ligava importância ao garoto, que fugiu pelos campos para o sítio que lhe pareceu mais seguro: a Casa Grande.
Em situações normais, aparecia logo alguém a enxotá-lo, “Sai daí, miúdo!”. Mas esta não era uma situação normal, toda a gente andava entretida com o fogo. O menino subiu as escadas a correr, sabe-se lá porquê, talvez porque lhe parecesse que mais perto do céu estava mais protegido! Deu com uma grande porta de madeira pesada, empurrou-a e sentiu-se mesmo no céu: era uma sala enorme, cheia de prateleiras até ao tecto e em cada prateleira acotovelavam-se livros de todos os tamanhos e feitios.
O garoto esqueceu-se de tudo, do fogo, do medo… Puxou um livro para si, depois outro.
Quando o dono da Casa Grande entrou na biblioteca, encontrou o menino sentado no chão, com um atlas aberto no chão à sua frente. Com o dedito, apontava sítios, seguia rios, soletrava nomes estranhos e aprendia que o mundo era muito maior do que ele pensava.
Em circunstâncias normais, o dono da Casa Grande ter-se-ia zangado com o garoto. Mas já expliquei aqui que, naquele dia, não havia normalidade em nenhumas circunstâncias.
Talvez fosse o dedito no grande atlas. Talvez fosse o olhar de descobertas e assombros do miúdo. A verdade é que o dono da Casa Grande se sentou ali no chão a falar com ele, perguntou-lhe o nome e os sonhos e convidou-o a vir à biblioteca sempre que ele quisesse. E ele foi.
Quando cresceu, tornou-se professor, das primeiras letras, pois claro!... Mas voltava sempre que podia àquela grande biblioteca, onde os livros cheiravam à sua infância.

6 comentários:

  1. Parabéns!Ficou linda a história.Desenvolveste muito bem.beijos,chica

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  2. Obrigada Chica!
    Sempre uma querida! Bjs

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  3. Olá, Teresa, muito obrigada pela participação. Farei um comentário completo assim que acabar o período de inscrição na promoção, ok?

    Um beijo

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  4. Um espanto! Gostei da tua saída! Pode ter a certeza que eu não escrevia melhor!

    E histórias à volta do vinho que tenhas vivido ou ouvido contar, será que não tens nehuma para participar na próxima blogagem?

    Pensa nisso.
    Bjs Susana

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  5. Olá Teresa!
    Bela terminação e bela imaginação. Porque não começar e acabar uma história? Pense nisso. Aposto em si.

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  6. Obrigada pela confiança, João.
    Acho que eu ainda não aposto assim tanto em mim.

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