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Os nossos vizinhos pássaros

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  Às vezes, a Natureza invade a cidade. Se lhe dermos tempo e sossego, a Natureza extravasa os jardins e baldios e traga tudo o que o Homem laboriosamente construiu.  Os pássaros, por exemplo, invadem constantemente o espaço da cidade, tomando-o como seu, tal como nós. Muitas vezes, nem reparamos neles. Ouvimos as suas restolhadas e chilreadas nas árvores e vemos os seus voos em bandos sincronizados, mas não lhes dedicamos mais um minuto dos nossos pensamentos. Outras vezes, damos conta das suas vidas, pouco privadas. Coexistimos. Há um casal de falcões que se habituou a vir todos os anos fazer o ninho numa floreira de um prédio de apartamentos. Os donos da casa tomam cuidados; não abrem a janela, para não incomodar o casal. Entretanto, os pequenos falcões nascem. Os vizinhos vão acompanhando os seus progressos. "Olha! Já se vêem os falcõezinhos! Já se ouvem, quando batem com os seus pequenos bicos na janela! Já ensaiam os seus primeiros voos!" Um casal de pardais, o mais com...

O festival de carne de cão

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É na China, é claro! Inicia-se hoje o célebre Festival de Yulin, na província de Guangchi, onde o principal pitéu é a carne de cão.  Há já anos que se organiza este festival, sempre na altura do solstício de verão e sempre acompanhado de protestos e petições vindos de todo o mundo. Como parece evidente, as autoridades de Yulin são perfeitamente indiferentes aos protestos e continuam a organizar o festival, que é um sucesso. Só nas edições de 2014 e 2015, estima-se que tenham sido mortos e consumidos cerca de 10.000 cachorros por ano. Muitos desses cães são caçados e até roubados, para serem cozinhados no festival.  As opiniões dos chineses dividem-se: alguns dizem que comer carne de cão é um gosto, mas não uma tradição; mas muitos outros, num país conhecido pelos seus estranhos hábitos gastronómicos, consideram que é uma tradição daquela província, que não se deve quebrar. Confesso que estou a escrever tudo isto e a sentir calafrios. O cão não é como outro animal qu...

O Chico

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                                        Chama-se Chico. A dona não sabe bem que idade lhe atribuir. Foi o marido que lhe trouxe o papagaio, quando andava embarcado, no rio que agora vem lamber o fundo da calçada. E foi uma paixão que já dura há muitos anos. O Chico é a sua companhia, agora que o marido se foi. E é um papagaio conversador, fala muito, especialmente quando percebe que a dona não lhe está a dar a atenção toda. - Quem és tu? O que estás a fazer? E logo a seguir desinteressa-se, não espera pela resposta, rodando a cabecita para outro lado. A dona dá-lhe todos os mimos, como se fosse um netinho. Conta-nos com ar enternecido que o Chico gosta de chocolate e de pastéis de nata. Ela compra-lhe um pastel de nata por semana e ele come, guloso, mas só o creme! E ela, preocupada com os diabetes do papagaio, leva-o à médica de família, que lhe diz para não abusar dos...

O Elefante na sala de estar

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Ultimamente, houve duas notícias, quase seguidas, de ataques mortais de cães. Num caso, a vítima foi uma criança, no outro foi uma mulher. Porque gosto muito de cães, tenho-me interrogado sobre estas situações: quem serão os verdadeiros responsáveis? Não serão os donos os potencialmente perigosos? Encontrei este texto, escrito por um médico veterinário preocupado com o bem-estar animal, que reflete muitas das minhas interrogações. Vale a pena ler e refletir. O ELEFANTE NA SALA DE ESTAR É um “perigo” falar do que não se sabe ou pouco se sabe, mas que muito se sente. Vem isto a propósito de um tema que, pelas piores razões, se tornou assunto do dia-a-dia: o dos cães perigosos e potencialmente perigosos. Por definição técnica e jurídica cão perigoso é todo o cão que ataca e agride… mesmo que inadvertidamente lhe pise a cauda e ele(a) lhe devolva uma dentada. Não importa se é um pinscher anão ou um rottweiller (aliás cães do mesmo grupo, dos 10 grupos de classificação da Fe...

Uma questão de espinhos

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Foi o mocho Julião quem o encontrou, na berma da estrada que conduzia ao portão da quinta. Era uma bolinha de pelos duros e acastanhados. Deu-lhe um empurrão com a cabeça e viu-lhe os olhinhos assustados e as pequenas orelhas. A bolinha de pelos era afinal um jovem ouriço cacheiro, de patas chamuscadas pelo incêndio que devastara, durante dois dias inteiros, as serranias vizinhas. Julião não descansou enquanto não o levou até à quinta. Lá dentro, com a solidariedade de alguns amigos, foi alimentando o pequeno ouriço, trazendo-lhe aranhas e escaravelhos, lesmas e minhocas. Afeiçoou-se-lhe de tal modo que até pensou em dar-lhe o seu nome. Mas Julião assentava tão bem ao pequeno ouriço como um casaco três números acima, e acabou por lhe dar o nome de Júlio. As patas de Júlio foram cicatrizando e começou a ser mais autónomo. Afastava-se durante a noite, à procura dos seus pitéus preferidos, mas pela manhã voltava para junto de Julião, que se considerava o seu guardião ou uma espéc...

