segunda-feira, 13 de maio de 2013

Pedaços do mundo na World Press Photo

Está novamente patente em Lisboa a exposição das fotografias premiadas no prestigiado concurso internacional da World Press Photo. Nos últimos anos, tenho tentado não perder, é sempre uma ronda pelo nosso mundo.
Fui hoje ver a exposição. Tem, como sempre, imagens impressionantes. Da faixa de Gaza à batalha por Alepo, da luta das mulheres por reconhecimento, seja no Irão, seja na Somália, das imagens do Japão depois do tsunami às lixeiras onde sobrevivem milhares de pessoas, o que sobra é a marca do sofrimento. Também as fotografias da vida quotidiana têm a mesma marca: é o sofrimento da doença de Alzheimer, a luta pela sobrevivência nas favelas do Rio de Janeiro, os rostos de pessoas marcadas por doenças estranhas e raras. Não consigo deixar de pensar que parece haver um estranho e mórbido fascínio pela morte e pela violência, pela destruição e pela dor. Claro que o fotojornalismo cumpre, entre outras, uma função de denúncia. Mas, neste nosso mundo, não há só dor e sofrimento. Também há momentos de alegria e de celebração da vida, mesmo entre as populações com mais carências. E isso é tão extraordinário e digno de nota como o resto!
Este ano, havia mais uma razão para ir ao espaço do Museu da Eletricidade. Uma das fotografias premiadas era de um jovem fotógrafo português, que representa bem a sua geração: está desempregado! Mas o seu olhar sobre um jogo de futebol entre miúdos, na Guiné, embora a preto e branco, é das imagens mais carinhosas da exposição.
Sai-se dali com um sentimento difuso de depressão. Apesar de tudo, ficaram-me na retina as imagens de um jovem professor que, na India, dá aulas a miúdos sem posses debaixo de uma ponte,com um quadro negro pintado numa parede. É a luta por um mundo melhor, a capacidade de resiliência, a coragem. 
Valham-nos as fotos, belas e poderosas, dos pinguins imperadores no Mar de Ross, na Antártida. Longe dos seres humanos, por isso em paz.

(Batalha por Alepo, fotografia de Fabio Bucciarelli)

10 comentários:

  1. É mais "fácil" para o fotojornalista obter uma imagem forte no meio da desgraça, do que num meio de felicidade, onde ele nem sabe estar.
    Estou FARTO dessas imagens !

    Um beijo.

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    1. Também estou a ficar cansada de tanta desgraça. Ela existe, claro, mas existem mais coisas, nem tudo é mau! E nós precisamos muito de mensagens positivas!
      Beijinhos.

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  2. Teresa, quando quiseres eu mando-te uma das minhas fotos coloridas e cheias de sol... Eheheh!!
    Agora, fora de brincadeira, tanto tu como o João Menéres, têm toda a razão no que dizem. Mas o fotojornalismo é mesmo assim e também sinto uma enorme tristeza ao ver essas fotos fantásticas, mas... muito tristes!!
    Beijinhos

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    1. E tu sabes que eu aprecio muito as tuas fotografias!
      Bjs

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  3. Eu geralmente não perco, mas realmente será que só aquilo que choca tem valor?

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  4. Não costumo perder, mas desta vez nem sabia que já estava em Lisboa. Vou averiguar se ainda vou a tempo... ;)

    Quanto às temáticas, fazer o quê, se o mundo nos parece tantas vezes de pernas para o ar? Não vale de muito enfiarmos a cabeça na areia...

    Beijocas!

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    1. Ainda vais a tempo, Teté! A exposição está em Lisboa até dia 26 de maio.
      Bjs

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  5. Teresa:
    O ser humano tem uma tendência natural para a fatalidade e desgraça, e as fotos são um reflexo disso mesmo.
    Por isso tantas vezes me refugiu nas coisas belas da a vida ainda tem.

    beijinho

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    1. E é bom não perdermos de vista as coisas maravilhosas que ainda por aí existem, à nossa volta!
      Bjs

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