sexta-feira, 10 de abril de 2009

Aldeia


Por alguns dias, troquei os flamingos e o estuário do Tejo pela paisagem serrana da aldeia da Beira Alta, berço de alguns familiares do meu marido. Não seria capaz de viver aqui, sou demasiado urbana. No entanto, gosto da pureza ingénua da aldeia. Gosto de acordar com o som do sino da aldeia. Gosto de abrir a janela de manhã e ver os cumes da Serra da Estrela, coroados de neve, ou de nuvens, ou banhados de sol. Gosto das casas de granito, sólidas, sérias, fiáveis. Gosto do forno comunitário da aldeia, onde a prima Rosita ainda sabe cozer pão e bôlas de carne. Nesta altura do ano, gosto dos campos e encostas polvilhados com os tufos de florinhas brancas da urze, como uma neve tardia. Gosto dos cães da serra. Gosto dos caminhos ladeados de pinheiros e delimitados por pedras centenárias.


E, imperdível mesmo, gosto do arroz de carqueja e da feijoada à moda dos pastores da Serra da Estrela do restaurante “O Júlio”, em Gouveia, que por acaso não me paga a publicidade!

4 comentários:

  1. Parece que nos acontece a todos. Nasci e vivi quase toda a minha vida no Porto, bem no coração da cidade. Tal como tu fui moldado pela cidade, mas à medida que envelheço ou cresço, mais contemplativo sou…bem pelo menos tenho vontade de ser. Quando as coisas correm bem, há sempre um tempo para tudo. Consigo finalmente apreciar as pequenas coisas que sempre associei ao tédio e à decrepitude. A maior parte delas só se aprecia realmente fora da cidade, e muitas vezes quanto mais longe melhor.
    Por isso sempre que posso, saio daqui para a praia, ou para as Serras…
    E nos próximos anos penso entreter-me por aí…por essas bandas que são as bandas dos familiares da minha companheira , onde estamos a recuperar um casebre de férias, na Aldeia das Cenouras, pertinho da Guarda…
    Não me vou esquecer do "Júlio ".
    Boa Páscoa e aproveita bem o que resta das férias…
    Nelson

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  2. Pois é, se calhar é o andar dos anos que nos dá a capacidade de abrandar para olhar o mundo de outra maneira. Continuo a gostar muito de viajar , se pudesse acho que ainda era capaz de fazer um costa-a-costa na América, por exemplo, mas também encontro prazer nas pequenas coisas que Portugal tem e que muitas vezes nos esquecemos de apreciar.
    Boa Páscoa para ti também e bom restinho de férias...
    Teresa

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  4. Olá amiga
    Não te conhecia tão bucólica. É verdade, à medida que vamos crescendo, vamos apurando o nosso olhar o mundo. É verdade que todos os lugares têm o seu encanto, embora, para mim, a paz e a tranquilidade estejam onde nos sentimos bem: na cidade onde o tempo corre a uma velocidade intensa ou no campo onde a quietude da natureza nos inebria. Basta apurar o olhar e em todo o lado as coisas acontecem.
    Aproveita bem todos os momentos e vive-os com se fossem únicos.
    Bom descanso.

    Olívia

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