Um continente de lixo

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Não sei porque é que, esta semana, me deu para escrever sobre lixo. Mas, lá que há coincidências, há! Tinha eu colocado aqui o poema do post anterior, quando li uma notícia arrepiante. E parece que já não é novidade, eu é que andava distraída!  Vamos aos factos. Todos sabemos que se produzem diariamente toneladas de lixo, muito dele dificilmente degradável. Uma grande quantidade desse lixo vai parar ao mar e, devido às correntes marítimas, junta-se numa espécie de continente feito de lixo, principalmente plásticos, algures entre a Califórnia e o Japão. Esta ilha gigantesca vai alterando a sua localização e as suas dimensões, mas calcula-se que ocupe entre 1,7 e 3,4 milhões de quilómetros quadrados, o que significa uma área 18 a 37 vezes maior do que Portugal.  Que continente intrigante! Será que é habitado? Será que as gaivotas e as tainhas o adotaram como lar? Qual será a sua cor dominante? Com sorte, pode vir a ser considerado uma instalação artística? Agora a sério, en...

Sapos e outras superstições

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Eu sei que sou distraída, mas admito que só este ano me comecei a interrogar sobre a quantidade de sapos que se encontram à entrada dos mais variados estabelecimentos comerciais, desde pastelarias a supermercados, passando por lojas de moda. Já alguém reparou nisto? São sapos grandes ou pequenos, realistas ou caricaturados, de loiça, de papel, de metal, a variedade é tão grande como a imaginação humana. Confesso que de início só me interroguei sobre o bom gosto (ou a falta dele!) que presidia a certas escolhas decorativas. Mas achei que, para ser uma solução decorativa, se repetia vezes demais! Também podia ser uma mensagem relacionada com a crise, do estilo: “Agora vamos ter de engolir uns sapos!” Podia ter a ver com príncipes encantados, beijos e casamentos felizes para sempre!... Bem, acabei por perguntar a amigos e, afinal, a resposta era simples: era para afastar os ciganos! Uma simples pesquisa na internet permitiu-me perceber que os ciganos associam os sapos ao mal, ao infor...

Do ramo mais alto da árvore

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Como fazia todas as manhãs, Pongo saltou para a árvore e trepou até ao ramo mais alto. Acomodou-se, esticou as patas, lambeu o dorso. Gostava daquele poleiro, um miradouro privilegiado sobre a quinta, de onde via tudo sem ninguém dar por ele. Não que lhe prestassem muita atenção quando andava lá por baixo: um gatarrão cinzento, de meia idade, sem muita paciência para as brincadeiras dos mais novos, não era uma companhia muito solicitada! Assim, acomodava-se ali em cima e observava tudo. Via as brigas dos cães e o alarido que faziam quando passava uma bicicleta pelo portão da quinta. Via os melros que depenicavam as sementes e os botões dos malmequeres. Ria-se com as manobras das lagartixas, que se escondiam atrás dos vasos de flores. Apreciava as brincadeiras dos gatitos mais pequenos, que por ali brincavam. Sim, porque havia sempre gatinhos pequenos na quinta. Uns desapareciam, outros cresciam e tornavam-se gatarrões como ele. Pongo gostava de observar as suas brincadeiras. Achava...

Vítimas colaterais

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Neste fim de semana que passou, mais um tremor de terra fez estremecer o Japão. Nada de estranhar, sendo uma zona de alta atividade sísmica. Nada também que se compare com o enorme sismo que atingiu o Japão há quase um ano, no dia 11 de março de 2011. Nesse dia, eram 6h46 em Portugal quando um sismo de magnitude 8,8 na escala de Richter sacudiu as ilhas japonesas, o mais forte no Japão desde há 140 anos, o sexto mais forte no mundo desde que há registos. Houve milhares de mortos. Seguiram-se dois tsunamis, que devastaram as costas japonesas. Uma onda de 14 metros atingiu a central nuclear de Fukushima I, inundando equipamentos e provocando explosões. Sabemos o que se passou a seguir. Lembramo-nos das imagens das populações evacuadas das áreas expostas às fugas radioativas da central, dos alimentos contaminados, do medo que se instalou de um desastre nuclear em larga escala. O governo japonês garantiu a desativação da central logo que fosse possível aceder à zona perigosa. Vários gov...

