segunda-feira, 15 de outubro de 2012

As mulheres, a justiça e o resto...


Foi nomeada uma nova Procuradora Geral para a República, Joana Marques Vidal. Depois de anos de pachorrenta inércia, espero que esta senhora consiga voltar a dar aos portugueses razões para acreditarem na justiça para todos, independentemente da sua riqueza, posição social ou influência política. A Procuradora Joana Marques Vidal tem um currículo promissor. Especializada na área de Direitos da Família e Menores, a procuradora é desde 2010 presidente da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima.
Mas, perdoem-me, fico feliz por ser uma mulher a obter, pela primeira vez, esse cargo cimeiro. As mulheres fizeram um largo caminho em Portugal, nos últimos cinquenta anos. Numa geração, as mulheres passaram de quase analfabetas ao maior grupo de licenciados no país. No entanto, as desigualdades de género persistem. As mulheres, em geral, ganham menos do que os homens, e não ocupam cargos de chefia em consonância com o seu peso nas diversas profissões. Da área da investigação aos orgãos de soberania, as mulheres podem estar bem preparadas, mas são secundarizadas quando toca a escolher quem manda. E, no entanto, elas são sensatas, organizadas e eficientes, pelos menos tanto como os homens. E ninguém as considera incompetentes. O que se passa então?
Os estudos apontam para uma explicação mais prosaica. Anália Torres, por exemplo, que desde há muito tempo estuda a sociologia de género em Portugal, declara: "As mulheres foram capazes de ocupar o espaço masculino, mas os homens não fizeram o movimento em sentido contrário. A mulher aparece como menos disponível, por ser a principal cuidadora da família, não por ser menos competente."
Será que o trabalho na esfera pública é inconciliável com o cuidado da família? Parece-me que não. O segredo está na partilha, claro. E na aceitação de que uma reunião não tem de ser marcada para as 20 horas, pode ser realizada a uma hora razoável sem deixar por isso de ser eficaz.
Joana Marques Vidal tem uma tarefa espinhosa à sua frente, especialmente porque os portugueses estão sedentos de justiça. Desejo-lhe o maior sucesso. Até por solidariedade feminina.

20 comentários:

  1. Olá Teresa,

    Portugal não vive o pior momento da sua história, mas vive um dos piores! Também eu fiquei feliz que tenha sido uma mulher a ocupar este cargo, espero que finalmente se faça justiça a muitas situações irregulares que tem acontecido. Sinceramente, Teresa, não sendo eu membro do governo, nem filiada a qualquer partido, considero que este governo tem estado numa posição ingrata e que as expectativas dos portugueses eram muito elevadas, porém estou a ouvir neste momento as novas medidas de austeridade e ou muito me engano ou o governo vai cair com estes anúncios. Não há portugues que consiga pagar o que eles pedem em termos de irs...

    A ver vamos e veremos se esta senhora se manterá também no seu cargo!

    Beijinhos

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    1. Olá Alexandra

      Infelizmente, também não tenho expectativas positivas sobre a evolução da nossa economia. Pelo contrário, desconfio que estamos a deslizar para um poço do qual não sei como saíremos. Acho que estamos numa situação de pré-ruptura social, porque começa a haver muita gente desesperada.
      Confesso que nem me apetece escrever sobre isto. E a falta de pudor dos nossos políticos e das suas intervenções, dá-me vómitos!

      Parece-me, no entanto, que esta senhora pode ser diferente e fazer alguma diferença. Vamos ver se não nos desilude também!

      Bjs

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  2. Estás perdoada Teresa....

    É verdade que a mulher "fez um longo caminho nos últimos cinquenta anos", até à igualdade de direitos. Apesar de, em muitos setores isso ainda não se verificar.

    Mas igualdade não é celebrar o dia da mulher, criar Apav(s) e coisas do género. E quando a vítima é o homem?

    Beijinho
    (e não me batas)

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    1. JP
      Claro que não te bato, acho que é importante discutir estas coisas. E concordo contigo, chegar à paridade não é celebrar dias e criar organizações. E atuar, no quotidiano. São as pequenas atitudes que fazem a mudança.
      E quando a vítima é o homem? Nesse caso, deve-se atuar também, claro. Só que, em percentagem, é um conjunto muito menor. Tu sabes isso.

