terça-feira, 13 de março de 2012

As madrugadas

É de madrugada que as tempestades assolam os quartos, onde tentamos dormir. É a hora de todos os pesadelos, quando os fantasmas rodopiam e se instalam à nossa volta.
Li em algum lugar, algum dia, que não há mais escuro do que a meia-noite. Mas há, sim. Há aquela hora que não é noite nem dia, nem ainda madrugada. A hora dos nevoeiros, das figuras que passam fantasmagóricas na rua. A hora em que cada ruído assume um significado colossal, que nos deixa alerta, nem sabemos bem para quê. A hora em que cada pensamento que arredamos durante o dia, regressa, triunfante. Sim, porque os pensamentos indesejáveis fogem do sol como o diabo da cruz. Mas, a coberto das madrugadas, voltam e sentam-se à nossa beira. Para onde quer que viremos a cabeça, eles aí estão, repetindo as mesmas ideias, como uma ladainha que nos enreda e da qual não conseguimos sair. É a hora das tempestades. 

 (Van Gogh Noite Estrelada - Imagem retirada da WikipediaCommons)

17 comentários:

  1. Lindo!!!Nas madrugadas tanto acontece e pode acontecer...beijos,chica

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Ou nós achamos que tudo pode acontecer!
      Beijinhos.

      Eliminar
  2. É uma realidade, de facto.
    É só no final do sono, que esses "pesadelos" me aparecem.
    Sonhos estranhíssimos e que envolvem pessoas amigas ou conhecidas.
    Coisas mirabolantes !

    Um beijo.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Podia ser outro nome: a hora dos pensamentos mirabolantes!
      Beijinho.

      Eliminar
  3. É a hora de todos os medos.
    Muito bem descrita, de uma prosa poética muito cativante.

    ResponderEliminar
  4. Pois é uma hora que gosto muito, quase tanto como do pôr-do-sol! Para mim é apenas a promessa de mais um dia que vai nascer... :)

    Mas claro que a tua visão é bastante mais poética. Só podia! :D

    Beijocas!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Nós olhamos o mundo com os nossos olhos interiores, parece-nos promissor ou ameaçador consoante a nossa própria disposição.
      Claramente, tu és uma pessoa positiva!
      Beijinhos e as melhoras.

      Eliminar
  5. Olá, Teresa!
    Cá estou de regresso a estes "óculos" que tanto cativam.
    As minhas "tempestades" não escolhem só as madrugadas.
    Elas surgem, num qualquer despertar,por fugaz que seja,em especial num daqueles em que a alma se torna simples e deixa de pensar para se entregar ao aconchego.
    É,então, que os pensamentos, oportunistas que são, surgem a tempestear.
    Já, por mais de uma vez, abri os olhos, olhando para o escuro mais escuro que encontrei, a ver se agarrava os pensamentos.
    Mas, está bem, está! São mais escorregadios que uma enguia. Não há quem lhes deite a mão.
    Acrescento que gosto das madrugadas, sobretudo das que me dizem "vira-te" e me deixam voltar a entrar no sono até ser dia. Aquele pedaço do melhor sono que há, digo eu!
    Abraço

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Olá Carlos
      Seja benvindo outra vez!
      E tem razão, as madrugadas também podem trazer uns soninhos bem agradáveis!
      Beijinho.

      Eliminar
  6. Pois é, Teresa, talvez essa seja em hora em que se insinua uma espécie de fronteira entre aquilo que somos e o que não somos, ou simplesmente um alerta para o muito que não sabemos de nós...

    Beijo :)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Uma hora estranha, em que somos confrontados connosco próprios.
      Bjs

      Eliminar
  7. Tens toda a razão. É a hora dos medos...

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. A hora em que os medos vêm à superfície...
      Bjs

      Eliminar
  8. Escrita e ilustração soberbas. Os rodopios não me deixaram indiferente.
    :)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Os rodopios não deixam ninguém indiferente...
      :)

      Eliminar
  9. Miguel Ângelo Fernandes15 de março de 2012 às 20:19

    Acordar é entreabrir a porta do subconsciente... quase uma caixa de Pandora para onde fomos atirando com o entulho do dia a dia, mesmo sem sabermos... mas isso não interessa nada, porque a essa porta entreaberta para um "mundo" que achamos não conhecer, opõe-se a renovação e a vida, todos os dias e isso só sabe quem assim escreve... Obrigado por partilhares a tua escrita com quem a sabe...

    ResponderEliminar