Uma cadela chamada Vida

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O meu penúltimo post era mesmo triste, amargo, desiludido. Gosto muito de animais e  não consigo aceitar os maus tratos que alguns parecem achar naturais. São animais, pois  são, isto é, são seres vivos que nos merecem respeito. Felizmente, há sempre outras histórias  que nos aquecem o coração. Esta, foi-me enviada pela Sueli do Fenixando. A história é  contada por uma das pessoas que organizava uma pequena Feira para adopção de cachorros  abandonados, em Teresópolis. Foi também essa pessoa que tirou as fotografias. O que aqui está é, no entanto, mais do que uma história; é uma lição de vida, de carinho e de  cuidado com o outro. Mais uma vez, os animais dão-nos lições. Quando começamos a  aprendê-las? Deixo-vos com a história da cadela Vida, tal como ela me chegou. Perceberão facilmente porque  lhe deram esse nome!                                     ...

No tempo em que os animais falavam II

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Quando Salomão nasceu, Salomé já tinha a idade suficiente para todos os outros animais da quinta a consolarem: “Deixe lá! Ter filhos não é a coisa mais importante do mundo!” Mas, para ela, era muito importante! Ela não sabia explicar porquê, mas sentia-se menos feminina, como se lhe faltasse qualquer coisa. Ao cair da tarde, quando se juntavam junto ao muro, todas as outras fêmeas da quinta falavam das gracinhas da ninhada. Excepto ela. Até que um dia, apareceu lá na quinta um canzarrão castanho e branco, ganiu-lhe umas frases doces ao pé da orelha, e Salomé ficou rendida. O romance não durou muito. Um dia, assim como tinha chegado, o canzarrão desapareceu. Mas Salomé não lhe sentiu a falta. Sentiu, sim, que dentro dela se agitava a vida. Salomão nasceu num dia chuvoso. Era o maior de três irmãos, e muito parecido com o pai. Havia um pequenino, que morreu antes de Salomé se afeiçoar a ele. Também nasceu uma cadelinha, parecida com a mãe. E Salomé revia-se nos seus dois cachorrinhos. ...

Os tijolos da amizade

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A propósito do post que editei sobre a amizade entre a minha gata Sushi e o urso de peluche, uma das comentadoras ocasionais deste blogue, a Maré Alta , desafiou-me a fazer um post, precisamente, sobre o tema da Amizade. O que constrói uma amizade? Com que tijolos se edifica? Devo dizer que o tema é difícil e ambicioso. Já se escreveram tratados sobre o assunto e outros tantos se irão escrever, sem conseguirmos chegar a acordo. Se pensarmos nas inúmeras frases e provérbios que a sabedoria popular nos oferece, espelham bem esta ambiguidade do tema. Enquanto algumas frases exaltam o valor da amizade e os seus benefícios, outras apontam antes a sua raridade. Muitas frases alertam também para a fragilidade da amizade, que pode ser quebrada por razões, tantas vezes pueris, ligadas às relações amorosas ou ao dinheiro, por exemplo. Estou em crer que a sabedoria popular é certeira: a amizade verdadeira é rara e frágil e, como tal, preciosa. Confundimo-la vezes de mais com simples relações soc...

Amizades improváveis

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Tenho uma gata chamada Sushi. Nasceu no quintal de um vizinho e eu apaixonei-me por aquela bolinha de pêlo branco e dei-lhe o nome (não sei bem porque é que decidi chamar-lhe Sushi!) ainda antes de saber se era rapaz ou rapariga.  No início, era muito tímida e arisca. Passou os primeiros dias debaixo dos armários da cozinha, a espreitar cá para fora com ar desconfiado. Depois, pouco a pouco, foi tomando posse da casa. E de nós todos, claro! Segue-me como um cachorrinho pela casa toda. Adora deitar-se ao meu colo ou, se estou  a trabalhar no computador, junto às minhas pernas. Também gosta de passear pelo meu quintal. Nunca se afasta muito, observa os melros e os pardais, brinca com as lagartixas, tenta apanhar as borboletas. Quando quer voltar para casa, mia para lhe abrirmos a porta. Tem um invejável reportório de miados diferentes, que utiliza conforme os desejos e as ocasiões e que já nos habituámos a distinguir. É uma companhia tranquila. Agora, arranjou um novo amigo. É u...

Viva la Muerte!

