terça-feira, 5 de janeiro de 2016

O professor do ano

Fim de ano, início de ano... épocas de balanço! Daqui a pouco começamos a ouvir notícias sobre os Óscares, os Emmys e... o professor do ano! Este prémio começou a ser atribuído em 2007, e o primeiro professor a ser agraciado com o título e o montante pecuniário respetivo foi Arsélio Martins, pai da nossa estimada deputada Catarina Martins.
Digo desde já que não simpatizo com este prémio. Nem me parecem muito fiáveis os seus critérios de atribuição. O que faz um bom professor? O número de vezes que falta ou não falta? Os projetos que dinamiza? As visitas que faz com os seus alunos? Se cumpre ou não os programas escolares? O que é que torna um professor importante na vida dos seus alunos? Será algum fator que possa ser medido, ou mesmo avaliado por quem está do lado de fora da sala de aula?
Li alguns artigos sobre os professores agraciados ao longo destes anos. Falavam em carinho e empenhamento. Como se isso se medisse facilmente!... Noutro caso, o repórter dizia que o professor premiado tinha pago do seu bolso viagens aos alunos. Isso não é ser bom professor, é ser bom samaritano! Enfim, os critérios parecem-me um tanto duvidosos. Provavelmente, o melhor fator é ter alguns amigos nos lugares certos...
Este ano, tenho um colega que trabalha em três escolas. É um jovem professor de Geografia, contratado. Para ter um horário completo e contar o tempo de serviço por inteiro, dá aulas na minha escola, em Lisboa, mais oito horas letivas em S. Domingos de Rana e outras tantas numa escola em Santarém!
Se ele conseguir chegar ao final do ano letivo sem ter nenhum acidente nem ir à falência à conta da gasolina... se conseguir decorar o nome de todos os seus alunos, sem confundir os de Lisboa com os de Santarém... se conseguir preparar as aulas, corrigir as centenas de testes e preencher as dezenas de grelhas e parâmetros no tempo que lhe sobra das viagens... então, o meu colega contratado de Geografia bem merecia o prémio de professor do ano! Digo eu!




3 comentários:

  1. Este prémio, em minha opinião, é uma vergonha. E, por isso, envergonha quem o atribui e não enobrece quem o recebe. Donde, eu muito gostaria que nenhum professor aceitasse recebê-lo. Não compreendo como pessoas como Daniel Sampaio, supostamente cultas e esclarecidas, e até patrono de uma escola, aceitam participar como membros do júri de um tal prémio, como suponho que foi o caso dele. O que acharia ele se se instituísse um prémio para o melhor psiquiatra do ano? E, já agora, porque é que não há um prémio para o melhor polícia do ano? E para o melhor varredor de rua? E para o melhor padeiro? Etc, etc.?
    Creio que não há porque não seria possível (nem desejável), nem útil escolhê-lo.
    E que motivo justifica este achado que é a escolha do (suposto) melhor professor do ano? Creio que será apenas atirar pó para os olhos dos cidadãos ou, mais drasticamente ainda, atirar lama para cima dos professores.
    Prouvera que passe a haver no meu país, algum dia, a maior das exigências com todos os professores, especialmente os que estão no activo, no mesmo grau em que lhes são dadas condições para o exercício da profissão. E então, estou convicto, haverá não um melhor professor do ano, mas muitos melhores professores da vida de muitos alunos.
    Ainda estamos longe longe disso e nem me parece que caminhemos nessa direcção.
    Com perda de todos.

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  2. Não conhecia tal prémio... mas gostei de ler a opinião sobre ele.

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