domingo, 19 de junho de 2016

Os adeptos portugueses

Não, não vou aqui escrever sobre futebol, os meus conhecimentos sobre o assunto são risíveis. Por maioria de razões, também não vou tecer qualquer tipo de comentário sobre o jogo de Portugal com a Áustria, ontem. Deixo isso para os inúmeros "doutores do futebol", que nos massacram durante horas seguidas com previsões sobre os jogos, seguidas de outras tantas horas com análises exaustivas sobre os mesmos. Procuro seriamente não os ouvir, mas é difícil não prestar alguma atenção ao que se passa à volta dos jogos.
Não me lembro de um campeonato de futebol com tanta violência. Não dentro do campo, mas nas bancadas, à volta dos estádios, no centro das cidades onde decorrem os jogos. Quase todos os dias vemos imagens de adeptos, alcoolizados ou não, que se envolvem em tumultos. São ingleses, ou croatas, ou russos, ou ucranianos... Às vezes, são manifestações de força organizadas, protagonizadas por energúmenos de corpos tatuados e murros prontos. Vemos cargas policiais e praças vandalizadas. Suspeita-se de proteção, quando não de instigação, de alguns estados às ações dos seus adeptos. 
E os adeptos portugueses? Envolvidos em bandeiras, pintados de verde e vermelho, cantam canções pimba e fazem churrascadas. Isto é, fazem do futebol aquilo que me parece que ele deve ser: uma festa. Cantam e riem, sofrem e choram pela sua seleção, mas não andam aos murros. 
Li nas notícias que Portugal pode sofrer um processo disciplinar na sequência do jogo de ontem, porque um adepto invadiu o campo depois do jogo, para tirar uma selfie com Cristiano Ronaldo... Depois das imagens de violência a que temos assistido, isto até me dá vontade de rir... Os adeptos portugueses, às vezes, podem ser palermas, mas não passa daí.
Ontem, quando o jogo acabou, os adeptos portugueses sairam do estádio tristes, seguramente, mas com civismo. Parabéns, portugueses!



4 comentários:

  1. Olá.
    Há poucos dias li ou ouvi a um sociólogo português, de apelido Sedas Nunes, que o futebol encerra em si mesmo muita violência. Dava ele o exemplo da linguagem "técnica" expressa em expressões como "ponta de lança"... E, acrescento eu, em Braga há um clube bastante aguerrido, muito querido dos bracarenses que escolheu para lema da sua equipa a expressão "Guerreiros do Minho". Certo dia, viajando eu na A1, cheguei a Antuã, não muito longe do Porto, e quando me dirigi ao quiosque para comprar o jornal, com o objectivo de descansar um pouco e ler as "gordas", até me assustei quando vi a lojista a um postigo atrás de umas grades e tudo o resto protegido com outras grades de ferro, de aspecto muito maciço e robusto. Tão espantado fiquei que uma senhora que entretanto se aproximou de mim me disse que estava para passar uma "claque" de futebol e que era normal os seus membros escaqueirarem tudo por onde passavam. Como eu devia estar com um ar ainda mais espantado, acrescentou que toda a gente sabia que era assim, que era normal... Foi então que respondi que nem toda a gente sabia que era assim - eu era a prova - e que também não era normal que as pessoas normais achassem tal coisa normal. E voltei rapidamente para o carro, onde ficara a minha mulher com as crianças para nos pormos a caminho, antes que chegasse a "matilha".
    Claro que podemos sempre pensar que há uma certa violência nas pessoas e que é melhor que elas gritem uns insultos nos estádios a que agridam familiares em casa ou que façam batalhas campais na rua. Mas eu não acho o ambiente do futebol muito recomendável, nem mesmo em Portugal. A guerra entre dois grandes clubes lisboetas ainda há poucas semanas me causava forte aversão. E grande revolta senti há meses quando, em Guimarães, um agente da polícia agredia um pai ao lado de uma criança pequena que, em pânico, até urinou os calções.
    Outro aspecto que me parece inaceitável é a propaganda à volta da nossa selecção, em que nos lançam poeira em cima, talvez para que não pensemos na miséria da nossa economia, dos problemas da educação, da saúde e da falta de emprego das pessoas. Pensar que há uma estação pública de televisão que gasta rios de dinheiro para nos dar fartadas de "reportagens" vazias, de pessoas que não sabem e às vezes nem querem dizer nada, e é um sorvedouro de dinheiro, dá-me um grande inconformismo. Como se o pontapé na bola resolvesse algum problema premente à generalidade das pessoas...
    Já nem falo na gabarolice ridícula de treinadores, jogadores e comentadores encartados, que a isso só liga quem quer.

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    1. Concordo plenamente consigo, José.
      O futebol é tratado com exageros, em todos os aspetos. Parece aquilo que não é, um embate de vida ou morte, em vez daquilo que devia ser, um jogo e uma festa. E tem razão noutra coisa, distrai as atenções de coisas verdadeiramente importantes para a nossa vida. Enfim, não podemos andar sempre focados nos problemas, para não entrarmos em depressão coletiva, mas esta focalização excessiva no futebol também não me parece saudável!

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  2. É caso para dizer que o justo paga pelo pecador, Teresa...
    Realmente andam a gozar connosco esses senhores da UEFA !
    Se a Segurança acedeu à vontade do Ronaldo...

    Um beijo amigo.

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    1. Parece realmente que há dois pesos e duas medidas, como em tantas outras coisas...
      Beijinho

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