sexta-feira, 10 de junho de 2016

Outra vez 10 de junho...

Quem me conhece, sabe que não morro de amores por este feriado, muito pelo contrário! Já aqui escrevi sobre isso, há dois anos atrás. Enfim, é feriado... e isso sabe sempre bem!
Este ano, no entanto, há aspetos diferentes. Se, por um lado, as comemorações se centraram nos desfiles militares no Terreiro do Paço, a fazerem lembrar as comemorações de antigamente, por outro lado, abriram-se de novo ao povo português, e isso agradou-me muito.
Gostei de saber que os condecorados deste ano eram pessoas comuns que se tinham distinguido ao serviço dos outros, sejam militares sejam civis, como as porteiras de Paris, que ajudaram desinteressadamente todos os que lhes apareceram à porta, naquela noite terrível de atentados. Nunca aderi àquelas condecorações maciças de jovens (ou menos jovens) empreendedores. Nada tenho contra os empreendedores, sejam eles estilistas ou empresários industriais. Agem para o seu próprio lucro e benefício, no que fazem muito bem! Mas... condecorados, porquê?
Também gostei de ouvir os recados do presidente da República. Foram ao encontro do que eu penso e a História nos ensina: o povo português é resiliente, esforçado, mas as elites que nos têm governado ao longo do tempo têm deixado muito a desejar... Mais preocupados com agendas pessoais e partidárias do que com o bem comum, têm colocado o país à beira do abismo demasiadas vezes! Não me refiro apenas às elites políticas, mas também às elites económicas e culturais. Completamente centrados nos seus umbigos e nos seus egos hipertrofiados, vão fazendo os seus percursos através de jogos de interesses, satisfeitos com as suas pequenas vitórias, desinteressados do serviço à comunidade. 
Alguns elementos dessas elites estavam no próprio Terreiro do Paço, mas não tenho muita esperança de que reflitam  e interiorizem as palavras do Presidente da República.


(Imagem António Cotrim - Lusa)

1 comentário:

  1. Nunca tinha pensado no 10 de Junho assim... Sou de 86, não tenho memórias de Dia da Raça ou de paradas da Mocidade Portuguesa. Ouvi e li a História mas mesmo assim não tinha pensado ainda com profundidade na questão da manipulação dos símbolos e da populaça. É um desagrado mais que justificado, o teu. E pelos comentários que li no teu post de há 3 anos, não estas só =)

    ResponderEliminar