sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Lutas de cães e outras barbaridades

Foi ontem aprovado em Conselho de Ministros o novo regime jurídico da detenção de animais perigosos e potencialmente perigosos enquanto animais de companhia. Promover e participar em lutas de cães poderá levar a uma pena de prisão até um ano.
Não posso senão aplaudir uma tal medida, que só peca por tardia. O treino dos cães para essas competições ilegais e as próprias lutas só mostram o que os seres humanos têm de pior: o gosto pela violência, o divertimento conseguido através do sofrimentos de outros, a insensibilidade. Qualquer simples pesquisa na internet mostra imagens e videos dessas lutas e vê-se claramente o estado deplorável em que os pobres animais ficam: quando não morrem, os cães ficam muitas vezes com grandes feridas e desfigurados. E, no entanto, estes videos são vistos e revistos muitas vezes, e não é seguramente por compaixão. O que leva um ser humano a tratar desta maneira os animais que mais nos amam, fielmente, incondicionalmente? Não consigo ter resposta para esta pergunta mas, na falta de outra, tem de ser o Estado a dar claramente uma resposta legal.
Um país define-se pela forma como aí se tratam os animais. Acho que temos dado passos na direcção correcta, que é a da humanidade e do respeito pelos seres que convivem connosco. Ainda há outras situações que, na minha opinião, merecem reflexão: todos conseguimos pensar em algumas situações em que toleramos o sofrimento dos animais em nome, simplesmente, da nossa diversão! Eu acredito que podemos sempre melhorar. Ontem, demos um passo na estrada certa.

(Imagem retirada de noticias.pt.msn.com)

12 comentários:

  1. Só posso concordar com o teu post. Quanto à lei é demasiado branda e, ou me engano muito, ou não vai resolver o problema.
    Isto tem a ver com o instinto sádico que todos nós temos. Uns mais que outros, obviamente, mas repara neste pormenor: há um acidente na estrada. Quantos de nós passam sem olhar? Por mais que tentemos evitar, algo de instintivo nos leva a olhar.
    Na verdade todos os instintos são aceitáveis desde que os controlemos e consigamos evitar que prejudiquem os outros. As lutas de animais resultam desse instinto, mas descontrolado.
    É o mesmo instinto que leva as pessoas a gostar de desportos como o boxe que, estupidamente, é desporto olímpico! Mas aí quem luta fá-lo de livre vontade...
    É o ser humano na sua mais acabada estupidez! Neste capítulo do sadismo acho que "desevoluímos", como diria o Mia Couto. Nos velhos tempos do Neanderthal, a violência só existia por uma questão de sobrevivência; na proto-história a guerra passou a ser questão territorial; na antiguidade pré-clássica e clássica, com o esclavagismo, tornou-se fonte de lucro; na Idade Média serviu ideais religiosos, matando-se em nome de Deus e nos nossos tempos a violência é... desporto. Quem, no seu perfeito juízo pode chamar a isto evolução?

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  2. Manuel
    Infelizmente, concordo contigo: não somos um país de brandos costumes, mas parece que o somos de brandas leis. Acho toda a violência gratuita uma coisa estúpida e deplorável. Mas parece-me sinceramente que a nossa suposta "evolução" parou na civilização romana. Não a achas tão semelhante à nossa? Falavas do esclavagismo; e as lutas nas arenas, de onde derivam as nossas famigeradas touradas? Enfim, hoje ainda não quis falar disso (claramente!), mas qualquer dia vai ter de ser.
    Em tudo o resto, continuamos na mesma: continuamos a utilizar a violência como fonte de lucro (deste o exemplo do boxe; e o wrestling?), continua a haver violência em nome de Deus, continua a ser explorada como um "desporto". O problema é que não mudamos nada.

