sábado, 12 de setembro de 2009

O 11 de Setembro (um dia depois)


Estranha data esta!
Por muito que se passem outras coisas neste dia, sempre que a escrevemos ou dizemos, fica conotada com os atentados de Nova Yorque. A expressão 11 de Setembro ganhou vida própria, como o 25 de Abril: às vezes, os miúdos já não sabem o ano, o que aconteceu exactamente nesse dia; mas não interessa, o que é significativo são os sentimentos que são evocados.
Enquanto a expressão 25 de Abril ficou para sempre ligada à liberdade, à explosão de vida, à democracia, o 11 de Setembro evoca tempos sombrios, medo, insegurança.
Ontem, na rádio, uma senhora dizia, num daqueles programas em que se ouve qualquer pessoa, que "os americanos estavam a pedi-las!" Ela assumia-se como anti-americana e, pelo meio do seu discurso, dizia outros disparates, como, por exemplo, que os americanos tinham lançado bombas atómicas na Europa! Já todos ouvimos este tipo de palavreado, onde se junta ignorância com um pouco de demagogia e muitos lugares comuns. Mas, confesso, não gosto de ouvir. Banalizar, desculpabilizar ou relativizar os actos de violência está sempre errado.

Quando visitei o "ground zero", na Baixa de Nova Yorque, senti que podia ter sido eu, ou familiares ou amigos meus, a serem atingidos por aquele acto estúpido e brutal. Foram pessoas exactamente como nós, algumas provavelmente tão contrárias a certos aspectos da vida política americana como qualquer de nós!
Por isso, revolta-me e entristece-me ouvir comentários como os da senhora da rádio. Não, os americanos não estavam a pedi-las! Ninguém, em nenhum local do mundo, merece uma coisa destas!

15 comentários:

  1. É justamente a ignorãncia do ser humano que me revolta! Independentemente das questões políticas, e dos monstros da guerra, o que está em jogo, são vidas inocentes que jamais mereceriam passar por isso!!!

    Um beijo, Teresa!

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  2. Desculpabilizar é uma moda. Compreender, contextualizar, relativizar, enfim, balelas! Esta atitude normalmente advém de dois tipos de "pensadores": os intelectuais pedantes e, uma praga ainda mais medonha, o opinador-tipo-adepto-ferrenho-de-futebol. Este tipo é sempre a favor de uns e contra os outros. Se é anti-americano, é a favor de todos os seus adversários, nem que sejam terroristas. Se é americanista é anti-árabe primário e ainda vomita impropérios contra os russos como nos tempos da guerra fria. Este tipo de opinador, bem vistas coisas, até tem semelhanças com o primeiro (o intelectualóide pedante), com uma pequena diferença: não chega sequer a ser intelectualóide; é só pedante!

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  3. Pois é Marília, a ignorância gera muita intolerância e violência. A educação é, além do mais, uma questão de cidadania.
    Bjs

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  4. Infelizmente, Manuel, o tal tipo opinador e tal, que sabe de tudo e é presa fácil de demagogias e estereótipos, é muito comum em Portugal. É que isto de pensar e informarmo-nos sobre as coisas dá uma trabalheira!
    Bjs

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  5. Teresa, tens toda a razão naquilo que dizes e infelizmente há toda a espécie de gente pronta a dizer o que não deve.
    Felizmente, o dia 11 passou a ter outro significado mais alegre para nós, cá em casa, mas de facto, é uma data que, por si só, estará sempre associada ao que aconteceu e que nunca será esquecido.
    Um beijo
    Romicas

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  6. Ninguém estava a pedi-las e a atitude da tal senhora só demonstra um certo modo truculento de ver a vida, que eu abomino e que me entristece.
    A pior ignorância é a ignorância pedante dela própria.
    Estive no cimo da Torre 2, no ano anterior ao atentado. E como diz muito bem, podia ser qualquer um de nós.
    Mas mesmo não sendo, não se pode matar em nome de nada: nem da religião, nem da política, nem das ideias, nem das convicções.
    A vida é demasiado preciosa.
    Recordo também o 11 de Setembro com trsiteza.
    Um abraço.
    Tony.

