terça-feira, 23 de outubro de 2012

Gigões e anantes


Não tenho a intenção de transformar este blogue num espaço de efemérides. Mas Manuel António Pina dizia que a melhor maneira de recordar um poeta era lendo-o. Parece-me bem...
Gigões e anantes. Todos somos, uns dias mais, outros dias menos. Hoje, sente-se um gigão ou um anante?

Gigões são anantes muito grandes.
Anantes são gigões muito pequenos.
Os gigões diferem dos anantes:
uns são um bocado mais, outros um bocado menos.

Era uma vez um gigão tão grande, tão grande,
que não cabia. - Em quê? - O gigão era tão grande
que nem se sabia em que é que ele não cabia!
Mas havia um anante ainda maior que o gigão
e esse então nem se sabia se cabia ou não!
Só havia uma maneira de os distinguir:
era chegar ao pé deles e perguntar.
Mas eram tão grandes que não se podia lá chegar!
E nunca se sabia se estavam a mentir!
Então a Ana, como não podia
resolver o problema, inventou uma solução:
xixanava com eles e o que ficava
xubiante ou ximbipante era o gigão,
e o anante o que fingia que não.

A teoria nunca falhava porque era toda
com palavras que só a Ana sabia.
E como eram palavras de toda a confiança
só queriam dizer o que a Ana queria.
Manuel António Pina in "Gigões & Anantes" (1974)


8 comentários:

  1. Olá Teresa,
    Há de tudo neste mundo!
    Assim acontece com os gorgros e os mados. Os gorgros são tão largos que mal passam na ombreira das portas. E os mados são tão finos, tão finos, que mal os vemos ao longe.:)

    Beijinho

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    1. Ah ah ah! Fantástico!
      Mas eles são enganadores! Nem os gorgros são tão largos, nem os mados são tão finos! Mas cada um de nós é que sabe!
      Beijinho

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  2. Não conhecia esta dos Gigões e Anantes.
    Muito engraçada ( e inteligente ).
    Sabe que perdi mais um AMIGO ?

    Um beijo.

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    1. Lamento, João! Mas os amigos não se perdem, só se afastam momentaneamente da nossa presença!
      Beijinho.

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  3. Uma homenagem a MAP é sempre mais que merecida.

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  4. Uma perda irreparável.
    Ainda bem que nos ficou a sua excelente obra!
    Não conhecia este poema!
    Obrigada!

    Abtraço

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    1. Também foi um amigo que me "apresentou" este poema, e eu roubei-lho!
      Beijinho.

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