quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Hitler: publicar ou não publicar, eis a questão!




No dia 1 de janeiro de 2016, isto é, daqui a pouco mais de um mês, o livro de Hitler Mein Kampf cai no domínio público. Até agora, a sua edição na Alemanha estava totalmente proibida e a sua transcrição bastante restringida. Com o levantamento desta proibição, prevêm-se várias edições e uma ampla divulgação desta obra incendiária do nazismo e do anti-semitismo. Muitos temem esta publicação e acham-na perigosa. Mas... o que é que realmente muda? Qual é o perigo real?
O mundo atual é muito diferente do mundo dos anos 40 ou 50 do século passado. Nessa época, proibir uma publicação tinha uma eficácia razoável. Sabemos que é difícil fazer desaparecer um livro, ele arranja maneira de continuar a circular, subterraneamente, clandestinamente. Hoje é bem diferente. Todos os textos, por mais proibidos que sejam, circulam livremente na internet. E, se for necessário, passam para a chamada deep web, como se constata atualmente com os textos panfletários do Estado Islâmico.
Por princípio, não simpatizo com censuras ou com textos proibidos. Sabemos que os frutos proibidos são os mais apetecidos. E estes textos fortes vão ser sempre apelativos para alguns. Então, como atuar? Publicar ou não publicar? Na minha opinião, o Mein Kampf deve ser publicado, sim. Mas muito bem acompanhado, contextualizando claramente as afirmações ali incluídas. É importante que, ao lado do texto, se percebam as incoerências e as falsidades científicas. E, principalmente, que se estabeleça a relação, clara e direta, entre as teorias que ali se tecem e as consequências terríveis que tiveram para a humanidade. 
Por mim, fazia uma edição oficial comentada. Daquelas que se fazem das obras teóricas que marcaram uma época e que estudamos com distanciamento, como qualquer outra fonte histórica. E ponto final.

1 comentário:

  1. Tenho o livro na minha estante há muitos anos. Era do meu pai que o comprou pós 25 A. Mas só li prái um quarto - embora a maior parte daquilo que lá está escrito eu pudesse concordar - porque não é o meu género de leitura e macei-me rapidamente.

    Quanto a livros proibidos, concordo contigo: não são para os tempos que correm!

    Beijocas

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