domingo, 15 de novembro de 2009

O Preto e a Branca

(Este texto é uma resposta ao desafio lançado pela Fábrica de Letras)


Era uma vez uma quinta onde viviam dois gatos: um grande gato preto, chamado, sem grande imaginação, Preto; e uma bela gata branca, chamada, imaginem se conseguirem, Branca. Eram casos raros na quinta, onde imperavam os castanhos, os vermelhos, os azuis e todos os tons de verde. Tal como acontece frequentemente com aqueles que não se conhecem, passavam um pelo outro de largo, com desconfiança, mirando-se como quem não está a olhar.
Um dia, encontraram-se em cima do telhado. Não havia muito por onde andar e tiveram de fazer conversa. “Olá! O meu nome é Preto!” adiantou o gato. “Preto como o carvão. E eu sou Branca como a farinha!” miou a gata. O gato encurvou os bigodes em sinal de interrogação e ela continuou: “Era uma poesia que o meu dono lia aos filhos, quando eles eram pequeninos.” O gato estendeu a enorme pata, enquanto preparava o seu discurso sedutor. “Branca como a farinha, como a luz da Lua, como as nuvens que correm no céu!”
Estava criado o clima para as confidências. Dali a pouco, trocavam desilusões e expectativas. “O meu pêlo é um horror, suja-se imenso!” lamentava-se a gata Branca. “Posso lambê-lo por si!” O gato Preto aproveitava a deixa. “E estou farta de tanta brancura. O que mais gosto em mim são as orelhas, porque são cor-de-rosa!” lamentava a Branca . “Nisso, eu compreendo-a, também estou cansado de ser tão preto. Imagine que há pessoas que fogem de mim, porque dizem que dou azar!” A gata indignou-se: “Que ignorantes!”
Palavra puxa miado, começou a surgir um plano. Se juntassem a brancura da gata Branca com o negrume do gato Preto, o que aconteceria? Na poesia, os gatinhos nasciam todos aos quadradinhos! Valia a pena experimentar!
Dito e feito! A noite estava boa e passaram rapidamente das palavras aos actos. E quando os gatinhos nasceram, não eram todos aos quadradinhos, mas sim dos mais belos e diversos cambiantes de cinzento.





"Se quiser falar ao coração dos homens, há que se contar uma história. Dessas onde não faltem animais, ou deuses e muita fantasia. Porque é assim - suave e docemente - que se despertam consciências". (Jean de La Fontaine).

20 comentários:

  1. Não diz quem lançou a ideia - presumo que tenha sido o gato -, mas há desculpas piores para se conseguir o bem-bom... e desta vez parece que funcionou.

    Que sejam felizes, os gatos... espertalhões!

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  2. Gostei do texto, e rematado com aquela citação ficou um mimo!

    ;)

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  3. Muito legal e criativo,Teresa!Como sempre!beijos,linda semana,chica

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  4. Olá, mais uma vez,

    Gostei do texto.
    Penso não ser a tua intensão, cai hoje dia 16 de Novembro como a "Cereja no topo do Bolo".
    E porquê perguntas ????
    Vê o próximo comentário...
    Até já....

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  5. Ok,
    Continuando a saga comentarista, hoje dia 16 de Novembro, dizia eu é o Dia Internacional da Tolerância.
    Descobri quando hoje vinha passeando de carro.

    A história é também, além de uma história de amizade, uma história e um exemplo de tolerância.
    Mas entre os "animais" não há intolerância.
    Há sim a necessiddade instintyiva de defesa , na maior parte das vezes.

    Já agora hoje também quem faz anos é outro escritor. JOSÉ SARAMAGO, que nasceu em 1922 na Azinhaga do Ribatejo.
    Não sei é se é um exemplo de tolerância.

    Um beijo,

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  6. BOM DIA!
    Vim lhe convidar, para brindarmos juntos na festa surpresa que a Curiosa preparou para o nosso Querido a amigo João.
    A champanhe já está gelando e bolo ficou uma delicia.
    Venha para cá...Vamos brindar mais esta alegria em companhia do João!!!
    Agora vou, tenho muitos para convidar..

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  7. Uuuuuuuh... gatos lascivos. Muito bom. =D
    Gostei especialmente do "Palavra puxa miado". ah ah ah


    *

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  8. Que história ternurenta, Teresa. Linda, linda. Adorei.

    Beijinhos

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  9. Olá Johnny
    Sinceramente, não sei se a ideia foi do gato, acho que houve ali uma vontade mútua, não é?
    O que interessa é que se entenderam, apesar das diferenças.
    Volte sempre. Bjs

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  10. Pepita de chocolate, Chica, Gingerbread Girl
    Obrigada pelos comentários. Sinceramente, achei que o tema se prestava a grandes textos dramalhudos e apeteceu-me aligeirar!
    Bjs

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  11. Natália
    Como também tenho uma gata, branca por sinal, só podia sair uma história com muita ternura.
    Beijinho.

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  12. FAires
    Não sabia que hoje se comemorava o Dia Internacional da Tolerância. Espero que os seres humanos, em muitas coisas, possam aprender com os animais.
    Também acho que o Saramago, que eu até aprecio enquanto escritor (embora não esteja no meu rol de favoritos!), não é um exemplo de tolerância. Mas enfim, muitas vezes quem o critica também não é.
    Bjs. Ainda bem que passaste por aqui.

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  13. Adorei este texto, lindos e fofos e espertalhões os gatitos!
    BJ

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  14. Uma fábula terna e bem humorada. O narrador encaminha-nos com mestria e inteligência para a temática da intolerâncium universo de tolerância e compreensão mútuas. Fiquei a gostar mais de gatos!

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  15. Lilá(s), Luis
    Ainda bem que, entre outras coisas, contribuí para se apreciarem mais os gatos, que são animais que eu adoro.
    Bjs

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  16. Uma história de amor ou será de sedução? Bem entre gatos foi.

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  17. Brown Eyes
    Uma história de sedução entre aqueles que se acham diferentes. Talvez só uma fábula.
    Bjs

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  18. Pra já pra já, tenho a dizer que adoro gatos, e é fácil até imaginar esse . . . namoro entre os dois, sim, até porque os gatos não olham a cores para namorar! Bem bom!
    Beijinho

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  19. Olá outra vez Teresa, obrigada pela visita, venho até aqui pra lhe dizer que o post de participação na Fábrica, está aqui: http://meldevespas.blogs.sapo.pt/
    é o meu outro blog, no Sapo.
    Beijinho
    P.S.-Respondi-lhe à sua visita lá a casa

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  20. Eu não acredito :))) Que coincidência mais deliciosa! Está lindo! Fez uma prosa como poema que eu citei hoje no comentário! Que lindo!!! Obrigado por me ter enviado aqui*

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