terça-feira, 14 de abril de 2009

Avançar

O tempo começa a passar e eu começo a reconciliar-me com o mundo. Há que avançar, sempre. Por muito que tenha perdido, há que recomeçar, reconstituir, refazer. E não olhar para trás.

Quem me dera que eu fosse o pó da estrada
E que os pés dos pobres me estivessem pisando...

Quem me dera que eu fosse os rios que correm
E que as lavadeiras estivessem à minha beira...

Quem me dera que eu fosse os choupos à margem do rio
E tivesse só o céu por cima e a água por baixo...

Quem me dera que eu fosse o burro do moleiro
E que ele me batesse e me estimasse...

Antes isso que ser o que atravessa a vida
Olhando para trás de si e tendo pena...

(Alberto Caeiro)

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