quarta-feira, 10 de abril de 2013

O regresso ao sestércio

 
Como sempre, a literatura antecipa e lidera a realidade. Quatro escritores do sul da Europa decidiram reunir-se num debate no Parlamento Europeu, organizando-se enquanto grupo regional. Parece-me uma ideia interessante, precursora... Acho até que devíamos fazer o mesmo em termos políticos, talvez avançar para uma União dos Povos do Sul da Europa, os países do arco mediterrânico.
Admito que fiquei boquiaberta quando um alto dirigente alemão declarou que os habitantes do sul europeu tinham inveja da Alemanha! Não compreendo como se pode ter inveja de um povo que se alimenta de sauerkraut! Que, de quando em vez, tem assomos de superioridade patriótica com maus resultados em toda a Europa! Ou que, simplesmente, não tem sentido de humor!
Acho, portanto, que devíamos puxar do nosso orgulho e proclamar uma Confederação dos Países do Sul. Uma espécie de Grito do Ipiranga, mas gritado das margens de um dos rios que corre para o Mediterrâneo.
Temos alguns pergaminhos, cá no sul! O Império Romano construiu um espaço de paz e prosperidade que durou alguns séculos, até ser destruído pela invasão dos bárbaros do norte. Aí tivemos a nossa primeira moeda única, o sestércio. Podíamos, portanto, criar uma grande "zona sestércio", com liberdade de circulação de pessoas e mercadorias. Os órgãos financeiros, como o Banco Central do Sul, poderiam ficar sediados em Palermo, já que a Sicília tem instituições com vasta experiência na extorsão financeira. O próprio hino dessa grande união do sul deveria ser uma ária de ópera italiana, em vez do "Hino da Alegria" de Beethoven. Ou um cante alentejano, que é candidato a património imaterial da Humanidade, quem sabe? Ou até uma dança de flamenco, que sempre tornava as reuniões das comissões mais animadas.
E quando os nossos vizinhos do norte quisessem cá vir passar férias, seriam bem vindos. Só teriam de pagar uma sobretaxa, que se poderia chamar "taxa de sol"! Ou "taxa da sardinha assada"!
Já imagino por aí muita gente a acusar esta minha proposta de ser irrealista ou mesmo uma piada de mau gosto. Mas olhemos para a realidade atual nesta velha Europa: haverá visão mais surrealista?

6 comentários:

  1. E o Papa, que está do lados dos pequeninos, e o Vaticano também eram nossos...
    Boa!
    :)

    ResponderEliminar
  2. É verdade, Rui!
    E o Vaticano também tinha jeito para tratar das nossas finanças!

    ResponderEliminar
  3. Bora nessa! Essa da inveja da Alemanha está muito boa: eles se pudessem já tinham comprado o nosso Sol. E o mar. E sabe-se lá que mais, que também só vêm o símbolo do euro à frente do nariz...

    Mais surrealista que isto... é impossível!

    Beijocas!

    ResponderEliminar
  4. A inteligência feminina avança mais do que esses colarinhos brancos que andam tomando cafezinhos em reuniões e voando em jatinhos,
    E tomara que o Papa agora sul americano humanize o Vaticano tirando aquela pompa toda que só faz humilhar os pobres coitados que rezam sem saber pra quê,
    Parabéns Teresa ,gostei muito.E de gente assim que precisaríamos à frente de grandes decisões.
    fica o abraço

    ResponderEliminar
  5. ahah a taxa da sardinha assada parece-me muito bem! Tal como a dança de flamenco :)
    Adorei, muito bem captado!

    ResponderEliminar
  6. Uma ideia de mau gosto?
    Antes pelo contrário...

    ResponderEliminar