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Dardos na Blogosfera

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Recebi um prémio do meu querido amigo Junior Vilanova, do blogue " Contatos Imediatos ", o prémio Dardos. Segundo ele diz, " trata-se de um reconhecimento dos valores que cada blogueiro emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc..."  Só posso agradecer este prémio e estas palavras, que são um reflexo da gentileza do Junior. Entretanto, as regras do prémio são: A. Exibir a imagem do selo no seu blog.  B. Linkar o blog pelo qual recebeu a indicação.  C. Escolher outros quinze blogs a quem entregar o prémio Dardos.  D. Avisar os escolhidos.  Escolhi quinze blogues para entregar o meu prémio. O meu critério de escolha foi serem blogues pequenos, isto é, que não têm centenas de seguidores (porque são pouco conhecidos!), mas com qualidade.  1 - Grãos de areia 2 - Papagaio Daltónico 3 - SHE 4 - Maré Alta 5 - Papoila 6 - Ematejoca Azul 7 - Pequenos Detalhes 8 - Os meus ensaios 9 - Alfobre de Letras 10 - Coisas Ban...

Vermelho Estaline

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Fico sempre surpreendida pela forma como nos apropriamos da História.  Sejam  figuras, sejam locais ou acontecimentos, com o passar do tempo vão perdendo a carga emocional que possuíram, vai-se esquecendo o seu significado real, para ficarem reduzidos a uma vaga memória, às vezes com contornos lendários ou mesmo folclóricos. Vem isto a propósito de uma nova tinta da Robbialac, um vermelho seguramente muito vermelho, chamado Vermelho Estaline. A Robbialac é uma empresa respeitável, que já por cá anda há muito tempo. Poderia ter mais cuidado e entender que as palavras evocam memórias reais e, por vezes, dolorosas.  Se a moda pega, ainda poderemos pintar uma sala de castanho-Hitler com riscas vermelho-Estaline. Para o quarto, um belo verdinho-Salazar. Há palavras que devem continuar a evocar acontecimentos e emoções, e não a cor da minha sala de estar. Para não perdermos de vista o que significaram. Para não esquecermos. Houve alguns protestos, houve pessoas que não gostara...

Para o meu filho

O meu filho faz hoje 18 anos.  Ao longo deste tempo, houve alguns problemas, pequenas derrotas e pequenas vitórias, mas acima de tudo, muitas alegrias e um grande orgulho. Este poema é dedicado ao meu filho. "Poderia se chamar nuvem Porque muda de formato a cada instante Poderia se chamar tempo Porque parece um filme a que nunca assisti antes Poderia se chamar labirinto Porque sei que não conseguirei escapulir Poderia se chamar aurora Pois vejo o novo dia que está por vir Poderia se chamar abismo Pois é certo que ele não tem fim Poderia se chamar horizonte Que parece linha recta mas sei que não é assim". É o meu filho. E é indefinível. (Excerto de um poema de Paulo Sabino)

O deve e o haver

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Geralmente, não falo aqui da minha vida profissional, mas hoje apetece-me abrir uma excepção. Reflectindo, o que fiz do meu dia? Dei algumas aulas. Tive reuniões. O usual. Durante as aulas, trabalhei com alunos do 8.º ano. A matéria: a Revolução Francesa. Alguns miúdos estavam mais interessados, outros menos, como de costume. Mas, entre mapas e documentos da época, entre cronologias e sopas de letras, lá fomos avançando. No fim da aula, Robespierre ou Napoleão tinham deixado de ser nomes vazios de sentido. Pelo meio, ainda nos rimos todos do meu aluno que descobriu, muito excitado, que o mapa tinha um erro: "Stôra! Escreveram mal Rússia, escreveram com um P!" Afinal, só tinha descoberto a Prússia! Os miúdos empolgaram-se com a tomada da Bastilha e impressionaram-se com o rei na guilhotina, enquanto discutiam relações entre causas e consequências. No final da aula, tinham compreendido um pouco melhor o que é uma Constituição, uma República, um sufrágio. A História é assim. Tra...

Book - O que é isto?

Hoje celebra-se o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. Não há data melhor para celebrar o Conhecimento e o papel da imprensa na divulgação desse Conhecimento.  Através do programa "Memória do Mundo", a UNESCO tem promovido a identificação e preservação de documentos e arquivos de grande valor histórico, assegurando a sua ampla disseminação. Entre eles contam-se, por exemplo, o original da 9ª sinfonia de Beethoven, a Bíblia de Guthenberg ou a Carta de Pêro Vaz de Caminha (o primeiro bem português inscrito no programa). Aproveitando a data, a autora do blogue Marcas de Água propôs a postagem simultânea deste video. O Carlos, das Conversas Daqui e Dali divulgou a ideia e eu aderi. Quem quer aderir também? Este video provoca-nos, ao mostrar-nos uma incrível novidade científica, o dispositivo bio-óptico de conhecimento organizado. Vale mesmo a pena ver! (Atendendo às reclamações, postei aqui outro video, de formato mais reduzido, com a vantagem de ser legendado em português...

Paixões

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Pouco passava das quatro da tarde quando Gonçalo chegou ao Parque das Nações. Arrumou o carro e encaminhou-se vagarosamente para a beira-rio. O dia estava lindo. Um daqueles dias transparentes de início da Primavera, em que apetece rir mesmo sem saber porquê. Ainda era cedo, a Marina só saía do trabalho às quatro horas, ainda demorava, pelo menos, uma meia hora até ali chegar. Tinha tempo para fumar um cigarro, descansadamente, enquanto olhava o rio e as pessoas que por ali passeavam. Lembrou-se do dia em que se conheceram, ele e Marina. Ou melhor, da noite, porque foi numa noitada de copos e conversas soltas. Ela vinha com uma amiga de outra amiga… bem, o que era importante é que tinha um sorriso doce que contrastava com uns olhos que faziam todas as promessas, e aquele contraste tinha-o cativado. Não havia dúvidas, tinha havido ali uma faísca qualquer. No dia seguinte, admirou-se de acordar a pensar nela. E, ao fim do dia, continuava a apetecer-lhe ver aquele sorriso. Telefonou-lhe e...

A velha fábrica de arroz

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Q uem disse que fora da zona de Lisboa não havia iniciativas culturais interessantes? Bem, eu já tenho dito, por vezes. Mas, desta vez, venho falar de uma iniciativa que me pareceu muito interessante e à qual vou estar atenta. Em Ponte de Sôr, no Alentejo, a meio caminho entre o litoral e a fronteira espanhola, havia uma antiga fábrica de arroz, que ocupava vários pavilhões e que estava há muito tempo desactivada. Foi recuperada e, depois de alguns contratempos, reabriu como um Centro de Artes e Cultura. Assume-se como um espaço multidisciplinar de âmbito cultural que, por isso mesmo, integra  várias instituições, desde a Fundação das Casas de Fronteira e Alorna até ao Festival Sete Sóis Sete Luas, que abrange parceiros culturais de vários países da Europa. Também tem um Serviço Educativo, claro, que coordena actividades para as crianças do concelho. Mas, muito mais interessante, alberga um Teatro, o Teatro da Terra, que revitalizou o velho Cine-Teatro da cidade. O Centro conta...