sábado, 16 de abril de 2016

Amadeo de Souza Cardoso, o modernista esquecido

Amadeo em Paris

Em boa hora vai realizar-se em Paris, no Grand Palais, uma grande exposição que reúne e divulga a obra de Amadeo de Souza Cardoso. 
Como portuguesa e frequentadora do Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, a obra de Amadeu sempre me foi familiar. Lembro-me também de uma grande exposição que a Gulbenkian organizou, aqui há anos, com a retrospetiva do pintor, e que foi um tremendo sucesso. Mas fora de Portugal o seu nome é quase desconhecido e isso é uma enorme injustiça.

Entrada

Esta semana, foi a anteestreia do filme/documentário Amadeo Souza Cardoso, o segredo mais bem guardado da arte moderna. Realizado pelo francês luso-descendente Cristophe Fonseca, mostra-nos o percurso do pintor, desde a sua infância minhota, até à sua morte precoce, em 1918. E permite compreender melhor a dimensão da sua obra e as razões do seu esquecimento. Através da tela, seguimos o autor para Paris, onde conhece e se torna amigo de alguns dos grandes nomes da arte nesses inícios do século XX: Brancusi, Modigliani... Acompanhamos os seus primeiros sucessos, as primeiras exposições. Conhecemos Lucy, a sua paixão. Amadeu pinta muito e as suas telas vendem bem, mesmo na sua primeira grande exposição em Nova Iorque, ao lado de colegas como Picasso.

 A rapariga dos cravos

E, de repente, a 1.ª Guerra Mundial. Todos estão convencidos de que vai ser um conflito rápido e continuam a fazer planos... uma segunda exposição em Nova Iorque... Mas a guerra eterniza-se. Souza Cardoso volta para Manhufe, e é aí que a gripe espanhola o apanha. Estavamos em 1918 e o pintor tinha 30 anos!
Lucy, a viúva inconsolável, guarda o seu espólio. A visão medíocre e avessa ao modernismo do Estado Novo não projeta a sua obra. A família queima alguns desenhos, considerados muito arrojados, que tinham permanecido em Manhufe. E o esquecimento cai sobre o seu nome!

Azenhas

Nos anos 50, quase a medo, o Museu de Amarante expõe algumas das suas telas. O Museu Gulbenkian segue-lhe o rasto e começa a divulgação da sua obra.
Em boa hora o Grand Palais faz, até julho deste ano, uma grande retrospetiva da obra de Amadeo de Souza Cardoso, expondo cerca de 300 obras do grande pintor modernista português. Mais uma vez pela mão da Gulbenkian... É tempo de levantar o manto de esquecimento!

 Corpus Christi

1 comentário:

  1. Adorei ler a respeito Teresa Como não vou a Paris vou pesquisar a obra dele pra me deliciar com as belezas ... Beijo

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