domingo, 10 de abril de 2016

D.I.Y. - Do it yourself


Uma horta de temperos na varanda

Vivemos num mundo cada vez mais massificado e plastificado. Fazemos todos mais ou menos as mesmas coisas, que nos são sugeridas pela comunicação social ou pelas redes sociais, mais ou menos da mesma maneira. Muitas vezes fazemo-lo sem qualquer pensamento crítico; outras vezes, percebemos que vamos com o rebanho, mas não temos tempo ou disponibilidade para fazer outras escolhas.
Compramos os móveis do IKEA, mesmo sabendo que ao fim de três ou quatro anos já se estarão a desfazer. Compramos comida feita, ou pronta a fazer, apesar de termos noção de que nada bate uma sopa feita na hora. Compramos roupa barata, fechando os olhos e a consciência ao modo como ela é confecionada, lá para Oriente. E por aí fora...
Provavelmente por todas estas razões e mais algumas, está a afirmar-se a tendência para o Do it yourself. Tem a ver com a produção de coisas com as nossas próprias mãos, segundo técnicas antigas e artesanais, mas principalmente com uma afirmação individual. A Internet está cheia de ideias e exemplos, desde os blogues que ensinam a cozinhar as mais variadas coisas até às dicas para bricolage. Ensina-se a fazer sabonetes artesanais, a fazer uma hortinha de plantas aromáticas na varanda, a recuperar a cómoda dos avós. Voltou a encontrar-se encanto nos móveis antigos - que já duraram cem anos e prometem durar mais cinquenta, pelo menos - agora pintados e renovados, misturados com peças mais modernas. Há muitos jovens a tentarem fazer as suas próprias roupas ou a personalizarem as que compram. Outros fazem jóias ou outros acessórios. E cada uma dessas peças é única e esse é o seu encanto.
A vida atual não é fácil e todos andamos a correr e a tentar agarrar o que é mais barato, mais rápido, mais fácil. Eu tento encontrar algum equilíbrio entre a pressão da vida e os prazeres simples das coisas feitas pelas nossas mãos. Gosto de tricotar, fazer camisolas para os membros mais jovens da família. Demoro muito tempo, mas não me importo, ninguém corre atrás de mim. Não prescindo da sopa caseira, feita com todos os legumes que tiver à mão. Gosto de fazer doces com as frutas da época, com que depois me delicio barrados nas torradas diárias. Quando tenho tempo, gosto de fazer pão, ou um simples bolo de iogurte, que todos devoram cá em casa. E eu fico com a certeza de que não estão a comer ovos liofilizados ou outros produtos conservados e processados...
Sim, eu sei que podia encontrar todas estas coisas no supermercado mais próximo. Mas, como dizia o anúncio publicitário, podia, mas não era a mesma coisa!

A minha marmelada caseira


7 comentários:

  1. Teresa, estava lendo o texto e, correndo-o para baixo, de repente, nem sei como (?) meus olhos fugiram das letras para a imagem dessas tigelas de marmelada cheirosa (até senti-lhe o cheiro) acaba de sair do tacho... ah, coisa boa!
    Concordo com tua explanação e também sou apologista do reaproveitar, remodelando, tratando, para durar e igualmente gosto de fazer um bolinho ou pão ou doce que seja caseiro, feito com os ingredientes fresquinhos, sem aditivos. Faz bem à saúde e à alma.
    ;)
    bj amg

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    1. É isso, Carmem, faz bem ao corpo e à alma... e a marmelada ficou mesmo boa... ;)

      Bjs

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  2. Tudo aquilo que conseguimos em casa fazer tem outro gostinho! Coisa linda tudo aí! bjs, chica

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  3. Adoro marmelada caseira! Até a faço sozinho... (*)
    :)
    Verdade! É tão verdade como ter o meu próprio quintal repleto de frutos e verduras onde os caracóis, as lesmas e passarada têm também o seu belo quinhão. Até ver vai dando para todos (e até sobra).

    (*) A prova dos nove :)
    http://tintacompinta.blogspot.pt/2011/09/marmelada.html
    http://tintacompinta.blogspot.pt/2011/09/cortar-nas-gorduras.html

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    1. Ainda bem que te arrependeste e fizeste marmelada... e já percebi porque é que a tua marmelada é mais clarinha do que a minha: é feita com gamboa. Também já tenho essa experiência!

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    2. O "truque" é o seguinte: depois de feita, voltar a passar com a varinha mágica.

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