terça-feira, 27 de março de 2012

Os Sexalescentes

Recebi, através da internet, um texto que achei muito interessante. Não sei quem o escreveu, por isso limito-me a reproduzi-lo tal como o recebi. Trata de uma nova realidade: a das pessoas que, estando agora na faixa etária à roda dos sessenta anos, têm uma atitude nova perante a vida, o trabalho, as relações familiares e amorosas, o lazer, a imagem que fazem de si próprias. É uma realidade quase revolucionária, mas de que mal nos apercebemos, uma revolução silenciosa. Na geração dos nossos avós, os sessenta anos representavam o limiar da velhice. Agora, representam o limiar de uma nova disponibilidade para o mundo, mais refletida, mais madura, mas nem por isso menos plena. Vale a pena ler.


Está aparecendo uma nova faixa social: a das pessoas que andam à volta dos sessenta anos de idade, os sexalescentes: é a geração que rejeita a palavra "sexagenário", porque simplesmente não está nos seus planos deixar-se envelhecer. Trata-se de uma verdadeira novidade demográfica, parecida com a que, em meados do século XX, se deu com a consciência da idade da adolescência, que deu identidade a uma massa de jovens oprimidos em corpos desenvolvidos, que até então não sabiam onde meter-se nem como vestir-se.
Este novo grupo humano, que hoje ronda os sessenta, teve uma vida razoavelmente satisfatória. São homens e mulheres independentes que trabalham há muitos anos e que conseguiram mudar o significado tétrico que tantos autores deram durante décadas ao conceito de trabalho. Que procuraram e encontraram, há muito, a atividade de que mais gostavam e que com ela ganharam a vida.
Talvez seja por isso que se sentem realizados... Alguns nem sonham em aposentar-se. E os que já se aposentaram, gozam plenamente cada dia, sem medo do ócio ou da solidão, crescem por dentro, quer num, quer na outra. Desfrutam a situação, porque, depois de anos de trabalho, criação dos filhos, preocupações, fracassos e sucessos, sabem bem olhar para o mar, sem pensar em mais nada, ou seguir o voo de um pássaro da janela de um quinto andar...
Neste universo de pessoas saudáveis, curiosas e ativas, a mulher tem um papel destacado. Traz décadas de experiência de fazer a sua vontade, quando as suas mães só podiam obedecer, e de ocupar lugares na sociedade que as suas mães nem tinham sonhado ocupar. Esta mulher sexalescente sobreviveu à bebedeira de poder que lhe deu o feminismo dos anos 60. Naqueles momentos da sua juventude, em que eram tantas as mudanças, parou e refletiu sobre o que, na realidade, queria. Algumas optaram por viver sozinhas, outras fizeram carreiras que sempre tinham sido exclusivamente para homens, outras escolheram ter filhos, outras não, foram jornalistas, atletas, juízas, médicas, diplomatas... Mas cada uma fez o que quis: reconheçamos que não foi fácil, e, no entanto, continuam a fazê-lo todos os dias.
Algumas coisas podem dar-se por adquiridas. Por exemplo, não são pessoas que estejam paradas no tempo: a geração dos "sessenta", homens e mulheres, lida com o computador como se o tivesse feito toda a vida. Escrevem aos filhos que estão longe (e veem-se), e até se esquecem do velho telefone para contactar os amigos: mandam e-mails com suas notícias, ideias e vivências. De uma maneira geral, estão satisfeitos com o seu estado civil e, quando não estão, não se conformam e procuram mudá-lo. Raramente se desfazem em prantos sentimentais. Ao contrário dos jovens, os sexalescentes conhecem e pesam todos os riscos. Ninguém se põe a chorar quando perde: apenas reflete, toma nota, e parte para outra ...
Partilham a devoção pela juventude e suas formas superlativas, quase insolentes de beleza; mas não se sentem em retirada. Competem de outra forma, cultivam o seu próprio estilo... Os homens não invejam a aparência dos jovens estrelas do desporto, ou dos que ostentam um Armani, nem as mulheres sonham em ter as formas perfeitas de uma modelo. Em vez disso, conhecem a importância de um olhar cúmplice, de uma frase inteligente ou de um sorriso iluminado pela experiência.
Hoje, as pessoas na fase dos sessenta estreiam uma idade que não tem nome. Antes seriam velhos, e agora já não o são. Hoje têm boa saúde, física e mental; recordam a juventude, mas sem nostalgias porque a juventude, ela própria também está cheia de nostalgias e de problemas. Celebram o sol em cada manhã e sorriem para si próprios... Talvez por alguma secreta razão, que só sabem os que chegam aos sessenta no século XXI.
 (Fotografia tirada em Alfama, em 2010)

