quinta-feira, 24 de setembro de 2009

As memórias


O meu filho disse-me:
- Quero chegar a velho, para ter memórias.
- Não as tens já, agora?
- Não, ainda só tenho lembranças.
Será que há diferenças entre memórias e lembranças? Eu tenho de me lembrar de tanta coisa, todos os dias, ir ao supermercado, pôr comida aos cães, telefonar a um amigo que faz anos, organizar as coisas para o trabalho. Mas, o que constrói as minhas memórias?
As memórias são reconstituições de factos passados, que ficam marcadas em nós, como tatuagens. São selectivas; só fica na memória o que é significativo, as descobertas, as conquistas, fragmentos de conversas, imagens recortadas, amores e desilusões, o colo da mãe, sempre, os primeiros passos dos filhos, oh, tantas coisas dos filhos!
Às vezes, as nossas memórias entrelaçam-se nas memórias da comunidade e adquirem um significado mais lato. Todos nos lembramos do que fizemos no dia da Revolução de 25 de Abril, por exemplo.
Mas a memória também é traiçoeira. Pinta as nossas memórias com as cores que quer, às vezes mais sombrias, às vezes mais intensas e coloridas. As memórias são como uma encenação. Um filme. O filme da nossa vida.

Telhado de Xisto em Piodão (Fotografia de Rosa Martins)

9 comentários:

  1. Talvez o que ele reconheça que lhe falte é a afetifividade vinculada as lembranças, nas palavras de Halbwachs... ou pelo menos perceber que vinculou-os.

    "A memória é uma ilha de edição!" (O salto - O rappa)

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  2. Shisuii
    É verdade, as memórias têm uma grande carga afectiva, por isso ficam tatuadas em nós.

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  3. eu acho que essa variedade de cores de que falas tem a ver com isto: as memórias são tanto mais fortes, quanto mais ligadas estão ao nosso presente.
    Acho que a maior parte de nós vive demasiado apegado às memórias, ao passado. Daí o peso que tem na nossa mentalidade essa coisa horrível a que chamam "saudade". A saudade é a dor da memória, é uma morte lenta de quem despreza o presente.
    Por mim, prefiro as minhas memórias do futuro: o sonho.

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  4. Olá Manuel
    Já sentia a falta dos teus comentários!
    Há saudades mórbidas (tipo fado da Severa!)e há a saudade saudável, quando se recorda com carinho algo que foi bom. Não penso que a saudade seja necessariamente má. E uma coisa é a saudade, outra são as memórias.
    Bjs

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  5. Memórias, lembranças . Penso que o que fica na nossa memória se transforma em lembranças. E. sao tantas!
    Na maioria das vezes vem acompanhada sim da saudade, que doi , doi bstante. Quando as lembranças são boas aa dorzinha faz bem ao coraçao.
    Gosto muito de vir aqui. Abraços

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  6. Lis
    É isso, há lembranças que nos corroem por dentro, e memórias boas, que nos aquecem o coração.
    Bjs

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  7. Olás por cá!!! Vim retribuir a visitinha e com que então professora de historia deixa que te diga que foi a minha disciplina favorita enquanto andava na escola ainda hoje a historia me fascina =)gostei dos teus dois blogs
    Em relação a este ultimo post digo-te nada melhor que este teu ultimo comentário está certissimo palvras sabias
    gostei de ti aqui vou voltar

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  8. gostei Teresa. Gostei. memórias e lembranças.

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