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Quem me vai seguindo por aqui, sabe que não tenho o hábito de fazer posts  de opiniões alheias. Mas, hoje, encontrei este artigo de opinião de Manuel António Pina no JN . E li-o incrédula. E, sinceramente, não tenho palavras para acrescentar às de Manuel António Pina. Este texto vai sem comentários meus. Mas espero pelos comentários de quem por aqui aparecer. " Só nos faltava esta: uma ministra da Cultura para quem divertir-se com o sofrimento e morte de animais é... cultura. Anote-se o seu nome, porque ele ficará nos anais das costas largas que a "cultura" tinha no século XXI em Portugal: Gabriela Canavilhas. É esse o nome que assina o ominoso despacho publicado ontem no DR criando uma "Secção de Tauromaquia" no Conselho Nacional de Cultura. Ninguém se espante se, a seguir, vier uma "Secção de Lutas de Cães" ou mesmo, quem sabe?, uma de "Mutilação Genital Feminina", outras respeitáveis tradições culturais que, como a tauromaquia, há que ...

No tempo em que os animais falavam

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A Primavera começava a chegar à quinta. Os dias eram mais longos e tudo parecia mais brilhante: a relva que despontava, os botões das prímulas do terraço, os pingos da chuva que ficavam a baloiçar nos ramos e secavam mais depressa. O Máximo também sentia a influência da Primavera. Corria ligeiro pelos muros e pelos telhados e cofiava os bigodes cinzentos. Já não sentia vontade de brincar com os irmãos mais novos, que passavam o tempo a correr atrás dos pássaros e a encenar lutas com os outros gatos. O Máximo gostava era de fingir que preguiçava, no muro em frente da casa, enquanto olhava gulosamente as gatas que passavam. Especialmente a Tita. Ah, a Tita! Era linda, aquela gata, com as suas riscas cor-de-laranja que lhe faziam lembrar um sol, quando se bamboleava pelo terraço. O problema era que a Tita só tinha olhos para o Romeu, o gatarrão cinzento e branco. Passava-lhe à frente e voltava a passar, como quem não quer nada, ou então lançava uma frase “Hoje está menos frio, não está?”...

Natal na Quinta

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(Continuação da saga iniciada na primeira edição da Fábrica de Letras ) E o Natal chegou outra vez à quinta. Já havia luzinhas penduradas no estábulo e no galinheiro e, dia sim dia não, o coro dos gatos de telhado ensaiava os seus cantares natalícios. O Preto também fazia parte do coro e chegava a casa inspirado, ainda a cantarolar “I’m dreaming of a white Christmas”, o que fazia sempre a Branca soltar uma gargalhada. “Para que queres um Natal branco? Para te verem melhor?” A Branca, pelo contrário, não cantava, só fazia contas. “Tenho de encomendar as postas de atum fresco para a Ceia! Está tão caro o atum!” comentava com as outras gatas da quinta. Além disso, havia que comprar as prendas. Os três filhos, agora já crescidinhos, tinham feito a lista para o Pai Natal. O Máximo, o mais velho, queria uns ténis caríssimos e passava o dia a resmungar que o tempo do Gato das Botas já lá ía há muitos anos! O mais novo, o Mínimo, queria uma “Playfarm” e insistia, que todos os amigos tinham u...

Ninguém me quer encontrar?

A cantora Avril Lavigne cedeu esta canção para servir de banda sonora deste pequeno filme, que tem como objectivo a sensibilização para a problemática dos animais abandonados que são, todos os anos, encerrados em canis ou gatis e sujeitos a eutanásia,  ou, dizendo de uma forma mais simples, mortos. O abandono dos animais é uma triste realidade que nos envergonha, enquanto seres ditos civilizados. Vale a pena ver o video, embora eu não o recomende a pessoas muito sensíveis. Eu confesso que fiquei com uma lagriminha nos olhos, mas eu gosto muito de cães, não é? Agora que se aproxima o Natal, e andamos todos a dar voltas à cabeça a pensar nas prendas, porque não dar uma prenda diferente? Vá a um canil e traga um novo amigo para casa. Vai ver que é um amigo para a vida inteira. A escolha é difícil porque é imensa.

O Preto e a Branca

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(Este texto é uma resposta ao desafio lançado pela Fábrica de Letras) Era uma vez uma quinta onde viviam dois gatos: um grande gato preto, chamado, sem grande imaginação, Preto; e uma bela gata branca, chamada, imaginem se conseguirem, Branca. Eram casos raros na quinta, onde imperavam os castanhos, os vermelhos, os azuis e todos os tons de verde. Tal como acontece frequentemente com aqueles que não se conhecem, passavam um pelo outro de largo, com desconfiança, mirando-se como quem não está a olhar. Um dia, encontraram-se em cima do telhado. Não havia muito por onde andar e tiveram de fazer conversa. “Olá! O meu nome é Preto!” adiantou o gato. “Preto como o carvão. E eu sou Branca como a farinha!” miou a gata. O gato encurvou os bigodes em sinal de interrogação e ela continuou: “Era uma poesia que o meu dono lia aos filhos, quando eles eram pequeninos.” O gato estendeu a enorme pata, enquanto preparava o seu discurso sedutor. “Branca como a farinha, como a luz da Lua, como as nuve...