sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

O Ano em que o Calendário Avariou



E, porque há muito tempo não publicava aqui uma poesia, cá vai uma mesmo a propósito para fechar a quadra natalícia e, ao mesmo tempo, desejar a todos os que aqui passam um ano espantoso, com calendário avariado ou não!



O ANO EM QUE O CALENDÁRIO AVARIOU
(Manuel António Pina)
Foi numa noite de Natal.
Estávamos em maio mas não fazia mal, tinha havido uma avaria no calendário e naquele ano saiu tudo ao contrário: o Natal em maio, a primavera em novembro, o 1.º de abril a 22 de setembro.
Eu que tenho mais de 100 anos não me lembro de ter feito tanto calor como em dezembro.
Houve semanas com cinco dias, outras inteiras, uma em julho teve 16 segundas-feiras!
Até houve a semana dos nove dias.
Muitas promessas foram naquele ano cumpridas!
Foi um ano tão maluco,
tão completamente bissexto,
que para muitos serviu de pretexto
para trocar as voltas ao calendário
e festejar todos os dias o aniversário.
Naquele ano espantoso
cada um podia ter à vontade
as suas manias
porque todos os dias
eram todos os dias.
Eu que não sou menos que os demais, naquele ano tive vinte natais.
 

2 comentários:

  1. Ah! Manuel António Pina, assim, dado às pessoas, como convém, com ganho de todos.
    Está visto, vou passar por aqui mais vezes, ainda que seja só para espreitar.

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    1. José Batista, passe por aqui quando quiser, e dê dois dedos de conversa. Um blogue também vive da partilha, senão não tem graça...

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