sábado, 14 de novembro de 2009

Uma aldeia como tantas outras

No fim de semana passado, quase por acaso, fomos descobrir uma aldeia interessante e pitoresca, do interior de Portugal. Chama-se Póvoa Dão e localiza-se perto de Carregal do Sal, próximo da antiga Estrada da Beira.





O drama da maioria das aldeias portuguesas, longe dos grandes centros, fora dos circuitos turísticos habituais, é o isolamento, o abandono, a desertificação. Parte o coração passar por muitas dessas aldeias e não ver ninguém, ou ver apenas meia-dúzia de velhos, porque os mais jovens já foram embora, em busca de uma vida mais fácil. Não é simples alterar o destino dessas aldeias. Mas foi o que aconteceu em Póvoa Dão. Parecia destinada ao abandono e ao esquecimento mas, em vez disso, está cheia de movimento, de conversas e de risos. 





Segundo apurámos, a aldeia ficou abandonada, como tantas outras. Foi então que um empresário do Centro do País decidiu comprá-la. Assim, comprou uma aldeia inteira. E começou a recuperar as casas. Iniciou um negócio de turismo de habitação e, paralelamente, de venda de casas de campo, para segunda habitação. O negócio deve ter corrido bem. Hoje, ao passear pela aldeia, vemos um número razoável de casas com um pequeno letreiro que refere "Vendida". Há outras para alugar, para férias ou fim de semana. Mas estão todas lindas, bem recuperadas, com os pequenos confortos a que estamos habituados e de que já não estamos habituados a prescindir. 





Podemos calcorrear a antiga estrada romana, que passava no meio do povoado. Podemos seguir as indicações e fazer diversos percursos pedestres, que nos levam pelas margens do rio Dão ou a outros locais pitorescos das redondezas. Podemos simplesmente sentar-nos a apreciar os verdes e amarelos e vermelhos e castanhos da bela paisagem do outono. Ou podemos também entrar no excelente restaurante e apreciar um dos bons pratos tradicionais que aí se servem.





O restaurante, só por si, merece uma visita. Todo o ambiente, as ementas, a decoração, nos remetem para outros tempos, para sabores mais ricos e antigos, para um modo de viver em que o tempo passava mais devagar. Estava cheio de clientela.
Gostei de descobrir Póvoa Dão. Aponta um caminho para sair do círculo vicioso do isolamento e do abandono. Pode e deve haver outros caminhos. Mas este é seguramente um bom caminho. 





10 comentários:

  1. Coisa boa andar ou descobrir lugares assi, não é? Lindos!Essas lembranças ninguém nos tira...beijois,chica

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  2. Que bonitas as nossas aldeias, pena a maior parte dos portugueses não a saberem apreciar...
    bjs

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  3. Descobrir uma aldeia que volta a ter movimento e a estar cheia de conversas e de risos!
    Que bom encontrar assim uma terra em que o chão e as casas não sejam de palavras pisadas, mortas, sem vida.
    Obrigado pela partilha deste pedaço de Portugal, que os seus óculos descobriram.
    Viva, Professora!
    Um abraço. Bom Domingo.

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  4. Chica, Lilá(s)
    São sítios lindos, sim, genuínos. Confesso que gosto de andar pelo Portugal profundo, descobrir sítios e ambientes.
    Bjs

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  5. Olá Carlos
    Que bom encontrar aldeias vivas, sim. À conta do turismo? Pois que viva o turismo, as pessoas também têm de ter empregos, não é?
    Abraço.

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  6. Há lugares assim, mágicos, que quase morreram e que por milagre ressurgiram dos escombros.
    Essas aldeias,afastadas dos meios urbanos, são verdadeiras pérolas e uma forma de não perdermos a nossas raízes.
    Está a acontecer o mesmo na aldeia onde a minha mãe vive, em Trás-os-Montes. Já existe agro-turismo, as casas de xisto têm sido recuperadas e as que não eram também estão a sê-lo.
    Estas aldeias são aldeias pequenas mas que nos oferecem momentos de descontração, de convívio com os residentes e de descoberta de nós mesmos enquanto povo.

    Beijos.

    Bom resto de Domingo.

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  7. É uma daquelas terras perdidas que dá vontade de descobrir. Gostamos de ver as placas dos trilhos. Já temos saudades de umas boas caminhadas.
    Bjs

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  8. Natália
    Tens tanta razão! Estas aldeias são espaços mágicos, que nos permitem redescobrir-nos enquanto povo. Todos temos responsabilidade na sua preservação, pelo menos correspondendo ao esforço que é feito na sua revitalização, indo aos sítios, utilizando os espaços.
    Bjs

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  9. Olá Vagamundos
    Ainda bem que vos abri o apetite para umas boas caminhadas. Portugal também tem sítios espectaculares para descobrir.
    Bjs

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  10. Olá,
    Esta aldeia é um exemplo da inteligência e cultura de um Homem. Escrevo-o com H grande porque realmente é um Homem e, sendo um empresário, não querendo "perder dinheiro", constroi algo que talvez fosse um sonho para ele, mas também concretiza o sonho de muitas outras pessoas.
    Felizmente há mais aldeias algumas bem conservadas outras nem por isso. É pena é não haver muitos mais "empreendedores" deste tipo.
    Talvez não fosse tão fácil irmos perdendo as raízes.
    Gostei de estar em Póvoa Dão.
    Um beijo,

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