      Bjs

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  3. Vai ter uma tarefa muito complicada...lidar com aquele Ministério Público é o mesmo que mexer num vespeiro de interesses políticos que se sobrepoem à Justiça. Desejo-lhe boa sorte

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    1. Carlos
      É precisamente essa a ideia que eu tenho. Espero que esta mulher tenha a força que tantos homens não têm tido!

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  4. Tenho alguma esperança nela pelo seu percurso profissional!
    Tenho alguma formação na área da IG mas não é fácil falar deste assunto mesmo com mulheres!
    Também se continua a confundir sexo com género!
    Há representações sociais metidas na cabeça das pessoas que é preciso esclarecer!
    Claro que também há vítimas homens mas é só olhar para o número de mulheres assassinadas para se ver a diferença...

    Abraço

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    1. Rosa
      As representações sociais, como tudo o que se relaciona com a mentalidade, é o mais difícil de mudar. Às vezes, acho que ainda estamos tão perto do nosso antepassado Neanderthal!
      Bjs

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  5. Eu rendo-me à incomensurável competência das mulheres. Aliás, defendo uma sociedade não sexista, igualitária, mas curvo-me perante qualidades que, temo, as mulheres possuem em quantidade superior aos homens, tais como: a perseverança, a independência, uma maior sustentabilidade face à dor física, a paciência necessária para atingir objetivos traçados e uma maior apetência para o estudo (que implica muita paciência, uma vez que os resultados são sempre em diferido). Enfim, porque não uma sociedade de matriarcas. Ofereço-me como escravo pivô. :)

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    1. Não sei se me atrai uma sociedade de matriarcas! Embora essa oferta seja tentadora!

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  6. Miguel Ângelo Fernandes16 de outubro de 2012 às 23:59

    No plano dos ideais assim se espera, que a nova Procuradora-Geral da República faça... não melhor que os antecessores, que nada fizeram, basta que faça... que Procure... que exerça o poder que deriva da nossa procuração...
    No plano da realidade assim duvido... não por ser mulher... mas porque o sistema político em que estamos metidos a vai cilindrar... a esperança é a última a morrer, mas aqui ficam as minhas dúvidas...
    No plano de outros ideais... estava ali a acabar de arrumar a cozinha e a pensar para comigo... O que é preciso é que as mulheres tomem conta dos negócios do Estado... entretanto lembrei-me da Chanceler Merkel... da diplomata Ana Gomes... da presidente da AR, Assunção Esteves...
    Desejo muita sorte à nossa Procuradora... por mim reafirmo a procuração...

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    1. Bem, logo te foste lembrar de uns exemplos pouco abonatórios para as mulheres. Há de tudo, não é?
      Beijo.

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  7. Concordo inteiramente com o que o Carlos afirmou.
    Não é um cargo fácil e será necessário muito equilíbrio para ser bem sucedido. E pulso forte, claro...

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  8. Esperemos que consiga desempenhar o cargo de maneira séria e isenta.
    O facto de ser mulher nada acresce ou diminui no campo das competências.

    Um beijo

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    1. Lídia
      Tem toda a razão, "O facto de ser mulher nada acresce ou diminui no campo das competências." Por isso é bom ver mulheres atingir estes pontos altos nos organismos do Estado. :)
      Bjs

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  9. Fico feliz por ser uma mulher a ocupar tão alto cargo e espero que outras o ocupem.

    Espero que o desempenhe bem.

    Bons sonhos.

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    1. Obrigada São
      Bons sonhos para todos nós (bem precisamos, que a realidade está um bocadito negra!)
      Bjs

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  10. Já ouvi falar da sua competência como jurista. De resto, vivemos numa sociedade em que, fruto de uma maior paciência e preserverança, as mulheres têm vindo a ocupar lugares de destaque em posições de liderança. Nas universidades, numa grande panóplia de cursos, o universo feminino é já esmagador. Não me repugna uma sociedade matriarca, mas ao menos sexualmente igualitária. Dizer que a mulher é um ser com menores capacidades ou valências, além de manifestamente estúpido e ignorante, é uma pura mentira. E gosto em especial daquelas mulheres inteligentes, que não perdem o feminismo, o charme, "just because" têm de ser líderes e, por isso, "duras". Não se confundam os planos e não se estrague a beleza...

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    1. O que dizer mais? Completamente de acordo!
      :)

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