terça-feira, 11 de agosto de 2009

Crónicas de Jerusalém - III



Sábado é o dia sagrado dos judeus, o Shabat, por isso foi o único dia em que não trabalhámos. Aproveitámos o tempo livre para descer até ao Mar Morto - cerca de 400 metros abaixo do nível do mar - e visitar as ruínas da fortaleza de Massada.

(Subindo no funicular para Massada)

Massada é uma fortaleza e um palácio, mandado construir por Herodes o Grande no cume de um enorme e altíssimo penhasco no deserto, mesmo junto ao Mar Morto. Pode-se subir a pé, e parece que há muitos que o fazem, mas o calor era abrasador e subimos de funicular. Foi nessa fortaleza que se refugiaram os últimos resistentes judeus, quando da Grande Rebelião contra os Romanos, cerca de 70 d.C. (ou Era Comum, como chamam os judeus). E foi aí que decidiram suicidar-se quando, depois de um duríssimo cerco, a derrota já era inevitável. Visitámos a sala onde foram encontrados os pedaços de cerâmica, ostrakon, com os nomes dos últimos sobreviventes, onde tiraram à sorte o nome do que ajudaria os outros e cometeria o suicídio em último lugar. Quando os Romanos entraram em Massada, só restavam duas mulheres e uma criança.

(Vista sobre o deserto e o Mar Morto, do alto da fortaleza)

Hoje, acima de tudo, Massada é um símbolo da resistência dos judeus. Há turmas de jovens que aí vão comemorar o seu bar mitzvah e os soldados fazem aí o seu juramento de defesa do Estado de Israel. E, por todo o lado, a mesma frase: Massada não voltará a cair!
Depois, para descontrair, banho no Mar Morto. Banho no Mar Morto? Não, banho numa sopa salgada e meio oleosa, com uma temperatura de cerca de 35º C. Ok, valeu pela experiência. Agora, dêem-me as minhas belas praias atlânticas, se faz favor!


(Mulheres muçulmanas tomam banho no Mar Morto; em primeiro plano, as rochas cobertas de sal)


7 comentários:

  1. Que bela chance de conhecer um pouco mais, nesse sábado em que não trabalham,não? Linda crônica de tua viagem.beijos,chica

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  2. Mas ele é oleoso por causa de poluição?

    Que ele era salgado em excesso eu já tinhao ouvido falar... e por que a agua'tava morna?

    Shisuii

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  3. Agora parece que entrei no blog certo...
    Também tenho um fascínio por Israel. Desculpe o abuso, mas a Teresa tem aguma relação familiar com Israel? É que todas as descrições são tão perfeitas e sentidas...

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  4. Olá Shisuii
    O Mar Morto é um mar diferente: está quase 400m abaixo do nível do mar, numa zona desértica (o que já torna as águas excessivamente quentes); além disso, é muito salgado, o que impede a vida, não há peixes,o que é estranho; também tem outros produtos, como fosfatos, que são explorados, e outros minerais, que tornam as águas medicinais, assim como as lamas (penso que é isso que torna as águas um bocado oleosas). Desconfio que também tem bastante poluição, claro!
    Parece que tenho um curso sobre o Mar Morto, mas na verdade estou a reproduzir as explicações do guia!

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  5. Olá Dylan
    Não tem mal ir ao outro blogue, não é secreto, mas este é o blogue social, por assim dizer.
    Tenho alguma relação familiar, mas já é muito distante. Tive a sorte de ir frequentar um Seminário a Israel,sobre o Ensino do Holocausto e, como gosto de escrever, partilho algumas impressões com os visitantes do meu blogue.
    Volte sempre.

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  6. Bela descrição, Teresa! Mas de facto concordo que não há nada como o "nosso" Atlântico, deste lado e do lado brasileiro :)

    Bjs

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