segunda-feira, 13 de julho de 2009

Postal de Lisboa VII - O Cais das Colunas



Cais das Colunas (Fotografia de Teresa Diniz)

Já há tempos que andava com vontade de ir ao recém-recuperado Cais das Colunas, na Ribeira das Naus (que bem que me sabe escrever estes nomes, nomes com espessura histórica, que trazem consigo o cheiro de fardos de pimenta e canela!).
Durante anos, o Cais das Colunas desapareceu, ou, mais precisamente, as colunas do cais desapareceram. As obras do metropolitano habituaram-nos a não olhar para o rio: só se viam tapumes, entulho e máquinas. As águas estavam sujas e viam-se as coisas mais estranhas a boiar! O próprio Terreiro do Paço perdeu a sua nobreza, constantemente pejado de carros e eléctricos e autocarros e peões a acotovelarem-se para atravessar nas passadeiras. Durante anos, foi simplesmente um grande parque de estacionamento.
Lembro-me que, durante anos, eu e os meus filhos cumprimos um ritual de Natal que consistia em ir à Baixa ao fim da tarde, num qualquer dia de Dezembro, para pasmarmos com as iluminações das ruas (o deslumbramento era parte integrante desse ritual). Depois, comprávamos waffles de chocolate na Rua Augusta e terminavamos o tour, invariavelmente, no Terreiro do Paço, com as mãos e as bocas todas lambuzadas de chocolate, cheios de protestos porque não havia nem um banquinho para nos sentarmos.
Agora continua a não haver banquinhos (com excepção daqueles coloridos, horrorosos, com uma árvore portátil, que povoam o passeio em frente do terminal fluvial), porque o Terreiro do Paço está novamente em obras. Só que, desta vez, parece que a ideia é devolver a Praça aos lisboetas e transeuntes em geral. Agradeço e espero pelo fim de mais estas obras com uma esperança sorridente.
O Cais das Colunas, finalmente, voltou para o seu lugar. Se o Terreiro do Paço é a sala de visitas de Lisboa, o Cais das Colunas é a porta de entrada, é a cidade que nos abre os braços.
O espaço é grande e agradável, com bancos de pedra que seguem a linha ondulada do cais. Há pessoas a passear, a ver o rio, pombos e gaivotas esvoaçam por ali. Há muitos turistas, a fotografar tudo. Uma senhora persegue um pombo com uma máquina fotográfica, mas o pássaro está mal-humorado, não há meio de ficar quieto e fazer uma bonita pose para a fotografia. E eu posso, finalmente, sentar-me num banco, encher o olhar de rio e sentir, na minha imaginação, o cheiro da pimenta e da canela que deram o nome ao Paço que o rei D. Manuel aqui construiu um dia.

Cais das Colunas (Fotografia de Teresa Diniz)

5 comentários:

  1. Do que já vi, tenho a esperança de que, realmente, vá ficar um espaço muito agradável. Esperemos é que as obras cheguem ao seu fim, para que, quem ali passa, possa usufruir de um espaço aprazível junto ao Tejo.
    Desde já fica combinado um passeio.
    Bjokas
    Romicas

    ResponderEliminar
  2. Em primeiro lugar, obrigada por ter passado no meu blog.
    Parabéns por este texto, esta referência (de forma tão doce) a um dos ex-libris de Lisboa - é de facto "a cidade que nos abre os braços".

    Lindo!

    Bjs

    ResponderEliminar
  3. Rosa
    Já está combinado!
    Bjs

    Maggie
    Obrigada pelas tuas palavras. És sempre bem vinda a este meu espacinho.
    Bjs

    ResponderEliminar
  4. Tereza, seu post aumentou ainda mais minha vontade de conhecer Portugal, terra de meus avós! beijos cá de São Paulo, onde está faz um frio horrível! =(

    ResponderEliminar
  5. Ana Paula
    Vale a pena, Portugal é um país lindo e com muita história. Eu, pelo contrário, gostava bem de ir ao Brasil. Talvez um dia aconteça, não é?
    Bjs
    (Agora é uma boa altura para vir cá, está a começar o Verão!)

    ResponderEliminar