domingo, 26 de abril de 2009

Postal de Lisboa

Já visitei várias capitais, grandes cidades do mundo, mas, para mim, nenhuma se compara a Lisboa. Nasci na Maternidade Alfredo da Costa, já lá vão uns anitos, cresci entre a Penha de França e Benfica. Lisboa é a minha cidade. Consigo ver o que tem de belo e o que tem de podre. Mas eu não acredito em mundos ideais, homens novos, sítios perfeitos. Lisboa é como cada um de nós, com as suas grandezas e as suas misérias.
Gosto de entrar em Lisboa a partir da margem sul: chegar por uma das pontes que cruzam o rio Tejo, por exemplo. Mas como gosto mais de entrar em Lisboa é de barco. Atravessar o Tejo num dos barcos que saem do Barreiro ou do Seixalinho, no Montijo, é uma experiência muito mais rica. A cidade desfila vagarosamente defronte de nós. Primeiro a zona oriental, com o Parque das Nações e a sua afirmação de modernidade. Depois, a zona das docas, com os navios de carga e de cruzeiro lembrando outros caminhos e outras viagens. Mais acima, os prédios de Chelas e as Amoreiras. Encontramos a Graça, S. Vicente, o Panteão Nacional. Finalmente, a bela sala de visitas da cidade, o Terreiro do Paço. Subindo o olhar, encontramos a Sé e, lá mais em cima, como um guardião da cidade, o Castelo de S. Jorge. Está um dia de sol e a cidade resplandece à beira das águas. Faz-me lembrar Veneza vista do Gran Canal, ou Lausanne vista do rio Lago Leman. Mas aqui não há barcos de recreio, cheios de turistas de máquina fotográfica em punho. Estes são barcos de gente trabalhadora, que vai diariamente para Lisboa, que já viu estes prédios e estas pequenas ondas do rio centenas de vezes. Nem levantam a cabeça, mergulhados nos seus jornais, nos seus telemóveis, nos seus pensamentos. E Lisboa desdobra-se à minha frente, como um postal ilustrado, como um filme feito só para mim.

5 comentários:

  1. Eh, eh! Gosto de ver como estás empenhada em transmitir o que te vai na alma... E eu cá estou sempre a ler!
    Obrigada pelo postal ilustrado. Dá para ir percebendo à medida que vais escrevendo.
    Bjokas.
    Romicas

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  2. Se for para escrever o que não me vai na alma, não vale a pena escrever, não achas?
    Deu para ter vontade de fazer esta viagem, ou não?
    Bjs

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  3. Era já!
    Sabes como estou sempre pronta para o desconhecido e como gosto de visitar novos lugares. Mais a mais, com uma companhia como a tua...
    Bjokas
    Romicas

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  4. Esta é fácil de realizar. Quando cá vieres, combinamos e vamos a Lisboa de barco. Vais ver que vale a pena.
    Bjs

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  5. Boa!
    Vamos mesmo!
    Gang das Bengalinhas começa a atacar...

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