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A mostrar mensagens com a etiqueta Coisas que eu detesto

Pessoas que não se calam

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Há um certo tipo de seres humanos que, numa viagem, são totalmente insuportáveis: as pessoas que não se calam... Geralmente, no meio da lufa-lufa do dia a dia, não damos muito por elas. Mas, quando nos sentamos num autocarro ou num comboio para uma viagem mais ou menos longa e temos a pouca sorte de ter uma pessoa assim como companheiro de viagem, não temos escapatória. Começam por esboçar um sorriso ou tecer qualquer comentário amável e, quando damos por isso, já estão lançadas em monólogos imparáveis. Como somos, em geral, pessoas bem educadas, não temos a coragem de as mandar logo às urtigas e aguentamos estoicamente, fingindo algum interesse por todos os pormenores com que esses faladores nos vão bombardeando... Podemos tentar, de quando em vez, transformar o monólogo em diálogo e dizer algumas palavras. Mas é um esforço inglório. Essas pessoas estão tão centradas em si mesmas que rapidamente interrompem para voltar ao seu discurso. Contam tudo, falam de uma vida que pode ser ...

Como terminar uma relação...

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Há coisas que me espantam. Apesar de tudo o que vou vendo, continuam a aparecer notícias que conseguem realmente surpreender-me, como é o caso desta empresa que oferece um serviço pouco habitual: terminar relações amorosas! Sim, eu sei, como todos sabemos, como é difícil terminar uma relação! Encontrar as palavras certas para não magoar demais a outra pessoa... Conseguir explicar o que mudou em nós... Enfrentar os olhos do outro, interrogadores, zangados, tristes, incrédulos... Sim, é duro! Nos últimos tempos, tenho sabido de formas mais expeditas e secas de terminar um namoro ou uma relação. A preferida parece ser a mensagem, por telemóvel ou pelo facebook. "Desculpa, mas já não dá." Ou "Temos de dar um tempo". Ou "Já não curto estar contigo". Ou qualquer outra frase, curta e fria. Também há os que, pura e simplesmente, deixam de aparecer ou dar notícias. "Eu depois ligo-te!" mas o depois nunca chega...  Em qualquer dos casos, é uma cob...

Coisas que eu detesto IV - Tags

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Chamam-se tags ou, em português, grafitos. Eu chamo-lhes borradelas nas paredes. Nascem nas paredes e nos muros, a coberto da noite, poluem os bairros e a cidade. Em qualquer lado por onde se ande, estes rabiscos agridem os edifícios e o nosso sentido estético. Não respeitam nada, tanto aparecem num tapume abandonado como numa porta de garagem, como num edifício histórico.  Se há uma coisa que me revolta é ver edifícios recém recuperados, lindos, pintadinhos de fresco, borrados por escritos de grande profundidade filosófica como orc, mau, ou simplesmente coisas como  amo-te André. Às vezes, são letras e rabiscos indecifráveis. Surgem em paredes pintadas, mas também nas pedras dos monumentos, onde são muito mais difíceis de remover.   Não consigo entender o que pensam ou sentem as pessoas que assim degradam o nosso património. O que lhes passa pela cabeça? Que as suas borradelas são mais importantes do que as paredes de um edifício histórico?  Senti ontem essa ...

Coisas que eu detesto III - A Popota

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Já toda a gente percebeu que eu gosto do Natal. E até considero que tenho algum sentido solidário. Mas a Popota consegue exterminar o meu espírito natalício! Aceito qualquer boneco - desde o Pai Natal à Leopoldina - que nos venha lembrar que é Natal, tempo de pensar mais nos outros, especialmente nos que têm menos do que nós. Mas será preciso arranjar uma boneca que parece saída de um bar de alterne de terceira categoria? Dos fatinhos que enverga até aos meneios com que dança, tudo me faz lembrar uma estrela decadente (atenção, eu escrevi decadente e não cadente, estrelas cadentes seriam bem mais belas e natalícias!) de algum Ritz Club de centro comercial! Como diria aquela personagem tenebrosa da telenovela: "Jesus, Maria, José! Será que o PornoChic já chegou ao Natal?"

Coisas que eu detesto II - Papás hiper-babados

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Todos os pais normais amam os seus filhos e tentam protegê-los. Eu não sou exceção, até sou um bocadinho mãe-galinha (mas só um bocadinho!). No entanto, creio que nunca perdi o sentido das proporções. Mas há uma subespécie dos pais normais que é verdadeiramente insuportável, os hiper-babados! Encontramo-los por todo o lado: olham benevolentes, enquanto os filhos fazem birras, gritam, atiram com os brinquedos, enfim, incomodam toda a gente; entopem as ruas junto às escolas, para levar os filhos à porta da escola, não vão os meninos partir-se se caminharem cem metros; não os deixam brincar no parque, mas saturam-nos de atividades extra-escolares, encontrando capacidades artísticas ou desportivas extraordinárias na energia normal das crianças; aborrecem toda a gente nas reuniões de amigos, com as histórias ininterruptas dos seus fantásticos rebentos; não os contrariam, nem corrigem as respostas mal-educadas, para não coartar a espontaneidade das criaturinhas; e, quando começa...

Coisas que eu detesto I - Telemóveis nos transportes públicos

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Antigamente, podia-se andar sossegado nos transportes públicos. Podia-se sonhar, ler um livro, até dormitar um bocadinho. Eramos embalados pelo rolar do autocarro, as conversas em surdina dos vizinhos, as brincadeiras dos miúdos da escola, um ou outro incidente na rua, que todos espreitavam com interesse.  Depois, apareceram os telemóveis!... E começamos a ser bombardeados com as telecomunicações a toda a hora. A qualquer momento, surge uma musiquinha irritante. É o sinal de chamada. Alguém atende e, geralmente falando alto, para sobrepôr a voz ao barulho surdo do autocarro (ou do comboio, ou do metropolitano...), responde à primeira pergunta sacramental: "Onde estás?"   Depois, seguem-se as conversas que todos seguimos voluntaria ou involuntariamente. Ficamos a saber do almoço dos filhos e dos pormenores da consulta médica. Ouvimos discussões conjugais e coscuvilhices. Percebemos intimidades e desculpas esfarrapadas. Não há como fugir, as confidências entram-nos pelos o...