terça-feira, 9 de outubro de 2012

E daqui a 50 anos?

Decorreu em Portugal um encontro de reflexão e um ciclo de debates com um tema fundamental: como será Portugal em 2030? A questão que estava em cima da mesa era a demografia. Qual será previsivelmente a composição da população portuguesa daqui a 20 anos ou a 50 anos? 
Podemos ver aqui as principais conclusões dos estudos agora apresentados. As projeções apresentadas são aterradoras. O nosso índice de fecundidade é baixíssimo. Será apenas uma questão de cultura? Não me parece. Como mãe, sei bem que a nossa sociedade não protege nem ajuda a maternidade. Embora a licença de maternidade tenha sido alargada no tempo, a mãe trabalhadora não tem direito a apoios que lhe permitam conciliar o trabalho e a maternidade de uma forma razoável. E todos sabemos que ter um filho na creche é tão dispendioso (ou mais!) do que ter um filho na Universidade.
Também sabemos que a esperança média de vida aumentou significativamente. E, se isso é uma boa notícia para todos nós, também temos de ter consciência de que representa um aumento exponencial de encargos, isto se quisermos que os nossos idosos mantenham uma qualidade de vida aceitável.
Estes dois fatores juntos configuram um país inviável, a prazo. Pode não ser o défice a ditar o apagamento do nosso país, nem tãopouco a austeridade, mas sim a evolução demográfica. Nenhum país tem viabilidade económica e social com um racio de cerca de 250 idosos por cada 100 jovens. 
O que fazer então? Esperar pelo fim, chorando os privilégios perdidos? Parece-me que isso não é solução. Talvez seja altura de rever profundamente as nossas prioridades políticas. Há duas áreas onde me parece que é possível atuar. Uma poderá ser o desenvolvimento de políticas natalistas e um apoio muito mais abrangente à maternidade, que altere desde a legislação laboral, até à rede de creches. A segunda terá de passar por políticas ativas de imigração, que protejam os imigrantes e os façam sentir desejados e necessários. Porque são mesmo!
Poder-me-ão dizer que não há dinheiro para nada, quanto mais para isso! Mas, tal como afirmei acima, é uma questão de escolha de prioridades, na hora de tomar as decisões. E, em última análise, de sobrevivência!



(e, no entanto, a Europa continua a fechar portas aos imigrantes, em especial os da África subsaariana e do Magrebe...)

18 comentários:

  1. Teresa,

    escrevi uma vez que o povo Português deixou de fazer as suas poupanças, de amealhar para mais tarde ter como viver em momentos como este que vivemos e é uma verdade. O que vemos, hoje, são pessoas que protestam algumas com razão outras não, o fim das vacas gordas! Andámos anos e anos a viver do faz de conta e acima das nossas possibilidades... educou-se os jovens para que estes vivessem sempre ao sabor das regalias, mas não os preparámos para viver as agonias. Erraram todos, não somente os governos, mas todos... toda a nação... mas como é típico depositamos no vizinho do lado as culpas daquilo que fizemos ou dissemos!

    Parece que quando se pensa em casar, antes de o fazer e ter filhos, todos tem de ter uma vida maravilhosa, com aquele carro e aquela casa de sonho... isto é tão errado! Claro que devemos ter o mínimo de condições, mas quantos e quantos casais não tem o infortúnio de estar no desemprego e ainda assim tem bebés... são loucos? Não! Apenas tem sonhos para realizar!
    Cada vez mais tarde se é pai e mãe pela primeira vez, por causa de percursos académicos, porque se quer ter um emprego estável e garantido! Mas nada é garantido, apenas e morte e eu confesso que quando pensar em ser mãe... serei! 
    Enfim, tudo se resume ao esperar, esperar, esperar e o tempo passa!

    Gostei do que li e é uma grande verdade!

    beijinho

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    1. Alexandra
      Este comentário merecia ser transformado num post, tantas são as ideias importantes que aqui são abordadas!
      A questão da educação dos jovens... por vezes penso que quisemos compensar, através deles, as nossas próprias carências,as dificuldades que tivemos, e só os mimámos e não preparámos para a vida. Porque a vida, realmente, vai-se construindo. Nunca se tem tudo o que se quer. Os filhos vão crescendo à medida que a vida também se vai construindo. No entanto, percebo que hoje é tudo mais difícil do que quando eu era jovem. Os empregos escasseiam, tudo é precário. é difícil construir sem alicerces.
      Beijinho.

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  2. Uma excelente reflexão sobre o problema que é o défice da natalidade e o envelhecimento da população. As propostas que apresentas deveriam ser lidas por quem direito, agindo-se depois em conformidade. Pois, como muito bem dizes, é uma questão de prioridades.

