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O que fazer com os últimos dias?

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O que fazer quando nos confrontamos com o diagnóstico de uma doença fatal, que só nos dá mais algum tempo de vida? É uma pergunta terrível, à qual não sei responder. Provavelmente, a reação depende da nossa força interior, mas também do apoio que temos, da família, dos amigos, de uma religião que nos ofereça um caminho. Mas também é verdade que esse caminho é sempre solitário e necessariamente doloroso. E quando esse diagnóstico terrível nos apanha na juventude, naquela idade em que nos achamos invencíveis, temos todo o futuro para conquistar à nossa frente? Foi o que aconteceu com Zach Sobiech. Confrontado com um osteosarcoma fatal, que só lhe dava meses de vida, Zach decidiu dedicar os seus últimos tempos à música. Compôs esta canção, Clouds , que dedicou a todos os seus amigos e familiares. Achei-a tocante, com uma melodia simples mas que fica em nós, e uma letra que nos interpela. If only I had a little bit more time... Zach Sobiech faleceu no passado dia 20 de maio. Tinha 17...

Burros ricos e burros pobres

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Parece que decorreu já no mês passado, mas foi só há poucos dias que tive oportunidade de ler algumas partes da comunicação que  Michael Marmot, professor catedrático em Epidemiologia e Saúde Pública e director do Instituto Internacional para a Sociedade e Saúde na University College de Londres, trouxe a Lisboa, onde falou para profissionais da área da saúde no Instituto Ricardo Jorge. Confesso que, não sendo a minha área, nem sempre me despertam atenção as questões de saúde pública. Mas o que este professor nos veio dizer,  vai muito para lá da saúde, acaba por ser um estudo sociológico muito interessante.  Não é novidade para ninguém que uma mulher queniana tenha quase metade da esperança média de vida de uma mulher sueca ou japonesa. O que já é surpreendente é que se possam constatar diferenças significativas nos mesmos bairros ou nos mesmos grupos socio-profissionais, dependendo de alterações  no grau de escolaridade ou no grau de satisfação profissional. Hoje...

Há gripes e gripes!

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E cá estou eu com gripe outra vez! Entre espirros e gemidos, dei por mim a refletir sobre a Gripe A. A famosa, temível, incontornável Gripe A que, qual peste negra, se anunciava como um flagelo irremediável em todos os telejornais do inverno de 2009. Andou meio mundo a comprar líquidos para limpar as mãos de todos os germes, que se traziam na carteira, e apareceram recipientes com gel para limpeza em todos os espaços públicos, desde casas de banho a aeroportos. Na minha escola, os miúdos utilizavam-no logo de manhã para pôr no cabelo, era uma alegria! Lançaram-se folhetos com indicações da mais elementar higiene, como deitar no lixo os lenços de papel usados. A Direção Geral de Saúde divulgava comunicados, com conselhos, explicações sobre os tipos de gripe, tabelas de óbitos a nível mundial. Aconselhava-se o uso de máscaras e a vacinação em massa. As escolas tiveram de fazer planos de contingência. E, afinal, chegou-se à conclusão de que aquela mortífera gripe, nesse inverno, tinha ...

Os inimigos públicos

Como toda a gente sabe, foram finalmente terminadas as obras de  restauro da belíssima Igreja de São Vicente de Fora. É uma igreja muito ligada à minha família, por diversas razões, e fiquei feliz com a sua reabertura ao público. E, no entanto... houve uma notícia que, positivamente, me esmagou. Durante as obras de limpeza, foram removidas dos telhados da Igreja de São Vicente de Fora, nada mais nada menos do que quarenta toneladas de excrementos de pombo. 40 toneladas! De repente, assaltou-me a imagem das nossas cidades cobertas de excrementos de pombo. Os nossos edifícios coroados de fezes, as nossas estátuas manchadas de descargas intestinais. Lembrei-me de uma entrevista que li, há tempos atrás, com um vereador brasileiro de Curitiba que enumerava as doenças eventualmente transmitidas pelos nossos amigos pombos, com os quais eu até simpatizo, e que iam da salmonelose à ornitose, passando pela transmissão dos piolhos de pombos, ácaros que vivem nos seus corpinhos penugentos. Afi...