sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Desencontrado

Dizem que Portugal é um país de poetas. Alguns morrem antes de serem reconhecidos. Rui Cacho, jornalista e poeta, faleceu em 2007, deixando alguns poemas publicados. Este é um deles.



Desencontrado


Em casa não me encontrei
Depois de procurar na sala
Na divisão onde guardo livros e papéis
E até no banheiro.
Saí à minha procura
Entrei em vários cafés
Não estava em nenhum.
Telefonei a um amigo
Perguntando-lhe por mim
Respondeu-me que não me via há dias.
Consultei o relógio
Era tarde
E estranhei o sucedido.
Reflecti onde encontrar-me
Mas não atinei…
E desinteressei-me momentaneamente
Da minha pessoa.


(Rui Cacho 1932 - 2007)





(Fotografia Teresa Ferreira)

12 comentários:

  1. Amiga,
    acontece-me tantas vezes não saber de mim ou de me saber outra tão diferente da que um dia fui. Sou tantas e tantas vezes angústia, cansaço, desespero.
    Depois lembro-me dos meus familiares e amigos e lá retomo o caminho, ainda que a muito custo.

    Bom fim-de-semana.

    Beijinhos

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  2. ..."E desinteressei-me momentaneamente, da minha pessoa" . Revi-me, aqui no desencontro... acontece-me.
    Belo poema e bela foto.

    Bom fim de semana, Teresa

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  3. Olá,
    Um bonito poema acompanhado com um foto ainda mais interessante.
    Não sei se de propósito ou se por acaso, acredito mais na primeira hipótese) mas os dois apontamentos bem relacionados; o correr errante das águas entre as pedras com os "caminhos errantes" do "Desencontrado ".

    Um beijo,

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  4. Há que tempos não olhava para a escrita de Rui Cacho, que não conheço, confesso, como deveria.
    Sobre o jornalista, o poeta e o homem, li algures que se todos fossem como ele não havia guerras.
    Que palavras seriam necessárias para falar deste "Desencontrado"!
    Os seus óculos, Teresa...
    Bjs

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  5. Natália, MagyMay
    Às vezes, perdemo-nos de nós próprios. Importante é voltarmos a encontrar o nosso rumo.
    Bjs e bom fim de semana.

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  6. FAires
    Leste muito bem a relação que eu fiz entre a foto e o poema. Até parece que me conheces.
    Bjs

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  7. Carlos
    Confesso que também não conheço muito. Li alguns textos, que achei perspicazes. E li alguns poemas. Gostei deste.
    Bjs

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  8. gostei, Teresa. Não conhecia, obrigada.

    e tb gostei de saber que temos "a pior banda do mundo" e o magnífico José Carlos Fernandes em comum :)

    beijo

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  9. Marta
    No ano passado, ainda por cima, consegui um álbum da pior banda... autografado, no Festival de BD da Amadora. O José Carlos Fernandes, ídolo também do meu filho, ainda fez uns desenhos, conversou, enfim, ainda fiquei a gostar mais dele!
    Bjs

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  10. Oi Teresa
    Concordo com voce que Portugal é um celeiro de poetas e sou supeita pra falar porque minhas publicações no blog são quase todas de poetas portugueses.Me identifico com a linguagem, principalmente.Ainda não tinha lido nada do Rui Cacho, gostei .
    Um bom domingo
    abraços

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  11. Olá Lis
    Gostei da expressão "celeiro de poetas". Na verdade, alguns estão nos espaços iluminados, outros lá nos cantinhos mais poeirentos, escondidos no meio da palha. Ainda bem que há blogues como o seu, para os divulgarem.
    Bjs

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