sábado, 23 de fevereiro de 2013

Peste grisalha?


Li este artigo aqui há dias e não me consigo esquecer dele. Pelas piores razões! 
A minha primeira reação foi de incredulidade! Alguém escrevia um artigo sobre o nosso problema demográfico mais complicado e ameaçador, o envelhecimento da população. Sim, já todos sabemos que ele existe, há que tomar consciência e tomar medidas. Há algumas conhecidas, chamam-se políticas natalistas! Mas todos concordamos que é um problema de difícil resolução, comum a todos os países ditos desenvolvidos.
O que, no entanto, não me parece nada adequada é a forma da abordagem. A começar pela linguagem, que é um veículo delicado. A escolha das palavras não é inocente, pressupõe uma determinada atitude. E, quando se utilizam palavras como "peste", "contaminada", "tragédia", parece que se considera o aumento da esperança média de vida como uma gripe, ou um problema de saúde pública. Nas culturas ditas pouco desenvolvidas, os anciãos são respeitados e venerados, como uma reserva de experiência da tribo. Já não pedia tanto, mas também não esperava que o envelhecimento fosse visto exclusivamente como um encargo insuportável para os contribuintes ativos. Depois de ler este texto, quase ficamos à espera de um programa de eutanásia, assim à moda nazi, para resolver o problema da população.
Pensavamos que o autor ficava por ali? Não, continua a destilar pérolas. Considera a imigração assustadora porque "desafia a nacionalidade portuguesa". E diz que se engana " quem pensa que a nossa sobrevivência enquanto país soberano depende prioritária e exclusivamente do crescimento económico". Acaba a afirmar que "todos os responsáveis políticos têm o dever patriótico e geracional de pensar responsavelmente em medidas de choque para o país", o que me deixa a mim em estado de choque! 
Isto é, em vez de se fazer um esforço para garantir a coesão social e o bem-estar de quem já muito viveu, soltam-se chavões demagógicos que só apelam ao confronto geracional e social. Isso é que me parece muito pouco patriótico!
Quem poderia ser tão insensível e desrespeitoso para com os mais idosos? Seria alguém com pouca cultura, algum desempregado desesperado? Não, uma rápida pesquisa na net informou-me que o autor deste texto é advogado, deputado e participante na Comissão de Direitos, Liberdades e Garantias da Assembleia da República. São coisas destas que me obrigam a ser adepta da redução do número de deputados. Todos ficavamos melhor se alguns não estivessem lá!

12 comentários:

  1. Este deveria ser "abatido" ao número de deputados por razões mais do que óbvias!
    Claro que o que esta gente gostaria era de ver os mais pobres e mais velhos partirem rumo à eternidade para pouparem na Segurança Social e Saúde!
    É duro dizer isto mas é o que dão a entender!
    Só os ricos é que deveriam ter vários filhos e são essas imagens lindas de famílias numerosas que surgem de vez em quando em revistas...
    As famílias numerosas onde o pão e o trabalho escasseia que se lixem!

    Abraço

    Abraço

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    1. Infelizmente, muitos destes políticos de pacotilha não têm experiência de vida nem preparação ética para o cargo que desempenham. E depois, dá nisto!
      Bjs

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  2. Cada tiro cada melro. Não acerta uma. A história da preservação da nacionalidade portuguesa faz-me urticária, e o resto idem aspas. Enfim, é isso mesmo que diz: nos países não desenvolvidos ou em vias, respeitam-se, e de que maneira, os anciãos. Por aqui é a cultura do imediato, da imagem. da juventude eterna... Triste.
    Deixo aqui o meu post sobre algo parecido:
    http://aefectivamente.blogspot.pt/2010/10/obsessao-com-imagem-e-com-eterna.html
    Bjs

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    1. Já lá fui ler, ou reler, e tens razão. Isto é o resultado da cultura do efémero!
      Bjs

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  3. Que medo 0.0 Também eu fiquei em estado de choque!

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    1. Medo que esta gente alguma vez nos governe!
      Bjs

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  4. Houve quem lhe respondesse à maneira:

    http://apre-associacaocivica.blogspot.pt/2013/01/peste-grisalha.html

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    1. Ah ah ah! Gostei de ler (particularmente do par de estalos)!
      Bjs

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  5. Não fica na História, Teresa. Mas hoje já nada me espanta.

    A redução do número de deputados? Pois isso já devia ter acontecido há muito. Mas os jobs são necessários, infelizmente. Comparados com outros países...é uma vergonha. Mas os cortes são para nós.

    Beijinho

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    1. Todos os partidos, sem exceção, defendem as suas quintinhas. É assim, infelizmente!
      Bjs

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  6. Que me lembre, este é o primeiro governo que aposta no conflito de gerações, pondo os jovens contra os velhos. Até já mandou um deputado chamar aos velhos peste grisalha. Por coincidência, o mesmo que há tempos comparou o casamento gay a casamentos entre irmãos.
    Estamos entregues a um grupo de gente perigosa e era bom que os portugueses acordassem para essa realidade.

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  7. Mais que lamentável, este artigo é nojento?
    Este tipo não tem pais? Será que não respeita sequer as pessoas de idade da sua família ou das suas relações?
    E quando chegar a velho? Como gostará de ser tratado?

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