18 comentários:

  1. Era bom que todos e todas estivessem nesta situação...quer dizer, sem preocupações com a vida dos filhos, a poderem gozar em pleno a aposentação depois de tantos anos de trabalho!
    Em todo o caso revejo-me e revejo aqui muitos amigos, em grande parte da crónica!

    Abraço

    ResponderEliminar
  2. E pronto, lá caminhamos nós para a sexalescência, com vontade de viver a vida (e não de arrumar as botas). Que até é o mais importante... :)

    Beijocas!

    ResponderEliminar
  3. Muito legal e também recebi! beijos,ótima semana,chica

    ResponderEliminar
  4. Está excelente o texto! corresponde bem a uma realidade que vou notando em alguns amigos...ainda bem que assim é, esperemos que continue até eu lá chegar...
    Bjs

    ResponderEliminar
  5. Nos últimos anos, a grande conquista dos seniores, foi a sua independência (Económica e social) e a consciência da importância DO ENVELHECIMENTO ACTIVO. Os idosos deixaram de ser trapos e dependentes dos filhos. Tornaram-se um target group de grande importância nos parâmetros da sociedade de consumo, por serem um grupo que procura mercados específicos. Temo, no entanto, que pelo menos em Portugal, esse estatuto esteja a ser posto em causa pelo actual governo, para quem os velhos são um estorvo que custa muito dinheiro ao Estado.
    O texto é muito bom, obrigado pela partilha.

    ResponderEliminar
  6. Um texto muito interessante e só me faltam 4 anos para ser assim :)

    ResponderEliminar
  7. Pois, parece que vamos a caminho de sermos sexalescentes, realizados, infoadaptados, seguros de nós próprios e do nosso lugar na sociedade. Pena que nem todos possam beneficiar desta situação!

    ResponderEliminar
  8. Teresa, gostaria de partilhar o optimismo deste texto, mas infelizmente vejo uma geração que está a cuidar e a partilhar os seus rendimentos com os filhos desempregados e sem futuro.
    Desculpa , ando pessimista mesmo :)

    beijinhos

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Pois é, Fê, infelizmente há de tudo, mas pelo menos essa geração tem capacidade para ainda ajudar os seus. Tenhamos alguma esperança no futuro!
      Bjs

      Eliminar
  9. Quer isso dizer que se eu já sou assim aos 40, aos 60 andarei a correr nu pelas ruas?!?

    ResponderEliminar
  10. Hum... muito interessante :) É de facto uma realidade que já vinha a constatar mas acerca da qual ainda não tinha lido nada em concreto. O texto está muito bem construído e bem argumentado.
    Os meus avós já passam bem dos 70 e mesmo assim, sobretudo o meu avô, ainda têm uma vida muito activa, gosto muito de os ver assim, e espero vê-los assim por muitos anos. Quando vou a casa de fim de semana é o meu avô que me desafia para uma corridinha e não o contrário :p
    Falo com eles através do Skype ou facebook. É muito bom mesmo vê-los assim!*

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. É realmente uma nova realidade, quer chegou com o aumento da esperança média de vida, mas também com a espantosa adaptação que as pessoas dessa faixa etária fizeram a um mundo que funciona de uma forma bem diferente.
      Bjs

      Eliminar
  11. Eu cá sou uma verdadeira "sexalescente"... E só me reformei porque me vi forçada a isso. tive muita pena.

    Beijinhos sexalescentes...

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. É caso para dizer: muitos parabéns, Graça!
      E beijinhos.

      Eliminar
  12. É uma maneira muito saudavel de viver os 60 e os que se seguem. Temos vários exemplos disso mesmo na familia. É de salutar!
    Beijinhos

    ResponderEliminar
  13. Olá,

    Também recebi este texto no email e achei-o um mimo. É lindo e dá-nos esperança para o nosso futuro. Nem tudo é mau! O amor é tudo!

    Beijinhos

    ResponderEliminar