terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Os inimigos públicos

Como toda a gente sabe, foram finalmente terminadas as obras de  restauro da belíssima Igreja de São Vicente de Fora. É uma igreja muito ligada à minha família, por diversas razões, e fiquei feliz com a sua reabertura ao público.
E, no entanto... houve uma notícia que, positivamente, me esmagou. Durante as obras de limpeza, foram removidas dos telhados da Igreja de São Vicente de Fora, nada mais nada menos do que quarenta toneladas de excrementos de pombo. 40 toneladas!
De repente, assaltou-me a imagem das nossas cidades cobertas de excrementos de pombo. Os nossos edifícios coroados de fezes, as nossas estátuas manchadas de descargas intestinais. Lembrei-me de uma entrevista que li, há tempos atrás, com um vereador brasileiro de Curitiba que enumerava as doenças eventualmente transmitidas pelos nossos amigos pombos, com os quais eu até simpatizo, e que iam da salmonelose à ornitose, passando pela transmissão dos piolhos de pombos, ácaros que vivem nos seus corpinhos penugentos. Afirmava ainda o dito vereador que as fezes dos pombos, contaminadas por fungos e bactérias, podem causar doenças respiratórias e afectar o nosso sistema nervoso central. 
Quantas toneladas de excrementos de pombo estarão espalhadas sobre os telhados das nossas cidades? Será que o nosso sistema nervoso central foi afectado? Poderá ser esta uma explicação para a apatia cívica que por aí encontramos?
Será por isso que a nossa Ministra do Ambiente se chama Pássaro?

5 comentários:

  1. Olá

    Muito bem visto, Teresa!
    Adorei o texto.

    Beijinhos grandes

    ResponderEliminar
  2. Eu sou suspeito; não gosto de pombos, nem de pássaros.
    Quando visitei a praça de S.Marcos, em Veneza, foi uma tragédia passar perto daquela "pombalhada" toda.
    E sei que há municípios com resoluções drásticas para a diminuição efectiva dos pombos nesses locais.

    ResponderEliminar
  3. Ri-me com a pergunta final, TERESA !
    Eu posso ter sob as placas de fibrocimento resíduos pouco recomendáveis, mas como a placa da cobertura é em betão armado, penso estar imune.

    Um beijo.

    ResponderEliminar
  4. Os pombos são realmente animais pouco saudáveis...
    Essa relação com a ministra do ambiente nunca me tinha ocorrido, mas está bem vista, sem dúvida

    ResponderEliminar
  5. Teresa,

    Está tudo certo, mas convém não esquecer que o ser humano contribui com mais poluição do que toda a bicharada junta!

    Continuarei a alimentar pombos sem ninguém, pois não posso vê-los morrer de fome; continuarei a ser anti-caça e ao tiro aos pombos, continuarei a amar estas aves que dão, até aos humanos, lições de fidelidade!

    Não posso duvidar, mas 40 toneladas podiam ter atirado o telhado abaixo há muito tempo. Deviam ser sedimentos «excrementatóide» desde o dia da inauguração da Igreja [que adoooro também.
    Estive fora e sem recurso a tlm ou à net. As n/s redes móveis são um desastre.

    Fiquei contente por ver o blog atualizado, sinal de que já se encontra recuperada da gripe (...)
    Inté... aki, ou no Face: vou procurar e meter lá, um post do Alfobre de Letras sobre um funeral Viking que um dia fiz a um pombo assassinado na estrada, e que os carros queriam pisar por sadismo dos senhores condutores - «Requiém por um Pombo».

    Abraço
    César

    ResponderEliminar