    Bjo

    Olinda

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    1. Olinda
      As minhas prpostas não são originais, é só ler um bocadinho os estudos que têm sido feitos. Mas quem decide deve ter pouco tempo para ler... e os assessores devem ter andado muito ocupados nas juventudes partidárias... :)
      Beijinho

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  3. Infelizmente as políticas dos nossos governantes vão exactamente no sentido inverso. Como podem as famílias encarar um aumento da natalidade com políticas assim?

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    1. João
      Pelo menos no campo da natalidade, tem andado tudo ao contrário, como a bandeira...
      (Que prazer ver-te aqui outra vez!)
      Bjs

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  4. É bem verdade Teresa,
    A esperança média de vida aumentou significativamente, mas em contrapartida a taxa de natalidade diminuiu dramáticamente, e isto pode, efetivamente causar sérios problemas. Não só pela subsistência da Segurança social, mas pela falta de braços para os trabalhos produtivos.

    E isto pode ser muito pior do que qualquer programa de austeridade. Para o nosso país mas não só....é um fenómeno á escala mundial.

    Beijinho

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    1. JP
      É um problema tremendo, que afeta todos os países desenvolvidos, uns mais do que outros. Portugal é dos países com uma taxa de fecundidade mais baixa, mesmo entre os países europeus. Será que é um país viável?
      Bjs

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  5. Esta é uma questão fundamental e, como bem referes, da nossa própria sobrevivência como país. Mas até ao momento todos os governos estiveram sempre de olhos fechados para o problema. Na Europa este problema também existe, mas tem sido combatido com planos de incentivo à maternidade. Em 1985, quando estive em Paris, estava em curso uma campanha dessas, com outdoors na rua e tudo, para chamar a atenção dos franceses para a nova política governamental sobre o assunto... ;)

    Aqui é quase uma pescadinha de rabo na boca: não há dinheiro, logo não se faz nada. E como as pessoas estão a viver com mais dificuldades, obviamente não pensam aumentar o seu agregado familiar. E havendo menos crianças e mais idosos, também aumentam os custos com a segurança social (a longo prazo, esta deixará de existir) e menos dinheiro haverá... Solução, haverá, certamente! Mas vontade? :P

    Beijocas!

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  6. Pois é, Teté, parece que tem andado toda a gente a assobiar para o lado, deixando a pescadinha de rabo na boca a crescer!
    A França tem uma política pró-natalista clara, talvez por isso é dos países europeus com maior taxa de fecundidade. Porque é que não aprendemos qualquer coisa?
    Beijinho.

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  7. Não há qualquer incentivo à natalidade, conciliar a vida profissional com os filhos é cada vez mais difícil para as mulheres, economicamente a situação não ajuda e realmente é uma questão de prioridades. E sim teme-se a imigração... incompreensivelmente. Esta é uma excelente análise, Teresa. Beijinhos

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    1. Fátima
      Só essa questão da conciliação da vida profissional com os filhos já mereceria um post inteiro! (Talvez o faça mesmo)
      Quanto aos imigrantes, não compreendo as atitudes xenófobas que por aí pululam, parecem-me ignorantes e quase suicidárias, no estado atual das coisas.
      Beijinho.

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  8. Acabei de agendar para amanhã um post que vai um pouco nesse sentido. Depois de o escrever, li uma notícia que me deixou um bocado perplexo e se relaciona co o que a Teresa aqui escreve:
    Na Alemanha, a ministra do Trabalho aumentou os impostos dos jovens empregados ( entre os 20 e os 35 anos) para garantir as reformas dos idosos.
    Por cá temos gente de vistas curtas, incapaz e tomar medidas no sentido que a Teresa aponta. No Encontro de que fala, foram apontadas muitas pistas, mas não vi lá ninguém do governo interessado em ouvir as propostas.
    Este governo opta pelo genocídio, matando os velhos e expulsando os jovens.
    Como o cometário já vai longo, apenas um apontamento final. Em 2090 a população portuguesa deverá ser pouco superior a 6,5 milhões,( sendo mais de 4 milhões e meio com mais de 65 anos) se não se inverterem rapidamente as políticas .

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    1. Carlos
      A Alemanha não é grande exemplo nesta coisa da natalidade. É, com Portugal, dos países mais envelhecidos da Europa.
      A última projeção que aponta, de 2090, é verdadeiramente assustadora. Como pode um país sobreviver nessas circunstâncias?

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  9. Perdemos o nosso tempo com repetições de erros mesquinhos, só olhamos a números que são seguidos do símbolo € e não prestamos atenção ao futuro que estamos a construir... Temo por isso...

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    1. Também temo pelo nosso futuro coletivo.
      Bjs

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  10. Quando somos governados sistematicamente por gente que não tem nenhuma visão nem conhecimento nesta matéria, o resultado só pode ser catastrófico.
    Tem que haver uma mudança rapidamente.

    beijinhos

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    1. Nestas coisas, as intervenções demoram muito tempo a sortir efeitos. Temos de mudar de políticas rapidamente.
      Beijinho.

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