sexta-feira, 3 de julho de 2009

Titanic - A Exposição


Hoje, tive de ir à Praça dos Restauradores e aproveitei para espreitar a exposição “Titanic”, que está patente na Estação do Rossio.

Para mim, é sempre um deslumbramento passar na Estação do Rossio, com a sua bela fachada neo-manuelina, num estilo tão em voga no nosso século XIX. Confesso que, da fachada, só não gosto daquela figurinha que representa D. Sebastião, porque… não gosto de D. Sebastião! Se houvesse um ranking para os piores reis de Portugal, ele estaria porventura num dos lugares cimeiros.

Quanto à exposição, foi uma boa surpresa. Está muito bonita, cativante. Vemos objectos que foram encontrados juntamente com o navio naufragado: objectos pessoais, óculos, peças de roupa, malas de mão; também objectos do próprio navio, enormes panelas, centenas de pratos, pedaços dos ornamentos das salas. Podemos tocar num pedaço do casco do próprio Titanic e num bloco enorme de gelo, que simula o iceberg que o afundou. Vemos as imagens das requintadas salas de convívio da primeira classe e entramos nos quartos dos passageiros e da tripulação, reconstituídos com a sua mobília original. Nas paredes, fotografias de pessoas reais, com as suas histórias de vida ou de morte, sempre marcadas por aquela viagem de 1912.

Os próprios bilhetes da exposição são pequenas cópias dos bilhetes da White Star Line; no verso de cada um, a identificação e a história de um dos passageiros. A mim, calhou-me Elizabeth Dean que, com apenas 9 semanas, viajava com os pais e o irmão, em 3.ª classe, para os Estados Unidos da América. Sobreviveu e morreu recentemente, no Reino Unido.

Todos sabemos o que aconteceu ao Titanic. A dois dias do final da viagem, um rombo provocado por um iceberg enviou-o para o fundo do mar. Todos sabemos também que não havia botes salva-vidas em número suficiente e que foi dada primazia aos passageiros da 1.ª classe. A atestá-lo, lá está no final da exposição a lista dos sobreviventes e falecidos; na 3.ª classe, a lista é quase interminável. A diferenciação social na Europa do início do século XX era enorme. E hoje?

Esta exposição sobre o desastre do Titanic leva-me a pensar noutro desastre, ocorrido esta semana: a queda de um avião das linhas aéreas do Iémen, que voava para as ilhas Comores. O avião já não podia voar no espaço europeu, por falta de segurança, no entanto, fora da Europa não tinha restrições. Teremos de concluir que, no que diz respeito à segurança, continua a haver seres humanos de 1.ª, 2.ª e 3.ª classe?

2 comentários:

  1. Mais uma vez, olá Teresa.
    Não vi a exposição, mas confesso q me abriste o apetite. Fascina-me a históra do Titanic, como me fascina a ideia de fazer um cruzeiro. (hello???....patrocinios???). Mas deixo-te uma pergunta: É só no que respeita à segurança que há seres humanos de 1ª, 2ª e 3ª classes? Lembras-te do e-mail que me enviaste, recentemente, com um power point sobre as dificuldades e a vida de outros povos, não europeus? Bj. Ana

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  2. Olha Ana, a exposição vale a pena, está muito interessante. Quanto à tua pergunta... falei na segurança porque era o que estava em causa aqui. Podia lembrar-me de mais meia dúzia de aspectos em que isto se pode aplicar, infelizmente.
    Bjs
    (Se arranjares um patrocínio para o cruzeiro, avisa que eu também alinho!)

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