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  7. Foi, de facto, um dia arrepiante. Lembro-me exactamente de onde estava e com quem e do que senti quando vi as imagens - pensei que era o fim do mundo. Era o dia do meu 28º aniversário e foi um triste dia para a humanidade.

    Ah, obg pela msg no meu blog ontem.

    Bjs

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  8. Rosa, Tony
    Infelizmente, o que mais se ouve nos meios de comunicação são pessoas a falar do que não sabem, a dizerem o que lhes apetece. Temos o dever cívico de ir repondo alguma tolerância e bom senso.
    Abraços

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  9. Rosa
    Um beijinho especial de parabéns pelos factos do dia 11, lá em casa. O passarinho prepara-se para deixar o ninho, todos fazemos votos para que tenha voos muitos felizes.
    Bjs

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  10. Maggie
    Há acontecimentos tão marcantes que recordamos para sempre onde estavamos, o que estavamos a fazer quando "aquilo" sucedeu. Os atentados de 11/9 são de facto um deles.
    Bjs

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  11. Pois é, amiga! É de pouco tempo que tais tragédias acontecem por aqui pelo sul, sendo Santa Catarina e Rio Grande do Sul, os mais atingidos... Soube que São Paulo mesmo foi refém desses atos naturais, que nós mesmos, os homens, provocamos...
    Teresa, Deus há de providenciar muito Sol a todos nós pra começar um novo ciclo, com certeza!
    Seu post evidencia que nada melhor que um dia após o outro pra que homens também mostrem as suas forças pra superar uma perda ou uma situação difícil... Claro que são outras proporções... O que você comentou é algo que perpassa maldade, ódio, falta de consideração ao próximo. Se ao ver as imagens daquele episódio chocou, imagina ter um familiar envolvido... Deus é mais!
    Bjs, querida!

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  12. Teresa,
    São abomináveis comentários que nao o de pesar pelo 11 de setembro.Quer o que governantes de qualquer país faça, nunca vai justificar barbaridades como as acontecidas aos americanos. E qual País ou qual povo pode julgar e condenar outros ?
    Estou visitando seus blogs. Devagarinho vou olhando tudo. Bjs

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  13. Com os ataques terroristas ocorridos nos Estados Unidos da América em 11 de Setembro de 2001, pensou-se que a luta contra o terrorismo iria entrar numa nova era, pois a partir dali nenhuma sociedade estaria imune a um eventual ataque.

    Em vez disso, entrou-se num antiamericanismo rançoso, chegando-se ao ponto de dizer que a América estava a pôr-se a jeito para que aquilo acontecesse. É este o discurso de uma parte da esquerda europeia, ressabiada com a desagregação soviética e saudosa do Muro de Berlim, impulsionada pelos meios de comunicação social, alguns deles meros focos de intoxicação da opinião pública. Tamanho ódio e preconceito só é superado pela deliciosa ironia: a América, o país-continente, sempre na vanguarda do progresso tecnológico e civilizacional, onde existe a maior multiculturalidade de raças e credos, onde as minorias são uma voz activa na sociedade e a liberdade e a democracia atingem o expoente máximo. É o país que mais disponibiliza ajuda humanitária e financeira ao exterior e também aquele que acolhe o maior número de imigrantes em busca dos seus legítimos sonhos.

    O antiamericano contemporâneo adora o estilo de vida “yankee”: os filmes de Hollywood, a literatura, a música, os refrigerantes, a “fast-food”, mas é incapaz de reconhecer isso porque é hipócrita. O despeito é tal que se branqueia o papel decisivo da América no desenlace da Primeira e Segunda Guerra Mundial evitando que a Europa caísse num regime totalitário. Claro que nem tudo é perfeito, o sistema de saúde e, principalmente, a sua política geo-estratégica, mais agressiva depois dos atentados. Diz Chateaubriand, “não há nada mais servil, desprezível, covarde e tacanho que um terrorista” - eu acrescento -, e de que um antiamericano.

    http://dylans.blogs.sapo.pt/
    (também tenho direito a ter dois blogs, como a Teresa) eheheheh

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  14. Dylan
    Muito bem explicado: eu não diria melhor!

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  15. Só espero que o Sr. Manuel Cardoso não me considere pedante, mas paciência, também nunca quis ser intelectual...

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