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  3. Tens razão. No entanto, entendo as lutas romanas no quadro do esclavagismo mesclado com o profissionalismo de alguns gladiadores; em termos de violência pura (sem pensarmos nas vidas humanas) acho que a nossa tourada envolve uma violência ainda mais gratuita. Isto que escrevo é polémico e muito discutível; não quero desculpar os romanos, mas muitos gladiadores tornavam-se heróis populares e acabavam cheios de honras e sestércios.
    Mas isto não invalida a ideia global: a violência é o fruto do que de pior tem a alma humana; é o lado mau dos genes da sobrevivência. Em vez de eliminar esses genes, a humanidade cultivou-os.
    Quanto ao wrestling é menos violento que o boxe; é uma encenação em que muito raramente alguém se magoa. E a maioria esmagadora dos fãs sabem que assim é. Isto não quer dizer que eu goste; detesto. Mas detesto mais o boxe porque ali há sangue mesmo; há violência pura e dura.

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  4. Essa foto só nos pode deixar revoltados com tamanha crueldade... um absurdo e uma maldade.
    Muito bom texto! É de iniciativas assim que nascem grandes movimentos. Pode contar comigo e com o Pensando Imagem e Som para o que der e vier!

    Há braços
    Paulo

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  5. Manel
    Claro que tens razão no que dizes sobre a sociedade romana e o esclavagismo, só falei nisso porque me parece que não evoluímos muito desde aí.
    Em relação ao wrestling, não concordo contigo e explico porquê: precisamente porque é uma encenação, os fãs podem gozar com a violência que vêem sem complexos nem culpas; mas só lhes dá prazer porque não estão a pensar que é uma encenação. Isto é, se não se deixassem levar pela história, se não fingissem que acreditavam, aquilo ainda tinha menos nexo do que já tem.
    Sobre as touradas nem falo, acho um sintoma de incivilidade, mas como combater? Imaginas o que é aqui a minha terrinha na altura das festas e largadas de touros?

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  6. Paulo
    Obrigada pelas palavras de apoio. Todos juntos somos poucos para lutar pelo direito à vida e à dignidade dos nossos amigos de 4 patas que não conseguem defender-se sozinhos.
    Bjs

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  7. Concordo com a sua análise.
    Mas acrescento, se me permite: torturar animais não é só realizar lutas.
    Deixar os animais ao abandono, cativos em apartamentos ou presos a cadeados são formas de violência.
    De facto, o nosso país tem muito a aprender.
    Um abraço.

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  8. Teresa, eu detesto wrestling tanto como tu detestas, mas quando o meu filho vê isso, eu conforto-me com a ideia de que ele sabe que é tudo encenação. No entanto, tens razão ao dizer que a encenação desculpabiliza os fãs. É, no fundo uma imbecilidade legitimada.
    A tourada é, para mim, algo completamente absurdo. Respeito quem gosta, mas para mim não passa de tortura.
    Outro exemplo de violência legitimada é a caça desportiva. Caçar por desporto??? Matar por desporto??? É outro fenómeno de "desevolução"; é o que sobrou dos nossos instintos primitivos...

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  9. Tony
    Tem toda a razão. A negligência é outra forma de tortura. Temos um longo caminho a percorrer.
    Abraço

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  10. Manel
    A caça é a actividade que resta do nosso lado Cro-Magnon. Vês que eu tinha razão, quando dizia que não tinhamos mudado muito? Uns gadgets electrónicos para brincarmos, em vez de machados e propulsores, mas o fundo é o mesmo. Há quem diga até que foi o que nos assegurou a sobrevivência como espécie.

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  11. Olá Teresa!

    Também eu aplaudo esta decisão! Tu sabes bem como eu defendo os animais! Abomino a violência a todos os níveis, não só com estes animais. Entristeço-me com as touradas, não sei como há quem vibre com estas cenas!!!

    Não estou a viver no local indicado, certamente. Não é por caso que não vou às festas do Barrete Verde!... FUJO ou, pelo menos, tento fugir.

    Beijinhos

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  12. Fátima
    Já somos duas!
    Deixa, a nossa terrinha não é só touros e forcados. Também tem o rio, belíssimo, e nós aproveitamos o que ela tem de melhor.
    Bjs

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