terça-feira, 11 de junho de 2013

Mais um 10 de junho...

E pronto, lá passou mais um 10 de junho! Não gosto particularmente deste feriado, a não ser pelo facto, muito agradável, de ser feriado! Mas, para mim, não tem grande significado. 
Começou a ser festejado com grandiosidade durante o Estado Novo, pois antes era um simples feriado municipal, que lembrava o génio de Camões. Mas Salazar aproveitou para juntar ao nome de Camões, que morreu na miséria e tão maltratado pela sua Pátria, a comemoração de Portugal e da Raça. Era assim que se chamava na minha infância, Dia de Portugal e da Raça, que isto da Raça era levado com muita seriedade nos anos 30 do século passado, e com resultados bem tristes, como todos nos lembramos!
Recordo-me bem dos dias 10 de junho da minha meninice. Havia intermináveis paradas militares no Terreiro do Paço, pontuadas por discursos que eu não entendia e só me pareciam aborrecidos. Pelo meio, eram condecorados os militares que se tinham distinguido em combate na Guerra Colonial. Muitas eram condecorações póstumas, recebidas por mulheres ou mães em lágrimas. 
Também havia festas e desfiles promovidos pela Mocidade Portuguesa. Ainda me lembro de ter participado numa dessas festas: estava incluída numa coreografia de ginástica, com fitas, e o que recordo melhor é o calor que se abatia sobre nós nessa tarde no estádio que hoje se chama 1.º de maio.
Talvez por isto tudo, é um feriado que não me diz muito! Gostaria mais que o Dia de Portugal fosse o dia 1 de dezembro, que relembra o dia em que recuperámos a nossa independência. Mas, por qualquer razão, achou-se que essa data era descartável! Considerou-se que mais valia manter o dia da raça, manter os desfiles e as paradas, manter as condecorações...
Valha-nos a comemoração de Camões, pois claro!
E valham-nos as sardinhas assadas, os caracóis, os copos de três e os bailaricos, isto é, valham-nos os Santos Populares! Em sua honra, prometo que daqui ao fim do mês de junho só vou escrever sobre coisas agradáveis!


(Desfile das tropas portuguesas em Luanda, no 10 de junho de 1969 - Fotografia retirada daqui)



10 comentários:

  1. Fazes bem!
    Mas tens que ter algum optimismo porque as coisas agradáveis estão a escassear!

    Abraço

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    1. Oh Rosa, há sempre coisas ótimas à nossa volta! Nós é que por vezes andamos tão acabrunhados que nem as vemos!
      Bjs

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  2. Eu também não acho piada nenhuma a estas festividades, tudo muito encenado, tudo direitinho...
    E concordo plenamente que o 1ºde Dezembro tem muito mais a ver para ser considerado o Dia de Portugal.

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    1. João, se calhar deviam ter feito um referendo!
      Bjs

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  3. O Nando lembra-se de tudo o que disseste neste "post". Conversámos ontem sobre isso enquanto passeávamos no Badoca safari Parque! E também não gosta deste feriado.

    Partilho contigo e com os teus amigos que o dia 1.º de Dezembro, que já nem é feriado, devia ser o Dia de Portugal.

    Beijinhos, querida.

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    1. Badoca Park? Olha que bela maneira de festejar o dia de Portugal!
      Beijinhos para ti e para o Nando.

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  4. Também me lembro desses esquemas de ginástica grandiosos onde estavam representadas uma série de escolas, uma vez fui convocada mas acabei por não ir. Não sei porquê, os meus pais nunca me inscreveram na mocidade portuguesa, mesmo que fosse obrigatório. Mas contava-se que várias crianças desmaiavam, devido a estarem ali demasiado tempo expostas ao calor... ;)

    Às paradas e discursos ligava o mesmo que hoje. Quer dizer, nada! :)

    Retirarem o feriado do 1º de dezembro para mim é uma das maiores aberrações de todos os tempos.

    Beijocas!

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  5. Exactamente, Teresa. Este é um feriado do Estado Novo e foi por iso que este governo não acabou com ele!

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  6. Camões foi tão desgraçado que até teve a infelicidade de Salazar o utilizar!

    O que o Estado NOvo fez a " Os Lusíadas" foi um crime , até parece que o objectivo era ficar -se com um ódio de morte ao poeta ...

    Concordo contigo: o 1º de Dezembro deveria ter sido preservado. Aliás, eu estou contra esta estupidez da abolição dos feriados, diga-se.

    Enquanto os outros povos preservam a memória, os responsáveis portugueses tudo destroem.

    Que te divirtas nos Santos Populares, rrss

    Beijinho

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  7. Excelente, Teresa!

    Valham-nos, realmente, os Santos Populares.

    Bjs

    Olinda

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